
Bruma de ouro, o ocidente ilumina
A janela. O manuscrito assíduo
Aguarda, carregado de infinito.
Alguém constrói Deus. É um judeu
De tristes olhos e pele citrina;
Leva-o o tempo como leva o rio
Uma folha na água que declina.
Não importa. O mago insiste e lavra
Deus com geometria delicada;
Da sua enfermidade, do seu nada,
Continua erigindo Deus com a palavra.
O mais prodigioso amor lhe foi outorgado,
O amor que não espera ser amado.
Jorge Luis Borges
in La Moneda de Hierro (1976)
[Tradução preliminar]
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