Serei eu o único a achar o “dia de reflexão” uma imensa idiotice paternalista de uma Lei Eleitoral a precisar de profundas reformas? Estarei sozinho? Para cúmulo, leio que a Comissão Nacional de Eleições vai “vigiar os blogs” para policiar eventuais “desvios” ou “violações” ao “dia de reflexão” – uma aberração que honestamente encaro como uma violação séria à liberdade de opinião.
Este “policiamento” dos blogs levanta uma questão interessante: como poderá, por exemplo, a CNE punir um cidadão português que mora no estrangeiro e escreve um blog alojado em servidores internacionais? Mais um exemplo concreto: a diferença horária que me separa de Portugal (menos 8 horas) faz com que esteja a escrever este post já depois da meia noite de sábado em Lisboa, embora para mim ainda sejam 16:30h de sexta-feira aqui em Los Angeles. Será que violo o “dia de reflexão” ao comentar as sondagens ou o comportamento de Santana Lopes, José Sócrates ou Francisco Louçã?
Se o voto dos emigrantes valesse alguma coisa – isto é, se eu fosse mesmo votar no domingo – estaria mais do que tentado a testar esta dúbia fronteira.
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