Um velho rico e avarento andava pela rua com um bolo que acabara de comprar quando este lhe caiu das mãos e rolou pela poeira e lama da estrada. Nessa preciso momento, um pedinte passou por ele e pediu-lhe qualquer coisa para comer. O avaro deu-lhe o bolo sujo sem pensar duas vezes, contente consigo próprio por se ter livrando dele. Nessa noite o rico avarento sonhou que estava sentado num enorme café cheio de gente, com os empregados atarefados a trazer para as mesas as mais preciosas delícias de pastelaria. Mas só ele não era servido. Ele esperou até que se lhe esgotou a paciência e decidiu reclamar. Finalmente, depois de muito esperar, um dos empregados trouxe-lhe um pedaço de bolo, sujo e coberto de lama. “Então, o que é isto? Como se atreve a trazer-me um bolo todo emporcalhado? Sabe quem eu sou? Sou um homem muito rico e por isso não mereço ser tratado desta maneira”, barafustou o velho avarento. O empregado encolheu os ombros: “Desculpe-me, mas o senhor está enganado. Aqui não pode comprar nada com o seu dinheiro. O senhor chegou à Eternidade e só tem aqui direito ao que enviou antecipadamente do Mundo dos Vivos. A única coisa que o senhor mandou foi este bolo sujo e enlameado, por isso será a única coisa que lhe poderei servir.”
História oral tradicional dos judeus da Tunísia, recolhida pelos investigadores do Israel Folktale Archive, na Universidade de Haifa. Existem paralelos deste conto na tradição oral dos judeus da Europa Oriental, Turquia e Pérsia.
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