Outras Judiarias

NÃO ESPALHEM: No filme “Capitão Alatriste” (com o Vigo Mortensen um bocado desfasado como soldado espanhol do século XVII) há uma cena do cerco católico a Breda. No meio dos espanhóis aparece um soldado português que os companheiros não têm em grande conta: “Vocês, portugueses, são todos meios judeus”.
Filipe Nunes Vicente, no Mar Salgado

JUDEN: Conversava sobre literatura alemã com o senhor E. O senhor E., cultíssimo e (mesmo assim) quase nazi, discordava de tudo o que eu ia dizendo. Em meu abono, comecei a frase “O George Steiner escreveu que”. O senhor E. não me deixou sequer citar. Fez um gesto de desprezo e declarou: “O George Steiner é judeu”.
Isto foi há uns 3 anos. Hoje, um sujeito do outro extremo ideológico chamou-me “sionista” porque eu sou entusiasta de Philip Roth. Tendo em conta que Roth não é cidadão israelita nem apoiante da política israelita, “sionista” neste contexto quer dizer simplesmente: “judeu”.
Dizer que “os extremos se tocam” é cada vez mais um eufemismo.
Pedro Mexia no Estado Civil

JUDEN (2): Primeiro passei pela estante do romance: tirei Kafka e Proust. E Bellow, Malamud, Perec, Bruno Schulz e Joseph Roth. Trouxe também os contos de Isaac Babel. Da pequena secção italiana extraí Natalia Ginzburg e Primo Levi. Dei com uns ensaios de Cynthia Ozick que nem sabia que tinha. Na poesia, estavam Osip Mandelstam e Leonard Cohen.
Atei-os todos num pacote de papel pardo, com umas guitas. Amanhã vou devolvê-los à Embaixa de Israel. Não quero cá em casa autores coniventes com o belicismo sionista.
Pedro Mexia no Estado Civil

DE GALEGOS E XUDEUS: Non sei por que na Lisboa de hai séculos galegos e xudeus compartían o odio dos cidadáns do común ata o punto de a paremioloxía lusitana recoller un acusatorio “De galegos e judeus, dos melhores livra-nos Deus”.
Afonso Vázquez-Monxardín, em Vieiros: Galiza Hoxe

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