Em Memória de Sophia (1919-2004)

Poesia

Se todo o ser ao vento abandonamos
E sem medo nem dó nos destruímos,
Se morremos em tudo o que sentimos
E podemos cantar, é porque estamos
Nus em sangue, embalando a própria dor
Em frente às madrugadas do amor.
Quando a manhã brilhar refloriremos
E a alma possuirá esse esplendor
Prometido nas formas que perdemos.

Aqui, deposta enfim a minha imagem,
Tudo o que é jogo e tudo o que é passagem.
No interior das coisas canto nua.

Aqui livre sou eu — eco da lua
E dos jardins, os gestos recebidos
E o tumulto dos gestos pressentidos
Aqui sou eu em tudo quanto amei.

Não pelo meu ser que só atravessei,
Não pelo meu rumor que só perdi,
Não pelos incertos actos que vivi,

Mas por tudo de quanto ressoei
E em cujo amor de amor me eternizei.

Exílio

Quando a pátria que temos não a temos
Perdida por silêncio e por renúncia
Até a voz do mar se torna exílio
E a luz que nos rodeia é como grades

Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004)

Quando eu morrer voltarei para buscar
os instantes que não vivi junto do mar

Theodor Herzl – תיאודור הרצל

(2 de Maio de 1860 – 3 de Julho de 1904)

::A LER:: Theodor Herzl – Wikipedia / Theodor Herzl – Jewish Virtual Library / Theodor Herzl, The Jewish State, 1896 (edição integral do livro on-line) / E-Notes: Theodor Herzl: An Appreciation – FPRI / Centenary of the Death of Theodor Herzl / Theodor Herzl Books and Articles – Questia Online Library / Resources and Articles by Theodor Herzl / The Dreyfus Affair, and The Rise of Political Zionism / Beyond the Pale: The Dreyfus Affair / Alfred Dreyfus and “The Affair” – Jewish Virtual Library / “The Dreyfus Affair” / J’Accuse…! – Émile Zola / J’Accuse…! (versão inglesa anotada) / “J’ACCUSE …!” EMILE ZOLA, ALFRED DREYFUS, AND THE GREATEST NEWSPAPER ARTICLE IN HISTORY / 1893-1895 – Rui Barbosa e Dreyfus / HISTÓRIA – O Caso Dreyfus – Os Intelectuais e os Direitos do Homem / Crónicas – O centenário do ‘Caso-Dreifus – José Silveira / Haaretz – Was Herzl mistaken?

Não como um Cipreste

Não como um cipreste,
não todos ao mesmo tempo, não todo de mim,
mas como a erva, em milhares de cautelosos fios verdes,
escondidos como muitas crianças
enquanto outra as procura.

E não como o homem só,
como Saul, que a multidão encontrou
e fez rei.

Mas como a chuva em muitos lugares,
de muitas nuvens, para ser absorvida, para ser bebida
por muitas bocas, para ser respirada
como o ar de todo o ano
e espalhada como rebentos de primavera.

Não a campainha aguda que acorda
o médico guardando o paciente,
mas o toque leve, em muitas pequenas janelas,
com o bater de muitos corações.

E depois da suave saída, como fumo
sem o som estridente do shofar, um estadista demite-se,
crianças cansam-se de brincar,
uma pedra pára de rolar
numa inclinada colina, no lugar
onde começa a planície das grande renúncias,
de onde, como orações respondidas,
se levanta poeira numa miríade de grãos.

Yehuda Amichai (1924-2000), poeta israelita.

Exílios

A tua imagem está gravada no meu coração e é no meu coração que está também traçado o teu afastamento.
E mais do que ela me reanima, a tua imagem ausente aflige-me.
A tua separação confunde os meus projectos; o teu exílio impede e torna tortuosos os meus caminhos.
É por tua causa que a minha alma foi abatida e o meu orgulho foi humilhado.
A ponto que os sicômoros se levantam acima do meu cipreste e que o arbusto do hisope pareça mais alto que os meus cedros;
Que o morcego ultrapasse o meu abutre e que a mosca voe por cima das asas da minha águia; (…)

Judá Abravanel, conhecido como Leão Hebreu (1465-1535), médico, filósofo e poeta, judeu português nascido em Lisboa, filho de D. Isaac Abravanel.

[fragmento de um poema escrito em Itália, em 1503, dedicado ao filho do autor, Isaac, de 12 anos, que ficara em Lisboa e fora convertido à força ao catolicismo. Escrito originalmente em hebraico, a tradução para o português é citada por Fiama Hasse Pais Brandão num artigo do Jornal de Letras de 26 de Maio de 1981. Uma tradução em inglês do poema completo pode ser encontrada aqui.]

“Goedemorgen Poortugaal!”

Vasculhava eu numa tradução inglesa de um manuscrito setecentista holandês sobre a comunidade de judeus portugueses na Holanda quando deparei com o inusitado nome de uma cidade – Poortugaal. Assim mesmo, com dois “ós” e dois “às”. No manuscrito apenas se fazia uma referência de raspão a Poortugaal, sem mais explicações. Uma pequena cidade próxima de Roterdão. Seria a semelhança do nome apenas uma coincidência? Liguei o computador, abri o browser no inestimável Google e fiz uma busca: Search: Poortugaal. A minha manifesta incapacidade de ler holandês não ajudou muito, mas mesmo assim consegui encontrar um interessante mapa de Poortugaal e a página na net do clube de futebol local, o PSV Poortugaal.
As maiores pistas para a possível cumplicidade, encontrei-as em duas páginas de heráldica: Bandeira de Poortugaal e Nederlandse Gemeentewapens – Poortugaal, onde se fazem excelentes comparações entre as bandeiras e brasões de Portugal e Poortugaal. Apesar das evidências aparentes apontarem para uma relação íntima entre o nosso país e a pequena cidade holandesa, o mistério permanece. Será que os meus amigos fluentes em holandês (estou a lembrar-me de Luís Carmelo) podem fornecer mais pistas?

Feliz Carnaval!

Festival de Purim: O Carnaval Judaico

O Carnaval, tal como hoje é festejado, tem um parente muito chegado no festival judaico de Purim, uma celebração exuberante feita de máscaras (fantasias), banquetes e muita, muita bebida. Os rabinos no Talmude aconselham – exortam até – a embriaguez no Purim: neste dia deve beber-se até não ser possível distinguir o vilão do herói, até que tudo pareça harmonia e paz. Este ano, o festival de Purim é celebrado daqui a menos de duas semanas, no próximo dia 7 de Março, por coincidência o mesmo dia referido neste cartaz do Jewish National Fund, anunciando o “Baile de Carnaval” da festa de Purim para 7 de Março de 1939.

Morrer em Diferido

Ninguém escreveu sobre os seus sorrisos. Ninguém lhes apontou as qualidades ou os defeitos. Não se reclamou contra a mediatização das suas mortes. Faltaram as câmaras em directo. Vítimas da banalização do sofrimento, no país que chorou Miklós Fehér, os dez mortos de Jerusalém recebem um encolher de ombros, como se o destino de morrer no autocarro 19, ontem antes das nove da manhã, na esquina das ruas Gaza e Arlozorov, lhes tivesse sido ditado justamente. Como se o ódio podesse alguma vez ser razão alguma. Como se a causa justa de um povo se podesse construir com alicerces assentes em eviscerados corpos inocentes.

Kadish
Avraham (Albert) Balhasan, 28 anos; Rose Boneh, 39; Chana Bunder, 38; Anat Darom, 23; Octavian Floresco, 42; Natalia Gamril, 53; Baruch Hondiashvili, 38; Dana Itach, 24; Eli Zfira, 48; e Yehezkel Goldberg, 41.

Para que a memória não apague estas imagens.

NOTA: o vídeo a que este link se refere (gravado momentos após o atentado) contém imagens verdadeiramente chocantes, não aconselháveis a pessoas mais sensíveis.

Três Meses da Judiaria

Faz hoje precisamente 3 meses que a Rua da Judiaria nasceu na blogosfera. O parto de 27 de Outubro de 2003 foi complicado, confesso; era o resultado de meses de gestação e contemplações, decisões e rescisões, avanços e recuos. As minhas dúvidas iniciais eram básicas: Que poderia eu fazer com um blog? Que ganhariam os outros em ler as minhas prosas? A tudo isto se juntava uma natural desconfiança do próprio “meio blogosférico” que, admito, conhecia apenas de raspão. O preconceito tinha muito a ver com a minha formação de jornalista feito na tarimba pura e dura das redacções. Mas, aos poucos, a rigidez dogmática foi cedendo. Aprendi que os blogs podem ser muito mais que meros diários íntimos, simples listagens cronológicas de iras quotidianas ou repositórios de acusações aleatórias.
O processo que acabaria por gerar a Rua da Judiaria foi feito aos poucos, ao longo de meses, com etapas sucessivas que acabariam por alterar por completo a minha mal formada opinião inicial. A culpa aqui foi das leituras regulares de blogs notáveis que fizeram cair as minhas “defesas”. Descobertos clique após clique, os mestres desta minha conversão redentora à blogosfera foram o Aviz, o Miniscente, o Abrupto, o BdE – Blogue de Esquerda (ainda na sua anterior encarnação), o Almocreve das Petas, o Barnabé… a lista poderia prosseguir, encadeada com todas as suas inconsistências e contradições aparentes.
Hoje, precisamente 90 dias depois de ter começado, a Rua da Judiaria teve já mais de 14 mil visitas – gente que aqui chega vinda de todo o mundo: de Portugal ao Brasil, da Escandinávia à Nova Zelândia, do Canadá a Timor Leste. Gente que lê e escreve emails e comenta e pede ajuda e procura raízes.
Continuo sem saber se estou à altura desta tarefa. Se serei capaz de ajudar a derrubar preconceitos estupidificantes. De desenterrar memórias do nosso património colectivo, apagadas da nossa História oficial há cinco séculos.
Neste modesto balanço não posso deixar passar em claro um agradecimento profundo, não só aqueles que por aqui vão passado, mas também aos blogs que têm citado e elogiado a Rua da Judiaria. Obrigado.

Um Adeus a José Dias Bravo

Soube ontem, por mero acaso, da morte de José Dias Bravo, faz agora dois meses. Não tenho jeito nenhum para necrologias, confesso, mas senti que tinha de escrever pelo menos umas breves linhas.
Jurista, Conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça, Vice-Procurador Geral da República e presidente da Aliança Evangélica, Dias Bravo foi uma figura fundamental para a definição do protestantismo português do século XX. Perseguido pela PIDE desde os 16 anos por distribuir Bíblias e folhetos religiosos não católicos, lutou desde cedo contra a hegemonia religiosa nacional e a intolerância por outras igrejas e religiões, características que durante séculos marcaram o nosso país. A sua biografia oficial, no site da AE, conta que aos 12 anos foi expulso inúmeras vezes das aulas de Religião e Moral, por desafiar abertamente o padre-professor, citando escrituras e contrapondo as doutrinas que devia aprender. Como magistrado e presidente da Aliança Evangélica, anos mais tarde, seria um dos responsáveis pela gradual mudança da imagem das igrejas protestantes em Portugal.
Pessoalmente, conheci-o em 1994, na Procuradoria, andava eu, jornalista novato, a tentar especializar-me a escrever sobre religião. Na altura, procurei os comentários e conselhos de Dias Bravo para várias peças e reportagens. Na sua bondade natural e infinita paciência, esteve sempre disponível. Pelo meio foi-me contando histórias do seu protestantismo, da sua fé.
Nos últimos anos da sua vida, já reformado, Dias Bravo dedicou-se a viajar pelo mundo, conheceu os meus tios numa visita a Israel e ficou amigo da família. Com ele aprendi os pontos de contacto existentes entre as experiências dos protestantes e dos judeus portugueses. Ensinou-me também que os preconceitos, fobias e ódios dos outros podem ser gradualmente vencidos, nunca na mesma moeda, mas através do exemplo de homens como ele. José Dias Bravo foi verdadeiramente um hasidei umot ha’olam.

Os Nomes das Coisas,

… ou o Regresso à Rua da Judiaria

“Mais importante do que todas as riquezas é a escolha de um nome”
Provérbios (Kethuvim Mishlei) 22:1

A Rua da Judiaria existia há muito na minha geografia de afectos. Muito antes do blog. Muito antes de se sonhar que blogs um dia existiriam. Por coincidência, ou partida pregada pelo destino, a rua da minha infância chamava-se Judiaria – uma pequena e quase escondida rua de Almada, atrás da velha loja Singer e a dois passos do antigo edifício da Câmara e da Sociedade Recreativa Incrível Almadense. No terceiro andar esquerdo do número 24 da Rua da Judiaria aprendi a falar e a andar. Da mesma varanda onde se via uma nesga do Tejo e de Lisboa, olhei eu horas a fio para o jardim da casa da Janeca, o meu primeiro amor. Uma paixão impossível. Ela tinha 11 anos, eu apenas 5.
A minha Judiaria era também um palco de personagens – havia a Dona Delfina, uma rechonchuda senhora que fazia da sua janela um posto de vigia constante; a Carmen, a dona da taberna da esquina, uma trintona, galega e ruiva, que vivia sozinha e punha qualquer bêbado na ordem só com um olhar enviesado; o senhor Arnaldo, o latagão dono do ferro velho, que nós penalizávamos com boladas constantes na montra.
Foi na Rua da Judiaria que conheci Luís de Sttau Monteiro, em casa da Dona Isaura – uma doce velhinha de cabelos imaculados a quem Sttau chamava “mãe”, não porque ela o fosse mas porque assim se transformara quando visitou nas cadeias da ditadura o seu filho verdadeiro, companheiro de cela e de estrada de Sttau – ambos amigos do meu avô Emídio. A Dona Isaura, amiga inseparável da minha avó Maria da Luz, dava-me bolos e chocolates. Sttau alimentou-me com livros uma mão cheia de vezes, numa altura em que a minha insaciável curiosidade adolescente devorava tudo o que apanhasse. “Toma lá puto”, dizia ele de mão estendida.
Relembro agora tudo isto porque me escreveu a Renata, do blog Conversa na Travessa, contando que morara na mesma Rua da Judiaria onde eu crescera. Fomos vizinhos na infância. Agora, vizinhos voltamos a ser na blogosfera. Obrigado Renata por teres escrito!
Depois de muitos anos de ausência, voltei a passar pela Rua da Judiaria em Dezembro de 1998, da última vez que estive em Portugal. As imagens de infância que guardara durante tantos anos desmoronaram aos poucos, quase ao ritmo de cada passo. Lembrava-a como uma quase-avenida, uma rua imensa onde cabia um estádio de futebol onde joguei todos os dias, por entre carros e latões de lixo. Mas não, a Rua da Judiaria sempre foi bem pequena, engrandecida apenas pelos meus olhos de criança.
O senhor Arnaldo do ferro-velho morrera anos antes, contaram-me. Nunca soube se me perdoou o vidro partido da montra, produto de um chuto certeiro que zumbiu sobre a baliza feita de duas pedras da calçada. Também nunca mais soube da Janeca. A casa dela é hoje um restaurante, o Celeiro da Judiaria. Jantei lá na noite de Dezembro em que voltei à Judiaria da minha infância. Aquela que já não existe a não ser na minha memória.
Por tudo isto, o nome deste blog era inevitável. A intersecção perfeita entre a memória, a coincidência e o destino.

A Eternidade de Fernando Assis Pacheco no Aniversário da Sua Morte

Estava em Londres a 30 de Novembro de 1995. Liguei para a redacção a avisar que a prosa da semana ia já a caminho. Foi então que me deram a notícia: Fernando Assis Pacheco tinha morrido. Mudara-me para Londres meses antes e ainda sentia na pele o peso da distância de Lisboa. A notícia da morte de Assis Pacheco deixou-me ainda mais só. Já lá vão oito anos.
“Estas efemérides são muito chatas porque, não tendo nós o dom da ressurreição, caímos não obstante num discurso tão próximo do evangélico que soa a falso.” – escreveu Assis sobre o aniversário da morte de Zeca Afonso no Jornal de Letras a 25 de Fevereiro de 1992. Agora, perante a possibilidade de fazer o mesmo, não lhe podia dar mais razão.
Conheci-o na redacção d’O Jornal no início da década de 90. Eu um novato. Ele um jornalista lendário. Tive a sorte de crescer no jornalismo com ele ao lado. E de lhe ouvir as histórias que contava ao fim do dia no seu pequeno cubículo da redacção na Avenida da Liberdade.
É quase irónico estar agora a escrever sobre ele, aqui do outro lado do mundo, num computador. Assis nunca usou o computador. Escrevia as melhores prosas de cada edição numa máquina de escrever manual, que acariciava com a mão esquerda enquanto o indicador direito matraqueava letra a letra.
Os antigos sábios judaicos escreveram no Talmude e no Zohar que quando morre um homem singular, a data da sua morte abre ciclicamente um alçapão cósmico que nos permite aspirar a imitar as suas qualidades. E o Assis tinha muito que imitar.
Fernando Assis Pacheco morreu como gostariam de morrer muitos escritores: numa livraria. Na Bucholz, em Lisboa. Já lá vão oito anos.

Fernando Assis Pacheco
Fernando Assis Pacheco (1937-1995)

COMO UM RELÂMPAGO VERDE

Nesse ano e mês chamaram de Lisboa
era o pai de meu pai
morrendo velozmente ao telefone
eu ouvia os gritos baterem
nas portas da cristaleira
quis chamar Deus para convencê-lo
a suspender o voo
mas já ia longe para lá de Alfeizerão (1)
espero agora que a monotonia e a chuva
tornem à minha vida
um pouco é de supor mais intrigante

(1) à velocidade soube depois
de 1.500 Mach
como um relâmpago verde

Fernando Assis Pacheco, Variações em Sousa

Notas de início de semana

A primavera quase eterna de Los Angeles prossegue inalterada. O sol inunda as paredes de domingo e um imenso céu azul estende-se pelo horizonte. Visto daqui, o mundo parece doce. Quase bucólico.

Raivinhas de estimação (I)
A expressão ”tradição judaico-cristã” e as tentativas de a referenciar no Tratado Constitucional Europeu: Ao pretender amalgamar duas mundividências radicalmente distintas, esta expressão tenta juntar o incompatível. Não existe nenhuma “tradição judaico-cristã”! Paulo de Tarso deixou isso bem claro quando transformou em religião distinta o que então era uma seita judaica. O mito da “tradição judaico-cristã” nasceu no seio do protestantismo liberal americano do século XIX e nada tem a ver com valores ou tradições europeias.

a) Sobre este mito escreveu o conceituado historiador e rabino Jacob Neusner: “A tradição judaico-cristã é algo que não existe, quer de um ponto de vista histórico ou mesmo teológico. Não é mais do um mito secular.”

b) Joshua Jehouda, refuta ainda mais: A expressão judaico-cristão é um erro que tem alterado a história universal pela confusão que lançou na mente dos homens, se por ela se faz crer na origem Judaica do Cristianismo(…). O termo ‘judaico-cristão’ é baseado numa ‘contradictio in abjecto’ que tem levado os caminhos da história pelo lado errado. Liga num fôlego duas ideias que são completamente irreconciliáveis, procura demonstrar que não existe diferença entre dia e noite, entre quente e frio ou preto e branco, introduzindo assim um elemento fatal de confusão numa base sobre a qual, mesmo assim, alguns se lançam a construir uma civilização.”
(l’Antisemitisme Miroir du Monde pp. 135-6)

Sinais exteriores de Judaísmo
O crescendo de antisemitismo em França leva o rabino chefe da comunidade de Paris a desaconselhar o uso de kippot nas ruas. Onde está afinal a tradição judaico-cristã quando é precisa?

…On a Lighter Note

Alguém escreveu um dia que a “reality TV” é como um desastre de automóvel: quem passa perto dela, por muito que fique repugnado, não consegue deixar de olhar. Assim aconteceu comigo ontem à noite, quando dei por mim a não conseguir desviar os olhos da mais recente aventura da FOX americana – responsável, entre outros, pelos eternos Simpsons – pelos meandros da “reality TV”. O programa chama-se “The Simple Life” e mostra as desventuras de duas meninas ricas – Paris Hilton, herdeira da família hoteleira homónima, e Nicole Richie, filha do cantor Lionel –, que durante um mês trocam a Rodeo Drive de Beverly Hills por uma quinta no Arkansas rural. Ao contrário dos programas congéneres, aqui o dinheiro não funciona como atractivo aos concorrentes. Só a sede da fama.
A julgar pela apetência das tevês nacionais para importarem estes “modelos de sucesso” internacionais, não deve faltar muito para que os portugueses possam ver Lili Caneças – ou outra qualquer das “nossas” colunáveis – a passar um mês a trabalhar num monte alentejano… a ordenhar vacas, limpar estrumeiras, acartar com carrinhos de mãos cheios de comida para as galinhas…