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Sami Michael, escritor israelita, nomeado para o Nobel da literature por um académico palestiniano.


Sami Michael, israelita, nomeado para o Nobel da literature por um académico palestiniano

Ahmed Harb, escritor, crítico literário e catedrático palestiniano de Ramallah, propôs oficialmente a nomeação do escritor israelita Sami Michael para o Nobel da Literatura (ver Palestinian writer nominates Sami Michael for Nobel Prize.) Em entrevista ao diário Haaretz, Ahmed Harb diz ter ficado “profundamente impressionado com a escrita de Sami Michael” que, na sua opinião, tem influenciado não só leitores israelitas mas também palestinianos e árabes a compreender o destino que partilham no Médio Oriente. “Com os seus romances, lavrados por um mestre, Sami Michael granjeou uma audiência israelita, palestiniana e internacional. Como escritor palestiniano tenho a honra de recomendar calorosamente Sami Michael para o Nobel da Literatura”, escreveu o professor Ahmed Harb na carta enviada à Academia de Estocolmo. Ainda na entrevista ao Haaretz, Harb adianta: “Para mim, a literatura está acima de qualquer conflito, por mais difícil e complexo que seja. Talvez seja apropriado encarar a minha carta como uma missiva de paz para ambos os lados.”
Confrontado com a sua nomeação para o Nobel feita pelo académico palestiniano, Sami mostrou-se profundamente comovido: “Apetece-me beijá-lo. Ele está a tomar um risco enorme ao fazer esta recomendação. Seres humanos generosos como Harb são a mais importante indicação de que temos aliados do outro lado.”
Judeu nascido em Bagdade, no Iraque, em 1926, Sami Michael é um dos mais conceituados escritores israelitas da actualidade, ao lado de Amos Oz, David Grossman e A.B. Yehoshua – um grupo no qual se integra também no que diz respeito às opções políticas. Na sua obra confluem inevitáveis influências judaicas e árabes, reflectindo as condicionantes da sua própria vida.
Sami fugiu do Iraque para o Irão em 1948, após a polícia secreta ter descoberto o seu envolvimento num grupo de resistência clandestino. Um ano depois, quando o governo iraniano se preparava para o extraditar para Bagdade, Sami consegue escapar para Israel, onde vive desde então. Após cumprir o serviço militar, começou a trabalhar para um semanário árabe de Haifa, onde escrevia a quase totalidade da secção literária. Durante 25 anos trabalhou para o Ministério israelita da Agricultura, fazendo prospecção de reservas naturais de água junto da fronteira com a Síria. Sami Michael estudou literatura árabe e psicologia na Universidade de Haifa e recebeu um doutoramento honorário da Universidade Hebraica de Jerusalém. Ao todo, escreveu 11 romances em árabe e hebraico – o primeiro dos quais publicado em 1973 –, abordando em todos eles complexas relações interligadas entre judeus e árabes, cristãos e muçulmanos, nacionalistas e comunistas, homens e mulheres, em Bagdade e em Israel.
Politicamente, Sami Michael identifica-se com a ala esquerda do Partido Trabalhista e há décadas que juntou a voz ao grupo de intelectuais israelitas no movimento pela paz. Infelizmente, nenhum dos seus romances foi ainda traduzido para português.

::A LER:: World Conference on Culture at Stockholm – 1998 – The Wish of the Three Prophets, a paper by Sami Michael / Writing for a Jewish Future: About Sami Michael / The outsider — Baghdad-born writer Sami Michael a living conduit between Israel’s Arabs and Jews.

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