Ciclo de Violência?

Há três semanas, o aperto de mãos entre Mahmoud Abbas e Ariel Sharon em Sharm El-Sheik trazia a esperança de que tudo podia mudar. A paz, por muito difícil que pudesse parecer, estaria perto, garantiam as notícias. Hoje, um atentado suicida numa discoteca de Tel Aviv – prontamente reivindicado pelos terroristas das Brigadas dos “Mártires” de al-Aqsa e da Jihad Islâmica – faz reviver o síndroma do Groundhog Day.
Um dos mais propagados mitos sobre o conflito israelo-palestiniano defende que os atentados terroristas são uma “resposta directa” às acções do governo israelita. Uma passagem de olhos pelos títulos das notícias das últimas três semanas é prova suficiente para deitar por terra esta teoria. Senão vejamos:
Sharon assina retirada histórica de Gaza e alteração do traçado da Barreira de Segurança; Israel antecipa retirada de Gaza; Israel reafirma confiança no novo parceiro de paz; Israel liberta 500 prisioneiros palestinianos.
Lidas as notícias, analisado o encaminhamento dado ao processo de paz por Abbas e Sharon, gostaria que me explicassem a que “responde” o atentado de hoje em Tel Aviv? Aos que insistem em acreditar no mito aconselho a leitura de um artigo de Alan Dershowitz intitulado As Causas dos Atentados Suicidas.
Dito isto, penso ser importante sublinhar que acredito no facto da actual liderança da Autoridade Palestiniana (PA) estar honestamente empenhada na construção da paz. Mas também é importante notar que a PA não consegue ter mão nos grupos terroristas que utilizam os atentados, não só contra a população civil de Israel, mas também como “arma política” interna, de forma a mostrar à Autoridade Palestiniana que qualquer negociação com Israel pode ser descarrilada caso as suas exigências não sejam ouvidas.
Meus caros: esta gente, os responsáveis pelo atentado de hoje, não são “militantes” nem sequer “extremistas”. Estes eufemismos apenas mascaram uma realidade bem mais fria e nojenta. A palavra correcta é terroristas – porque sobrevivem apenas num clima de terror. Porque a paz não lhes interessa. Porque se alimentam da violência e do medo. E da resposta à sua violência. Esta gente não precisa de pretextos. As últimas semanas de esperança provam isso mesmo.

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