Sento-me no jardim onde brinquei em criança.
A criança brinca ainda na areia. As suas mãos fazem ainda
pat-pat, depois cavam a destroem,
depois outra vez pat-pat.
Entre as árvores a pequena casa está ainda de pé
onde a alta voltagem zumbe e ameaça.
Na porta de ferro a caveira é
outra conhecida de infância.
Quando tinha nove anos deram-me
um violino de palmo e meio
e palmo e meio de emoções.
Às vezes sou ainda assaltado por orgulho
e alegria: Já me sei vestir e despir
sozinho.
Yehuda Amichai (1924-2000), poeta israelita.
Ilustração: “Violin on Wall”, óleo sobre tela de Alexandre Zlotnik.
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