
A propósito das superstições ligadas a sexta-feira 13, o Filipe, autor do excelente blog Respublica, desafia-me a comentar a possível conotação aziaga do número na tradição hebraica. Mas, na verdade, ela não existe. Em hebraico, 13 é um número extraordinariamente positivo.
Na língua hebraica os numerais são escritos com as letras do alfabeto (ou alefbet), às quais é atribuído um valor numérico (ver Gematria Hebrew Letter Chart – Introduction to Hebrew Numerology) – um pouco à semelhança da numeração romana. Assim, o número 13 escreve-se com as letras י Yud (10) e ג Gimel (3). Para desvendar as leituras semióticas da numerologia hebraica (gematria), é necessário, antes de mais, analisar o simbolismo dado a cada letra.
O Yud (י) é a primeira letra da palavra yetzer (impulso), denotando a tendência humana tanto para o altruísmo (yetzer hatov, aspecto positivo) como para o egoísmo (yetzer hará, aspecto negativo). Os sábios cabalistas aconselham a meditação na letra Yud como forma de ultrapassar estagnação e inspirar mudança a nível espiritual.
O Gimel (ג), por outro lado, reflecte as qualidades de bondade e crescimento. A expressão gamilut hasidim (boas-obras) traduz a essência de Gimel, a primeira letra também das palavras gadol (grande), guibor (poderoso) e guevurá (coragem). A meditação na letra Gimel desperta a capacidade de crescimento espiritual.
Ao contrário do que acontece no cristianismo, a tradição hebraica reserva ao número 13 uma conotação bastante positiva. Segundo a gematria, 13 é o valor numérico das palavras “amor” e “unidade”, denotando uma ligação intrínseca entre elas. Outro aspecto positivo do número no judaísmo é demonstrado pelo facto de rapazes e raparigas efectuarem os rituais de passagem de bar e bat Mitzvá aos 13 anos de idade, entrando assim na “maturidade religiosa”. Treze são também os atributos de Deus inscritos pelo rabino medieval Moisés ben Maimon (Maimonides) no hino Yigdal.
License
This work is published under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 2.5 License.