Há largas semanas que nada de novo acontece na Rua da Judiaria. Tenho de pedir desculpa aos meus leitores, a todos aqueles que por aqui passavam esperando ler outras coisas que não apenas os textos antigos postos ainda no topo da página. Sinto que vos devo uma explicação, ainda que tenha adiado escreve-la dia após dia. Escrever, por vezes, é um acto extremamente doloroso, especialmente quando somos forçados a olhar para dentro de nós próprios e só encontramos escombros. E ausência.
As últimas semanas têm sido o tempo mais difícil da minha vida. Perdi a minha mãe nos últimos dias de Novembro, na madrugada do dia 26, ao fim de meses e meses de sofrimento e angústia. Dentro de mim há ainda muito de negação, de dificuldade extrema em aceitar o insustentável e definitivo peso da inexistência.
Sou ainda incapaz de olhar para fotos de família. As memórias encharcam-me os olhos de lágrimas. Temo que esta dor intensa não desapareça nunca.
Ainda assim, vejo-lhe o rosto quase ininterruptamente ao longo de todo o dia. Durante todos os dias. Vejo-a como ela sempre foi, antes da doença terrível que a fez sofrer de maneira inimaginável. Basta uma pausa; basta fechar os olhos por um breve instante. Ouço-lhe a voz como se ela estivesse ao meu lado. E sei que ela aqui estará sempre. Longe de tudo e dos meus, do outro lado do mundo, queria estar ao lado do meu pai e da minha irmã.
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