Sampaio, o Judaísmo português e os atentados na Turquia

O Presidente de Portugal visitara a sinagoga Neve Shalom,uma das sinagogas de Istambul vitimadas pelos atentados de sábado, durante a sua deslocação à Turquia, em Setembro passado. (Ver Portuguese President Visits Neve Shalom Synagogue).
As ligações a Portugal da comunidade judaica residente na Turquia remontam aos finais do século XV, quando o Império Otomano acolheu de braços abertos os judeus portugueses que D. Manuel I expulsara ou obrigara a converter ao catolicismo. Pioneiros à força da emigração portuguesa, os judeus chegaram a Istambul e encontraram em terras muçulmanas uma tolerância que nunca tinham experimentado na nossa pátria. Célebre é a frase proferida pelo sultão Bayazid II, que reinou sobre terras otomanas entre 1481 e 1512: “Chamais sábios aos reis de Castela e Portugal; eles que expulsando os judeus empobrecem os seus reinos e enriquecem o meu.” (Citado por Immanuel Aboad in Nomologia, o Discursos Legales Compuestos, Amsterdão 1629).
O nome de família do actual presidente da comunidade judaica da Turquia, Bension Pinto bem essa ligação ancestral à pátria lusa.

No ABRUPTO, entretanto, JPP escreve hoje sobre os atentados e, quer se concorde ou não com o seu raciocínio, deixa um importante ponto de reflexão:

“(…)Infelizmente o que bateu à porta da antiquíssima colónia judaica de Istambul e matou muitos bons muçulmanos que passavam na rua, foi uma bomba da Al Qaeda. Muito significativamente a bomba explodiu, matou quem matou, aumentou as tensões turcas, mas nem o eco dessa explosão se ouviu de Atenas para cá. Uma multidão prepara-se para “receber” Bush em Londres, com aquela apetência para tomar como alvos preferenciais os nossos, sejam eles menos bons , medíocres, iludidos, arrogantes, enganados, perigosos, estúpidos, ineptos, o que quiserem, e esquecer os verdadeiramente maus, os que não vivem senão de um terror absoluto e abstracto. Quantos dos milhares, dezenas de milhares, centenas de milhares, que vão chamar a Bush assassino, sairiam para a rua contra a Al Qaeda? Não é uma pergunta retórica, é uma provocação pela verdade. Um em dez mil? Talvez, já estou benevolente como Deus com os seus mensageiros a Sodoma e Gomorra, para saber se havia mais justos na cidade do que a família de Lot. Não havia. Como estão confundidas as nossas prioridades!”

Acreditando, mesmo assim, que Bush merece todas as manifestações que lhe atirarem para cima, não posso deixar de concordar parcialmente com JPP.

Mais uma achega para o debate do antisemitismo

A última edição da revista judaica Tikkun publica um extenso artigo assinado por Miriam Greenspan intitulado “The New Anti-Semitism”, uma perspectiva de esquerda que vale bem a pena ler.
Aqui vai um pequeno excerto:

“Renouncing hatred, in all its forms, is the only thing that will save us—Israeli, Palestinian, Tutsi, Hutu, Croat, Serb, Muslim, Christian, Jew, Hindu, Buddhist, Kurd, man, woman, and child. Are Palestinians “justified” in nursing their rage at Occupation until it becomes a deadly hatred of Jews? Are Jews “justified” in turning their fear of annihilation and their anger at Arab terrorism into a blind and spiteful Occupation? Where will this get us? Will it bring back the dead on both sides? Will Arab mothers be able to lift their children in their arms in a free society rather than send them to their deaths in order to take down another Jew? Will Jewish mothers be able to put their children on a bus without fear that they will never see them again except, if they are lucky, at the morgue? Will hatred bring about two states in Israel and Palestine? Will it bring justice? Will it bring peace? Will it do anything at all except spill more innocent blood and poison the soul of the hater? To paraphrase a forgotten 1960’s anti-war song: When will we ever learn? When will we ever learn?”

Resgate de valor incalculável

Sepher Yetzirah, “O Livro da Formação”, é um dos principais pilares literários e teológicos da Cabala.. Atribuído pelos sábios judaicos e cabalistas ao Patriarca Abraão, o livro é um tratado de astrologia, astronomia e gematria contido em pouco mais de 35 páginas. Agora, uma das suas mais antigas cópias ainda em existência, datada do século XIV, foi devolvida à comunidades judaica de Viena, depois de ter sido roubado há 65 pelos nazis .

O “Judaismo” de Jorge Sampaio

A edição semanal do Jerusalem Post publicou no passado dia 7 uma entrevista bastante interessante com o nosso Presidente, que parece ter passado completamente despercebida à Imprensa nacional e aos comentadores do costume.
De uma forma muito diplomática – talvez mesmo desconfortável por vezes – Jorge Sampaio assume as suas raízes judaicas e responde a algumas perguntas incómodas do jornalista Michael Freund. Neto de uma judia de origem marroquina, Jorge Sampaio é, para todos os efeitos, e perante a Halakhah (a Lei Judaica), um judeu, ainda que não se reconheça como tal. Desterrado de Portugal, em terras de Los Angeles, foi com algum orgulho, confesso, que li nas páginas do Jerusalem Post a entrevista a Sampaio. Longe de Portugal, é mais fácil para mim distanciar-me das tricas quotidianas da politiquice nacional. Como judeu, só tenho pena que Sampaio não tenha abraçado na totalidade o seu judaísmo, agnóstico ou não.
A entrevista merece ser lida na integra.

Aqui vai:

Nov. 7, 2003

Portugal’s president:
‘I am proud of my Jewish ancestry’

By MICHAEL FREUND

With its marble floors, ornate furniture, and rare artwork, Lisbon’s Belem Palace could easily compete with some of Europe’s finest museums. Although not a cultural institution per se, the palace does serve a central function in the life of Portugal: It is home to the president of the republic, Dr. Jorge Sampaio.
Sampaio has served as president since 1996, having been re-elected to a second five-year term in 2001. Unlike in Israel, the presidency in Portugal is more than just a ceremonial post. He is commander-in-chief of the armed forces, and has the power to dissolve parliament and call for national elections.
Sampaio would have little difficulty being counted for a minyan: His maternal grandmother was from a Moroccan Jewish family. His cousin is president of the Lisbon Jewish community, and Sampaio has several distant relatives living in Israel.
In an interview with The Jerusalem Post, Sampaio discussed the rising tide of European anti-Semitism, Portuguese-Israeli relations, and his Jewish ancestry.


Mr. President, anti-Semitism is on the rise across Europe. Why does much of the continent seem unable to cure itself of this prejudice?

I have constantly denounced all forms of discrimination and xenophobia, be it of religious, ethnic, cultural, sexual, or any other nature. I obviously condemn any form of anti-Semitism…. The resurgence of anti-Semitism in Europe is a fact – although it is not a pattern – and must also be seen in the framework of the resurgence of other forms of xenophobia and racial hatred. These manifestations do exist and we must fight all of them with the same energy, attacking their causes, and prosecuting those that sow hatred and violence.

Anti-Israel and anti-Zionist sentiments in Europe often seem to be a cover for expressing anti-Semitic feelings under the guise of political opposition to Israeli policies. Why is Europe so critical of Israel? Is anti-Semitism a factor?
I believe that we must be careful with our assertions. I am ready to admit that some criticism of Israel might have some anti-Semitic motivations. But I absolutely reject that all criticism of Israeli policies has such motivations. In fact, many people who criticize such policies have the security of Israel and the well-being of the Israeli people at the core of their motivations, I for one. I do believe that Europe’s position has strived to be fair and balanced, even if, sometimes, we have not managed to make our position sufficiently clear.

The Portuguese Embassy in Israel sits in Tel Aviv, even though Jerusalem is Israel’s capital. Why won’t Portugal recognize Israel’s sovereign right to determine its own capital?
I know how important and sensitive this issue is for Israelis and most Jews. You know the historical context of this situation. We are bound in this matter by the collective decisions of the European Union. But I also want to tell you that my sincere wish would be for our embassy to move to Jerusalem as soon as possible, for that would mean that peace would finally be at hand.

Portugal was once home to a thriving Jewish community, which was cruelly persecuted and forced to convert in 1497. Has Portugal come to terms with what was done to the Jewish people on its soil?
We have come to terms with our own history, with its more brilliant and with its more shady aspects. The difference now is that all periods of our history are being studied and that we have today a much better knowledge of them. The ceremonies which took place on the 500th anniversary of the Decree of Expulsion, over which I presided with the then- speaker of the Knesset are proof of all this.

Five centuries ago, the Catholic Church and the Portuguese monarchy confiscated Jewish property, including synagogues and other communal structures. Shouldn’t they be returned to the Jewish people as an act of historical justice?
We cannot rewrite or relive history. We cannot go back centuries. We cannot today, after 500 years, redress a situation in material terms. I think we have redressed it in an historical perspective, and I think that all Portuguese, including Portuguese citizens that are Jewish, feel comfortable about it.

A growing number of Portuguese descendants of Jews who were forcibly converted to Catholicism during the Inquisition have recently begun to return to Judaism. What do you think of this phenomenon?
We are proud of our history and of our humanistic values, of the multicultural fabric of our society. If people adopt or return to Judaism, it is entirely a personal issue that enriches our cultural dynamics.

I understand that you have Jewish ancestry in your family. What is your personal connection to the Jewish people? Do you consider yourself to be a Jew?
My grandmother belonged to a Jewish family that came from Morocco in the beginning of the 19th century. She married a non-Jewish naval officer who later was Foreign Affairs minister. I am naturally very proud of this ancestry and of all those that I call my “favorite Jewish cousins,” one of whom is the president of the Lisbon Jewish Community, as I am proud of the ancestry on my non-Jewish father’s side. Personally, I am agnostic, and I do not consider myself a Jew; but I am proud, as I said, of my ancestors.

Has your Jewish background ever been an issue for you in politics?
The answer is no. Portugal, as I have said, is a democratic lay state. Issues of religion, culture, or race are not and should not be an issue in the political arena.

You visited Israel twice as mayor of Lisbon, but have yet to do so as the president of Portugal. Do you have any plans to visit Israel soon?
I would very much like to visit Israel again. I have very strong and enriching memories of my previous two visits. I follow closely developments in your country and in the region. The present situation saddens me very much indeed. And my sincere hope is that, amid all the present difficulties, Israelis and Palestinians can find a way by which to build peace and to end this tragedy and all the suffering it has entailed for both peoples.

Genealogia Judaica Portuguesa

Nas últimas semanas, recebi no Correio da Judiaria várias mensagens de leitores que indagavam sobre as suas eventuais raízes judaicas. Por vezes os nomes de família e as terras de origem dizem tudo, e basta uma consulta rápida em dois ou três livros de história ou genealogia sefardita para confirmar uma conversão forçada ao catolicismo ou um julgamento perante os tribunais da Inquisição. Outras vezes é preciso trabalhar mais para conseguir desenterrar o que em muitas famílias portuguesas é o mais bem guardado dos segredos. Há uma extensa bibliografia que pode ajudar a traçar esta geografia da identidade pessoal de muitos descendentes de judeus portugueses. Aqui ficam alguns dos livros que considero fundamentais:

“A History of the Marranos”, Cecil Roth
“Sangre Judia”, Pere Bonnin
“Secrecy and Deceit: The Religion of the Crypto-Jews”, David Gitlitz
“Os Marranos em Portugal”, Arnold Diesendruck
“A Origem Judaica dos Brasileiros”, José Geraldo Rodrigues de Alckmin Filho
“Dicionário Sefaradi de Sobrenomes”, Guilherme Faiguenboim, Anna Rosa Campagnano e Paulo Valadares (ver Folha Online – Dicionário viaja ao passado dos sefaradis – 06/01/2004)

A título de referência breve, aqui seguem alguns nomes de família de “cripto-judeus”, prevalentes, mas não de forma exclusiva, nas regiões da Beira-Baixa, Trás-os-Montes e Alentejo*:

Amorim; Azevedo; Alvares; Avelar; Almeida; Barros; Basto; Belmonte; Bravo; Cáceres; Caetano; Campos; Carneiro; Carvalho; Crespo; Cruz; Dias; Duarte; Elias; Estrela; Ferreira; Franco; Gaiola; Gonçalves; Guerreiro; Henriques;Josué; Leão; Lemos; Lobo; Lombroso; Lopes; Lousada; Macias; Machado; Martins; Mascarenhas; Mattos; Meira; Mello e Canto; Mendes da Costa; Miranda; Montesino; Morão; Moreno; Morões; Mota; Moucada; Negro; Nunes; Oliveira; Ozório; Paiva; Pardo; Pilão; Pina; Pinto; Pessoa; Preto; Pizzarro; Ribeiro; Robles; Rodrigues; Rosa; Salvador; Souza; Torres; Vaz; Viana e Vargas.

Nomes de famílias judaicas portuguesas na Diáspora (Holanda, Reino Unido e Américas)**

Abrantes; Aguilar; Andrade; Brandão; Brito; Bueno; Cardoso; Carvalho; Castro; Costa; Coutinho; Dourado; Fonseca; Furtado; Gomes; Gouveia; Granjo; Henriques; Lara; Marques; Melo e Prado; Mesquita; Mendes; Neto; Nunes; Pereira; Pinheiro; Rodrigues; Rosa; Sarmento; Silva; Soares; Teixeira e Teles (entre muitos outros).

Sobrenomes judaicos de origem portuguesa na América Latina***:

Almeida; Avelar; Bravo; Carvajal; Crespo; Duarte; Ferreira; Franco; Gato; Gonçalves; Guerreiro; Léon; Leão; Lopes; Leiria; Lobo; Lousada; Machorro; Martins; Montesino; Moreno; Mota; Macias; Miranda; Oliveira; Osório; Pardo; Pina; Pinto; Pimentel; Pizzarro; Querido; Rei; Ribeiro; Robles; Salvador; Solva; Torres e Viana

*in “Os Marranos em Portugal”, Arnold Diensendruck
** in “Raízes Judaicas no Brasil”, Flávio Mendes de Carvalho
*** in “Os Nomes de Família dos Judeus Creolos”, estudo de Arturo Rab, publicado na revista “Juedische Familien Forschung”, Berlim, 1933

::ADENDA:: Nomes de família citados com maior frequência nos documentos da Inquisição, relativos a “relapsos” condenados pelo “crime de judaísmo”:

Rodrigues_________453 pessoas
Nunes____________229 pessoas
Mendes___________224 pessoas
Lopes____________282 pessoas
Miranda__________190 pessoas
Gomes___________184 pessoas
Henriques_________174 pessoas
Costa____________138 pessoas
Fernandes_________132 pessoas
Pereira___________124 pessoas
Dias_____________124 pessoas

Segue uma listagem (reduzida) de nomes de familias judias e cripto-judias retirada do Dicionário Sefaradi de Sobrenomes:

A

Abreu Abrunhosa Affonseca Affonso Aguiar Ayres Alam Alberto Albuquerque Alfaro Almeida Alonso Alvade Alvarado Alvarenga Álvares/Alvarez Alvelos Alveres Alves Alvim Alvorada Alvres Amado Amaral Andrada Andrade Anta Antonio Antunes Araujo Arrabaca Arroyo Arroja Aspalhão Assumção Athayde Avila Avis Azeda Azeitado Azeredo Azevedo

B

Bacelar Balao Balboa Balieyro Baltiero Bandes Baptista Barata Barbalha Barboza /Barbosa Bareda Barrajas Barreira Baretta Baretto Barros Bastos Bautista Beirao Belinque Belmonte Bello Bentes Bernal Bernardes Bezzera Bicudo Bispo Bivar Boccoro Boned Bonsucesso Borges Borralho Botelho Braganca Brandao Bravo Brites Brito Brum Bueno Bulhao

C

Cabaco Cabral Cabreira Caceres Caetano Calassa Caldas Caldeira Caldeyrao Callado Camacho Camara Camejo Caminha Campo Campos Candeas Capote Carceres Cardozo/Cardoso Carlos Carneiro Carranca Carnide Carreira Carrilho Carrollo Carvalho Casado Casqueiro Casseres Castenheda Castanho Castelo Castelo branco Castelhano Castilho Castro Cazado Cazales Ceya Cespedes Chacla Chacon Chaves Chito Cid Cobilhos Coche Coelho Collaco Contreiras Cordeiro Corgenaga Coronel Correa Cortez Corujo Costa Coutinho Couto Covilha Crasto Cruz Cunha

D

Damas Daniel Datto Delgado Devet Diamante Dias Diniz Dionisio Dique Doria Dorta Dourado Drago Duarte Duraes

E

Eliate Escobar Espadilha Espinhosa Espinoza Esteves Évora

F

Faisca Falcao Faria Farinha Faro Farto Fatexa Febos Feijao Feijo Fernandes Ferrao Ferraz Ferreira Ferro Fialho Fidalgo Figueira Figueiredo Figueiro Figueiroa Flores Fogaca Fonseca Fontes Forro Fraga Fragozo Franca Frances Francisco Franco Freire Freitas Froes/Frois Furtado

G

Gabriel Gago Galante Galego Galeno Gallo Galvao Gama Gamboa Gancoso Ganso Garcia Gasto Gavilao Gil Godinho Godins Goes Gomes Goncalves Gouvea Gracia Gradis Gramacho Guadalupe Guedes Gueybara Gueiros Guerra Guerreiro Gusmao Guterres

H/I

Henriques Homem Idanha Iscol Isidro Jordao Jorge Jubim Juliao

L

Lafaia Lago Laguna Lamy Lara Lassa Leal Leao Ledesma Leitao Leite Lemos Lima Liz Lobo Lopes Loucao Loureiro Lourenco Louzada Lucena Luiz Luna Luzarte

M

Macedo Machado Machuca Madeira Madureira Magalhaes Maia Maioral Maj Maldonado Malheiro Manem Manganes Manhanas Manoel Manzona Marcal Marques Martins Mascarenhas Mattos Matoso Medalha Medeiros Medina Melao Mello Mendanha Mendes Mendonca Menezes Mesquita Mezas Milao Miles Miranda Moeda Mogadouro Mogo Molina Monforte Monguinho Moniz Monsanto Montearroyo Monteiro Montes Montezinhos Moraes Morales Morao Morato Moreas Moreira Moreno Motta Moura Mouzinho Munhoz

N

Nabo Nagera Navarro Negrão Neves Nicolao Nobre Nogueira Noronha Novaes Nunes

O

Oliva Olivares Oliveira Oróbio

P

Pacham/Pachão/Paixao Pacheco Paes Paiva Palancho Palhano Pantoja Pardo Paredes Parra Páscoa Passos Paz Pedrozo Pegado Peinado Penalvo Penha Penso Penteado Peralta Perdigão Pereira Peres Pessoa Pestana Picanço Pilar Pimentel Pina Pineda Pinhão Pinheiro Pinto Pires Pisco Pissarro Piteyra Pizarro Pombeiro Ponte Porto Pouzado Prado Preto Proenca

Q

Quadros Quaresma Queiroz Quental

R

Rabelo Rabocha Raphael Ramalho Ramires Ramos Rangel Raposo Rasquete Rebello Rego Reis Rezende Ribeiro Rios Robles Rocha Rodriguez Roldão Romão Romeiro Rosário Rosa Rosas Rozado Ruivo Ruiz

S

Sa Salvador Samora Sampaio Samuda Sanches Sandoval Santarem Santiago Santos Saraiva Sarilho Saro Sarzedas Seixas Sena Semedo Sequeira Seralvo Serpa Serqueira Serra Serrano Serrao Serveira Silva Silveira Simao Simoes Soares Siqueira Sodenha Sodre Soeyro Sueyro Soeiro Sola Solis Sondo Soutto Souza

T/U

Tagarro Tareu Tavares Taveira Teixeira Telles Thomas Toloza Torres Torrones Tota Tourinho Tovar Trigillos Trigueiros Tridade Uchôa

V/X/Z

Valladolid Vale Valle Valenca Valente Vareda Vargas Vasconcellos Vasques Vaz Veiga Veyga Velasco Velez Vellez Velho Veloso Vergueiro Viana Vicente Viegas Vieyra Viera Vigo Vilhalva Vilhegas Vilhena Villa Villalao Villa-Lobos Villanova Villar Villa Real Villella Vilela Vizeu Xavier Ximinez Zuriaga

…On a Lighter Note

Alguém escreveu um dia que a “reality TV” é como um desastre de automóvel: quem passa perto dela, por muito que fique repugnado, não consegue deixar de olhar. Assim aconteceu comigo ontem à noite, quando dei por mim a não conseguir desviar os olhos da mais recente aventura da FOX americana – responsável, entre outros, pelos eternos Simpsons – pelos meandros da “reality TV”. O programa chama-se “The Simple Life” e mostra as desventuras de duas meninas ricas – Paris Hilton, herdeira da família hoteleira homónima, e Nicole Richie, filha do cantor Lionel –, que durante um mês trocam a Rodeo Drive de Beverly Hills por uma quinta no Arkansas rural. Ao contrário dos programas congéneres, aqui o dinheiro não funciona como atractivo aos concorrentes. Só a sede da fama.
A julgar pela apetência das tevês nacionais para importarem estes “modelos de sucesso” internacionais, não deve faltar muito para que os portugueses possam ver Lili Caneças – ou outra qualquer das “nossas” colunáveis – a passar um mês a trabalhar num monte alentejano… a ordenhar vacas, limpar estrumeiras, acartar com carrinhos de mãos cheios de comida para as galinhas…