Emídio Guerreiro

Dignidade

Chegou a meia-noite.
As palavras nunca foram meras palavras
para quem, com as próprias mãos, lutou ao meio-dia
contra carmona,
contra franco,
contra hitler,
contra salazar.
Pela Dignidade.
Nas palmas das mãos
do homem de quem o meu pai tem o nome
ficaram gravadas as linhas de um mapa –
a geografia da margem justa da História.

Em memória de Emídio Guerreiro (1899-2005)

Obituário distribuído pela Agência Lusa:

Uma vida em três séculos

Ao longo da sua longa vida, que atravessou três séculos, Emídio Guerreiro assistiu à implantação da República, viu nascer e morrer a ditadura, de que foi um dos mais destacados combatentes, atravessou duas guerras mundiais e participou na construção do regime democrático em Portugal.
Emídio Guerreiro nasceu a 6 de Setembro de 1899, em Guimarães, numa família de ideais republicanos, que acolheria como seus durante toda a vida.
Frequentou a Universidade do Porto, onde cursou Matemática, depois de ter lutado como voluntário na I Guerra Mundial – o seu primeiro encontro com a conturbada história do século XX.
Em 1926, um golpe de Estado impõe a ditadura em Portugal, mas a 3 de Fevereiro do ano seguinte Emídio Guerreiro junta-se aos revoltosos que, em vão, tentaram derrubar os golpistas. Em 1928, funda no Porto a loja maçónica “A Comuna”, do Grande Oriente Lusitano Unido.
Em 1932, escreve um panfleto contra o então presidente Óscar Carmona, acabando por ser detido, mas um ano depois conseguiria evadir-se, iniciando um exílio que se prolongaria por mais de 40 anos. A primeira paragem é em Espanha, onde dá aulas, mas o início da guerra civil leva-o a combater ao lado das forças republicanas.
Em 1939, com a vitória dos franquistas, fixa-se em França, passando à clandestinidade quando os nazis invadem o país, durante a II Guerra Mundial, tendo sido membro activo da resistência à ocupação alemã. Findo o conflito, Emídio Guerreiro voltou ao ensino de Matemática, desta vez na Academia de Paris.
Na capital francesa, funda em 1967, juntamente com outros exilados políticos, a LUAR, Liga Unificada de Acção Revolucionária, para combater o regime salazarista.
De regresso a Portugal, depois do 25 de Abril, foi um dos fundadores do PPD. Em 1975 foi eleito secretário-geral, tendo liderando o partido durante o período de ausência de Sá Carneiro no estrangeiro, por doença. Deputado à Assembleia Constituinte, viria a afastar-se do PPD, descontente com o rumo que o partido estava a seguir, e nos últimos anos aproximou-se do PS.
Em entrevista ao “Expresso”, por ocasião do centenário do seu nascimento, Emídio Guerreiro elegeu a dignidade humana como o ideal que norteou a sua vida. “Como não pode haver dignidade se não houver liberdade, naturalmente que eu lutei pela liberdade. Lutei contra todos os regimes prepotentes, lutei contra todas as ditaduras”, afirmou.

קדיש אבלים

יתגדל ויתקדש שמה רבא בעלמא די ברא כרעותה וימלך מלכותה, בחייכון וביומיכון ובחיי דכל בית ישראל, בעגלא ובזמן קריב. ואמרו אמן. יהא שמה רבא מברך לעלם ולעלמי עלמיא. יתברך וישתבח ויתפאר ויתרומם ויתנשא ויתהדר ויתעלה ויתהלל שמא דקדשא בריך הוא לעלא מן כל ברכתא ושירתא תשבחתא ונחמתא, דאמירן בעלמא ואמרו אמן .יהא שלמא רבא מן שמיא, וחיים טובים עלינו ועל כל ישראל ואמרו אמן .עשה שלום במרומיו, הוא יעשה שלום עלינו, ועל כל ישראל ואמרו אמן

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