O salteador da Arca perdida


O excêntrico arqueólogo Vendyl Jones: em busca da Arca Perdida

Vendyl Jones é provavelmente o mais excêntrico e polémico arqueólogo da actualidade. Considerado um “génio” por alguns e um charlatão por muitos, Jones afirma ter sido ele a inspiração para o arqueólogo imaginário que o mundo haveria de conhecer como Indiana Jones. Agora, o Jones de carne e osso promete igualar a proeza do seu homónimo cinematográfico, afirmando estar preparado para desvendar até Agosto a localização exacta da Arca do Convénio – o receptáculo construído sob ordens de Moisés para guardar as Tábuas dos Dez Mandamentos, o mais sagrado dos artefactos judaicos desaparecidos – ver Kabbalist Blesses Jones: Now´s the Time to Find Holy Lost Ark.
O trabalho arqueológico Vendyl Jones, segundo ele próprio, baseia-se em grande medida no mais enigmático dos Pergaminhos do Mar Morto, o chamado Manuscrito de Cobre (ver University of Southern California: Copper Scroll). Ao contrário dos restantes 849 documentos, atribuídos aos Essénios, que compõem os pergaminhos encontrados em Qumran, este manuscrito não é uma obra literária ou religiosa, mas uma espécie de mapa de tesouro onde, em linguagem críptica, se descreve a localização de enormes quantidades de ouro, prata e artefactos que alguns historiadores acreditam terem pertencido ao Templo Sagrado de Jerusalém, destruído e saqueado pelos romanos no ano 70. Recorrendo ao Manuscrito de Cobre, Vendyl Jones acredita agora ter descodificado a localização exacta da Arca do Convénio (aron habrit, em hebraico, ארון הברית). Sim… a tal que os nazis buscavam desesperadamente e que Indiana Jones “encontrou” no filme de Stephen Spielberg.
Os especialistas académicos, mais uma vez, torcem o nariz: “Vendyl Jones diz ter sido ele a inspiração para Indiana Jones, o que é bastante apropriado porque os seus planos para encontrar a Arca são tão plausíveis quanto o cenário do Salteadores da Arca Perdida”, escreveu James Davila, professor de Estudos Judaicos da Universidade de St. Andrews, na Escócia, e especialista em Antiguidade Judaica.
Os métodos de Vendyl Jones podem ser pouco ortodoxos, mas a verdade é que os resultados alcançados até agora têm deixado boquiaberta parte da comunidade académica. Em 1988, decifrando o Manuscrito de Cobre, Jones encontrou uma pequena vasilha de barro cujo conteúdo ele afirma ser Shemen Afarshimon, o óleo sagrado do Templo. Análises químicas posteriores parecem dar razão a Vendyl Jones mas, mesmo assim a descoberta foi recebida com enorme cepticismo. Em 1992, Jones diz também ter encontrado cinzas de “incenso do Templo Sagrado” (ketoret), mas os seus críticos garantem que tudo não passa de um embuste. Agora, proclamando revelar ao mundo a Arca do Convénio até Agosto, Jones embarca numa excêntrica e quimérica corrida contra o tempo que poucos acreditam poder vir a correr-lhe de feição.
Tudo isto se passa, é claro, num recanto do mundo onde a arqueologia é arma de arremesso político, utilizada por ambos os lados para fazer valer as suas próprias narrativas da história e invalidar as do outro (ver Temple Mount relics saved from garbage).

::A LER:: Vendyl Jones – Wikipedia / Jewish Herald Voice Newspaper, Houston, TX, May 2000 – Vendyl Jones And The Ark Of The Covenant / Copper Scroll – Wikipedia / Vendyl Jones Research Institute

::A VER:: BBC – Real ‘Raiders of the lost Ark’ (formato RealAudio)

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