Ó, tudo é tão longe
e foi tudo há tanto tempo.
Creio que aquela estrela
está morta há mil anos,
apesar de ainda lhe ver a luz.
Creio que naquele barco
passando pela noite
algo terrível foi dito.
Em casa um relógio
bateu…
Onde bate ele?…
Gostaria de andar
fora do meu coração
sob o céu aberto.
Gostaria de rezar.
Uma destas estrelas
tem de existir ainda.
Creio que sei
qual delas
persiste
e se ergue como uma cidade, branca
no céu ao fim de um raio de luz…
Rainer Maria Rilke (1875-1926), poeta austríaco de ascendência judaica.
[NT – a partir da tradução do alemão para o inglês da autoria de C.F. MacIntyre]

Max Beckmann (1884-1959), A Sinagoga, 1919
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