
Uma muralha.
Uma densa muralha de costas humanas, braços, pernas.
Uma amurada cinzenta com redondas manchas.
Um exército derrotado numa caverna, antes das manobras,
Esperando que se abram as portas.
Não como jaulas abertas, em tumulto.
Não como pedras arrancadas do chão.
O exército antecipa
O tortuoso oscilar do metropolitano
Rumo à estação
Portas a menos.
Portas a menos.
Lá dentro – comprimidos
Em pé e sentados –
Muralha, muralha,
Braços, costas,
Rostos, pernas –
Um reino por um assento!
Um reino por uma argola!
As muralhas crescem,
Espessas, apertadas, densas,
Faces cinzentas, tensas.
Entrei!
As portas cerram-se.
Tremor.
Um nó vivo:
Contido, reprimido, ameaçando clamor.
Denso, ainda mais denso,
Amargo, ilusório,
Contundente, tenso –
Para descansar, jantar e cinema.
Aaron Glanz-Leyeless (1889 – 1966). Pedagogo, linguista e poeta Judeu polaco.
Traduzido para português a partir da tradução do yiddish original para o inglês da autoria de Benjamin and Barbara Harshav.
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