Antisemitas Anónimos

Dez princípios para a recuperação

1 – Admitimos ter uma predisposição para o preconceito e ser impotentes para controlar o nosso ódio.
2 – Reconhecemos que não são os judeus que nos prejudicam, mas sim nós que responsabilizamos os judeus pelos nossos problemas e pelos males do mundo. Somos nós que prejudicamos os judeus ao acreditar nisso.
3 – Um judeu pode muito bem ter defeitos, como qualquer outro ser humano, mas os defeitos sobre os quais temos de ser honestos são os nossos próprios: a paranóia, o sadismo, o negativismo, a propensão para a destruição, a inveja, etc.
4 – Os nossos problemas financeiros não são culpa dos judeus, mas de nós próprios.
5 – Os nossos problema de trabalho não são culpa dos judeus, mas de nós próprios (como o são os problemas sexuais, os problemas matrimoniais, os problemas da comunidade).
6 – O antisemitismo é uma forma de fuga à realidade, uma recusa em pensar honestamente acerca de nós próprios e da nossa sociedade.
7 – Na medida em que os antisemitas não conseguem controlar o seu ódio, eles não são como as outras pessoas. Reconhecemos que mesmo um insulto antisemita casual prejudica a nossa luta para nos livrar-mos da nossa doença.
8 – Ajudar outros a desintoxicarem-se é a pedra angular da nossa recuperação. Nada assegura uma maior imunidade à doença do antisemitismo do que um trabalho de recuperação intensivo com outros antisemitas.
9 – Não somos estudiosos, não nos importa saber porque temos esta terrível doença, estamos reunidos para admitir que a temos e para nos ajudarmos mutuamente a ultrapassá-la.
10 – Participando nos Antisemitas Anónimos, aspiramos controlar a tentação do ódio aos judeus em todas as suas formas.

In Operation Shylock, Philip Roth, p. 101 e 102 (Vintage, 1994)

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