Mourinho, Israel, Futebol & Karma

José Mourinho passou por Israel esta semana, convidado por Shimon Peres para promover uma iniciativa que põe o futebol ao serviço da paz, na qual crianças israelitas e palestinianas jogam juntas, em equipas mistas, e aprendem a olhar uns para o outros como iguais. Mourinho falou também com treinadores de futebol israelitas e palestinianos. Na capital, Jerusalém, visitou o Kotel (o Muro das Lamentações) e, envergando um kippá, colocou entre as pedras uma oração. Descrito por alguns como “arrogante” e “megalomaníaco”, o actual treinador do Chelsea confessou nunca se ter sentido “tão humilde”.
Por falar em arrogância, do outro lado do espectro, o guarda redes da selecção francesa de futebol, Fabien Barthez, ameaçara não jogar na partida com Israel em protesto contra as acções do exército israelita nos territórios ocupados (ver French goalie refuses to play in Israel), aparentemente sem se deixar influenciar pelos ventos de mudança e paz que começam a soprar na região. Um sentimento diametralmente oposto àquele que fez os israelitas – judeus e árabes – celebrarem sábado à noite o golo de Abbas Suwan, jogador israelita árabe da selecção de Israel, frente à Irlanda.
Dias depois, Barthez voltaria atrás, dizendo que as suas preocupações tinham a ver com a segurança da equipa. Por fim, acabou mesmo por jogar ontem no estádio nacional de Ramat Gan, nos arredores de Tel Aviv, e foi merecidamente vaiado cada vez que tocou na bola. Num golpe de “justiça cósmica” (também conhecida como karma ou תקון – tikun – no judaísmo), Israel empatou com a poderosa França e Barthez teve grandes culpas no golo do meio-campista israelita Walid Badier. A foto acima documenta o momento.
No próximo dia 1 de Junho, curiosamente, a França vai disputar uma partida amigável com a República Popular da China. Barthez irá jogar e, obviamente, nunca lhe terá sequer passado pela cabeça protestar contra as sistemáticas violações de direitos humanos cometidas por Pequim. Nada melhor para complementar a hipocrisia do que o “activismo” selectivo.

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