É assim que o dicionário define a palavra:
“do ant. soedade, soidade, suidade < Lat. solitate, com influência de saudar; s. f., Lembrança triste e suave de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de as tornar a ver ou a possuir; pesar pela ausência de alguém que nos é querido; nostalgia.”
>Durante séculos, aprendemos a olhar para a Saudade como património exclusivo da língua portuguesa. Ausência, distância, melancolia, estado de alma permanente e perpétuo da nação. Crescemos a aprender que a palavra Saudade não tinha tradução em qualquer outra língua do mundo. Mas tem. Em hebraico existe um equivalente preciso da nossa saudade: Ergá – ערגה.
Usada durante milénios por rabinos, filósofos e poetas judeus para traduzir os mesmos estados de alma, ergá é indubitavelmente a saudade hebraica. E depois, claro, há a música. Aqui pode ouvir-se um excerto de uma melodia judaica da Europa de Leste intitulada “Ergá” (em formato RealOne).
Há mesmo quem sugira que a saudade entranhou a alma lusa por via judaica, e que uma das suas maiores manifestações colectivas, o Sebastianismo, poderá muito bem ser uma transmutação do messianismo dos judeus e cristãos-novos portugueses do século XVI.
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