
Era uma vez o jovem Moishe, que durante anos viajou por terras distantes à procura de um mestre artesão que lhe pudesse ensinar um ofício. Passado muito tempo, Moishe finalmente regressou a casa e cheio de orgulho contou à família que se tornara um ourives de talento. “A minha habilidade é tão grande que o meu trabalho é melhor do que o do meu mestre”, garantia ele perante o olhar incrédulo dos pais e irmãos. Vendo que a família não acreditava nas suas palavras nem nos seus dotes, Moishe pediu ao pai que chamasse os três ourives da cidade para ouvir o que pensavam eles de uma das suas peças – um candelabro de prata com três braços.
Dois dias depois os ourives foram ver a obra de Moishe. Para surpresa da família os três concordaram que nunca tinham visto tamanha monstruosidade. “Isto é uma vergonha para a nossa profissão. Mas este castiçal aqui está quase perfeito”, disse o primeiro, apontando para um dos braços do candelabro. “Absolutamente horrendo… tirando este outro pedaço, que é francamente bonito”, afirmou o segundo ourives. “Esta coisa devia ser enterrada para que mais ninguém lhe ponha a vista em cima. Mesmo assim, este braço aqui até está muito bem feito”, disse o último.
Depois dos ourives terem saído, Moishe olhou para o pai e exclamou radiante: “Eu não vos disse?! Estão a ver como não exagerei. Sou mesmo o mestre dos mestres!” Mas o pai nem queria acreditar: “Estás louco? Não os ouviste dizer que o teu candelabro era uma monstruosidade?”
Sorrindo, Moishe respondeu: “É verdade pai, ouvi. Mas repararam como cada um dos ourives admirou um dos braços do candelabro, mas nenhum deles gostou do mesmo braço? Pois quando eu era aprendiz estudei cautelosamente o trabalho destes três homens. Por isso decidi fazer um candelabro combinando todas as suas imperfeições. Hoje, cada um dos ourives reconheceu nele os defeitos dos colegas, mas ao olhar para os seus próprios erros nada viram de mal.”
Pequeno conto da tradição oral dos judeus da Europa Oriental, atribuído ao rabino Nachman de Bratslav, Lituânia (1772–1810).
::Ilustração:: O Velho Rabino (detalhe) 1642, Rembrandt van Rijn
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