“Expressões e palavras a abandonar”

Foi com uma série de posts com este título, no seu brilhante Bomba Inteligente, que a Charlotte lançou um repto que pegou como fogo na pradaria pela blogolândia.
O desafio de limpar a língua corrente de detritos foi aceite, complementado e comentado nos blogs The World as We Know It, Azul Limão, à Deriva, My Moleskine, Ad Libitum, O Acidental, What do you represent, Mar Salgado, No Quinto dos Impérios, Homem a Dias, Contra a Corrente, Mood Swing e Miniscente.
Antes de prosseguir, convém aqui confessar que nunca me chocaram utilizações inventivas da língua de Luís de Camões, João Ubaldo Ribeiro e da mãe de John dos Passos. Choca-me muito mais o atavismo luso, que leva muitos a recusarem ler livros em excelentes edições brasileiras, só porque nelas se troca “acto” por “ato” e “facto” por “fato”. Já li críticos conceituados, de diários lisboetas de referência, a menosprezarem “brasileirismos” em livros… impressos no Brasil. Pois. Mas essa é matéria para outros posts – quem quiser ler mais sobre o tema, pode visitar o Aviz, onde Francisco José Viegas escreveu já extensamente sobre o assunto.
Regressando às palavras e expressões que a nossa Charlotte gostaria de ver abandonadas, tendo a concordar com a maioria delas. De todas as entradas sugeridas pelos bloguistas, foi a do Rodrigo Moita de Deus, no seu Segundo Sentido, que mais me deixou a pensar. Escreve ele:

“Oiço alguém falar. Eu queria, eu gostava, eu tenho, eu faço, eu aconteço eu, eu, eu, eu… e que tal abolir também o excessivo culto de personalidade?”

Concordo com o Rodrigo, não pela linguística estrita, mas pelo aspecto ético. A minha proposta de adenda para erradicação vocabular entra também por este caminho. Mas mais do que o auto-engrandecimento contido nestas expressões, proponho que se abandone o maior exemplo de lambe-botismo entranhado na alma lusitana: o “senhor(a) doutor(a) lançado de rajada a toda a gente que tenha completado um ano na universidade.
Este senhor doutor é um exemplo ainda vivo de provincianismo novecentista queiroziano, cultivado até à exaustão pelos meus camaradas dos media, para quem qualquer político é senhor doutor.
Na Europa não me lembro de equivalentes (talvez à excepção da Itália). No resto do mundo apenas existe o culto do título académico na América Latina, e mesmo assim no Brasil a culpa é toda nossa, por via da herança colonial. No México, na Bolívia e no Peru, por exemplo, os presidentes, senadores e deputados são tratados por “licenciados”, uma expressão igualmente pomposa, mas pelo menos mais verdadeira.
Aqui estou completamente de acordo com os anglo-saxónicos: doutor só o médico, e mesmo assim em moderação (apenas no consultório). Os americanos abrem também uma excepção para os teólogos. Na América, os reverendos pastores são também doutores. Mas os encómios honoríficos ficam-se por ai. Senhor e senhora chegam-lhes perfeitamente. E para nós, portugueses, deveriam chegar também.
Em contrapartida, Portugal é o único país onde “engenheiro” e “arquitecto” são títulos passíveis de utilização em conversas normais para apresentar alguém: “Este é o senhor engenheiro. Senhor engenheiro, apresento-lhe o senhor arquitecto.” Lindo.
Que se abandone o senhor doutor, o senhor engenheiro e o senhor arquitecto. Mas especialmente o senhor doutor. Digo eu.
Fica já aqui uma promessa: o primeiro que me chame senhor doutor – e o disser assim, sem ironia, mesmo depois do doutoramento –, parafraseando um escritor brasileiro de quem muito gosto, “cascudo nele”!

Viagens na Blogolândia I

Ainda a recompor-me lentamente da ausência blogosférica, tento recuperar o tempo perdido, por entre pilhas de trabalho acumulado, toneladas de bytes de e-mail a responder e blogs a seguir. Mais uma vez, gostaria de agradecer a todos os que comentaram, citaram e felicitaram o meu casamento. Estou a tentar por a correspondência em dia e conto responder individualmente a todas as mensagens recebidas. Só espero que os destinatários me perdoem o atraso.
Para já, aqui ficam umas pequenas notas blogosféricas.

O Acidental – O Paulo Pinto Mascarenhas converteu-se à blogolândia! Durante anos falámos quase diariamente ao telefone, quando o Paulo era editor do Internacional d’ O Independente e eu o correspondente do jornal nos EUA…. apesar das divergências políticas, o Paulo e eu construímos ao longo dos anos uma excelente amizade da qual me ficaram saudades quando deixei o Indy, em 2001. Gostei de voltar a lê-lo. Um grande abraço para ti, camarada Paulo. (Sim, confesso, o “camarada” é para te lembrar the good old days.)

Aviz – O Francisco José Viegas já se mudou para o Brasil. O Mestre manda agora prosa tropical, da Bahia. A mudança de ares já se vai reflectindo nos posts. Portugal ficou mais vazio, ganhando em contrapartida outro “estrangeirado”. Um imenso abraço Francisco e desejos das maiores felicidades.

Pintura Portuguesa – Um blog magnífico, recém-criado pelo autor do Abre-latas. A página demora uma eternidade a abrir (as imagens conseguem ser “pesadas”), mas vale bem a pena esperar.

25 de Abril – O Coice que Abril Deu – Outro blog recém-nascido, desta vez criado pelo incansável autor do indispensável Jumento. De visita diária obrigatória. A bem da (R)evolução.

Povo de Bahá – Um blog bem escrito e muito interessante que já há algum tempo colocara na minha lista de links à esquerda. Nele descobri uma preciosa referência ao Ocean – World Religions Free Research Library, um projecto educacional da Fé Baha’i, com mais de um milhar de livros digitais (35 dos quais em Português), relativos a 10 religiões mundiais, entre elas o judaísmo. Interessante.

Parabéns! – Finalmente, e com um atraso significativo, não podia deixar de mencionar os aniversários blogosféricos de duas das mais inspiradoras bloguistas portuguesas: a Ana Albergaria, autora do Crónicas Matinais, e a Carla Hilário de Almeida Quevedo, dona da Bomba Inteligente. Obrigado a ambas pelas leituras diárias. Parabéns!

Citações & Recortes Blogosféricos IV

“SOBRE A GUERRA. Ahmed Yassin, que a imprensa trata como «líder espiritual», defendia explicitamente o ataque a civis, e foi citado várias vezes como tendo ordenado pessoalmente ataques suicidas (abençoando os seus autores) e não suicidas (valorizando o número de vítimas causadas pelas Izz al-Din al-Qassim ou por qualquer outro grupo armado). Defendeu várias vezes esse direito divino a atacar civis e, portanto, raramente condenou as explosões. Era também um adversário da Autoridade Palestiniana e ordenou ataques à polícia da AP, bem como fuzilamentos sumários de civis palestinianos, apedrejamentos (sobretudo de mulheres e de homossexuais) e a formação de campos militares para treinar crianças, em ligação à Jihad. Tal como outros xeiques das mesquitas de Gaza, pensava que matar judeus estava ordenado no Corão (é uma das passagens menos discutidas do texto); tal como o Grande Muftí de Jerusalém, afirmava que em nenhuma parte o Corão condenava os ataques suicidas ou o uso de crianças para transportar explosivos. Yassin fazia parte da guerra e era um soldado que nunca o escondeu — nem nas suas alianças nem no apelo que já tinha feito (leia-se o site do Hamas sobre a jihad global). Estava na guerra e era tratado como um general dessa guerra que, para ele, era santa e religiosa. Este é um ponto.

O segundo ponto é que, independentemente de todas as razões, o ataque a Yassin não deixa de ser uma falta estratégica e, claramente, aos olhos do Ocidente, uma baixa moral importante. Internamente, significa que Ariel Sharon aceita o apoio e a base eleitoral dos partidos haredim e de extrema-direita (que tinham defendido a eliminação de Yassin), em «compensação» pela saída de Gaza e por um compromisso sobre os territórios da Judeia e da Samaria; externamente, é um golpe que não deixará de ser condenado (embora ninguém chore uma lágrima por Yassin) e que aumentará a campanha anti-Israel numa parte da opinião pública. Não há aqui juízos sobre equivalência moral; o Hamas acabou de ganhar um mártir poderoso. A guerra vai continuar a ser devastadora. Não se sabe com que efeitos.

O terceiro ponto é sobre a natureza da compaixão. Yassin é retratado como um «velho numa cadeira de rodas». Está numa cadeira de rodas desde os 12 anos e isso nunca o impediu de ter ordenado atentados, de ter declarado esses ataques uma «obrigação religiosa» e de dizer que o dia mais feliz da sua vida seria aquele em que morresse como mártir suicida (shahid). Infelizmente, fizeram-lhe a vontade. Mas prevejo que aqueles que agora aparecerão a lamentar a morte de Yassin se calaram nos minutos a seguir aos atentados que ele ordenou. Mas, como já disse, não há aqui juízos sobre equivalência moral.”

Análise imensamente lúcida de Francisco José Viegas, no Aviz.

Adenda: Ainda sobre a morte de Ahmed Yassin, a não perder é também os posts “Esquerda – a separação das águas”, de João Pedro Henriques, “Basta ya, Yassin”, de Alberto Gonçalves no Homem a Dias, e Estranhas elegias, de Luís Carmelo no Miniscente.

Atrasos imperdoáveis…

Como mais vale tarde do que nunca, aqui vai: na última semana, alguns dos blogs de referência que visito diariamente celebraram o primeiro aniversário, um marco notável, invejável mesmo, neste meio efémero. Aqui vão os meus parabéns para o Prazer Inculto, de Possidónio Cachapa; o Voz do Deserto e o Memória Inventada.
Imperdoável é também o atraso com que me lembrei do aniversário extra-blogosfera de Francisco José Viegas. (Mazal tov, mori hayakar!)

Adenda [19-03-2004] – Dois dias depois deste post, o imprescindível Contra a Corrente comemora também o primeiro aniversário. Parabéns amigo MacGuffin.

Citações & Recortes Blogosféricos III

“Voltei ontem de Israel. Cheguei a Jerusalém no Domingo, três horas depois da explosão de um autocarro, linha 14, a 150m do hotel onde fiquei.
Quando por lá passei estavam pessoas na fila para o próximo autocarro.”

D.B.H., post do blog No Quinto dos Impérios.

A minha antisemitazinha

Ao que parece, tenho uma antisemita de estimação. Ou melhor: ela tem em mim o alvo de estimação das suas raivinhas e odiozinhos. Não me apoquenta muito, confesso. Estou longe. Os rancorzinhos da minha antisemitazinha de estimação chegam-me por e-mail, um meio electronicamente esterilizado por excelência. De início, ainda tentei perceber o que estaria por detrás das palavras. Entretive, imaginem, a possibilidade de responder. Mas racionalizar o irracional é uma tarefa idiota em si mesma. Desisti. Agora, cada vez que a minha inbox anuncia a chegada de mais uma das cíclicas mensagens da minha antisemitazinha, os pêlos dos meus braços, e da nuca, já não eriçam como dantes faziam. Refastelo-me na minha poltrona de secretária, dou os dois cliques costumeiros, leio, encolho os ombros e apago. Assim, por esta ordem. Invariavelmente, a minha antisemitazinha odeia judeus e odeia que se escreva sobre judeus num blog escrito por um judeu.
Tirando o caso único da minha antisemitazinha, as mensagens que recebo alegram-me sempre e animam a vontade de continuar aqui a escrever. Pronto. Desabafei. Os meus leitores habituais que me perdoem esta breve interrupção. O blog segue dentro de momentos.

Tempus Fugit

À beira do Shabbat, a semana acaba sem deixar nas margens tempo que chegue para aqui escrever tudo o que seria fundamental. Yehuda Amichai é que estava certo. A razão deste post prende-se com isso mesmo: é uma promessa anotada de temas que regressarão à Judiaria assim que as estrelas surgirem no fim do horizonte de sábado. Primeiro, cumprirei o que prometera já pessoalmente ao José e tentarei responder às questões levantadas no seu imprescindível Guia dos Perplexos (e já agora também à interrogação de David Bengelsdorff) acerca do meu postEm que acreditam os judeus?”. A prosa promete desde já ser um enfado de hermenêutica judaica e, por isso mesmo, a não perder!
Voltarei também ao “O Judeu nos Painéis de São Vicente”, alvo de polémica disputa por parte do notável bibliófilo Almocreve das Petas. Os Painéis de São Vicente, os seus “mistérios” e “charadas”, são um exemplo de vetusta controvérsia nada pacífica, mas irei tentar explicar porque concordo amplamente com a tese de António Salvador Marques no que diz respeito ao judeu do painel. Quando à possibilidade deste ser ou não D. Isaac Abravanel, isso é já outra discussão.
Na lista de tarefas a cumprir aqui na Judiaria consta também um comentário ao brilhante artigo de Francisco José Viegas no JN, intitulado “Pois Tu Foste Estrangeiro“, e disponível no Aviz. Há muito que andava para escrever aqui sobre emigrantes, imigrantes e imigração e o artigo do Francisco é o pretexto mais do que perfeito para o fazer. O tema toca-me particularmente por viver no estrangeiro. Gostava de explorar, para além das experiências dos outros, também a minha própria self-image: o que é isto de ser português, viver na América e não me sentir “emigrante”.
Finalmente, faltam-me os agradecimentos. Muita gente tem escrito, comentado e mesmo elogiado a Rua da Judiaria sem que eu tenha mostrado o mínimo reconhecimento. A injustiça será rectificada em breve.
Shabbat Shalom!

 “A Noiva do Shabbat”, Judith Silverman
A Noiva do Shabbat, Judith Silverman

Citações & Recortes Blogosféricos II

A propósito do meu post sobre o aniversário da chegada dos primeiros emigrantes judeus portugueses a Nova Iorque, em 1654 (ver Os primeiros judeus nas Américas), o escritor Luís Carmelo, no seu blog Miniscente, escreveu uma entrada intitulada Tragédia de um Esquecimentor aqui reproduzida. Às questões levantadas, que responda quem sabe.

“Lembra o blogue Rua da Judiaria que, em 2004, se celebram 350 anos “sobre a chegada dos primeiros emigrantes judeus à colónia holandesa de Nova Amsterdão, na ilha de Manhattan (actual Nova Iorque)”. Tratou-se, na altura, de um contingente de 23 emigrantes judeus fugidos à Inquisição do Recife, no Brasil. De facto, um certo mutismo português adora esquecer os labirintos judaicos de Amesterdão, de Antuérpia, de Istambul ou do Recife que, afinal, lhe saíram da sua própria carne. Por que razão será muda a história oficial portuguesa acerca da implosão judaica de finais de século XV e inícios do século XVI?
Independentemente de tal mudez, a verdade é que não há português que não traga consigo um pouco de Israel e, no entanto, parece disfarçá-lo com uma leviana saudade da escuridão, com uma timidez pessoana e quase mitológica, com uma ignorância tétrica e, às vezes, com uma apaixonada tentação pela erradicação memorial (tantas vezes pressionada pelos fluxos ideológicos de conjuntura).
É como se, na frente de um Portugal marmóreo e cristalizado, apenas ficasse o mar e as suas lendas a sós, apenas ficasse a imagem passada de um século de ouro, apenas ficasse a euforia das Europálias, das Expos, das Décimas sétimas, das N Capitais da cultura e das várias Exposições do mundo português. É como se, em todas estas cenografias da exaltação lusa, nada sobrasse do vestígio da alma judaica arrancada à nossa própria alma. Que auto-imagem celebrará tal amputação, ou tal compaixão desprovida de rosto?(…).”

Gravura da Sinagoga Portuguesa de Amesterdão por Romeijn de Hooghe em 1675 (Gans Collection, CRDJ)

Gravura da Sinagoga Portuguesa de Amesterdão por Romeijn de Hooghe, 1675 (Gans Collection, CRDJ)

Citações & Recortes Blogosféricos I

No Contra a Corrente, Carlos MacGuffin escreve hoje:

Três pequenas observações
Hoje de manhã, ouvi na rádio (Antena 1) as declarações de um palestiniano que vive na Faixa de Gaza, sobre o mais recente atentado em Israel. Ahmed comentava a decisão israelita de fechar as fronteiras da Faixa de Gaza por tempo indeterminado. Considera a decisão como uma medida grave, já que a mesma impedirá que cerca de 25.000 palestinianos possam cruzar a fronteira para trabalhar.

Observação n.º 1: milhares e milhares de palestinianos trabalham em Israel, com direitos e garantias asseguradas. E, pasme-se, em paz.

Ahmed prossegue, dizendo que o recente atentado do Hamas, que ceifou a vida a quatro israelitas, foi perpetrado por uma mulher palestiniana que vivia sem perspectivas de futuro. É o desespero que provoca este tipo de acções. É a falta de perspectivas que corrói o espírito dos jovens palestinianos.

Observação n.º 2: há atentados em Israel, onde são ceifadas vidas humanas, quase sempre civis. Há incursões do exército israelita que acabam na morte de palestinianos. Mas, do ponto de vista da comunicação social, existe um pendor pró-palestiniano (admito que não totalmente consciente) que leva a que se procurem ouvir as razões ou justificações de um lado, mas raramente as razões do outro.

Contudo, Ahmed acrescentou que esse tipo de desespero, aliado à descrença em relação ao futuro, está presente em todas as sociedades, inclusive na europeia. O problema, diz Ahmed, é que na Palestina existem grupos políticos armados que fazem uso desse desespero para fins terroristas, envolvendo o assassinato de civis israelitas.

Observação n.º 3: os suicidas palestinianos não são meros civis que, face às dificuldades, decidiram um dia, por livre iniciativa, rebentar-se a si próprios e ao maior número de israelitas. Se assim fosse, Africa e outros pontos negros do planeta seriam locais preferenciais para que este tipo de acções florescesse. Os atentados terroristas palestinianos têm uma marca política. São alvo de organização e de uma propaganda que incita à morte e ao ódio pelo seu semelhante. Eis um aspecto que ainda não entrou na cabeça de muito gente.

Este post (retirado do blog Contra a Corrente) traz-me à memória um brilhante artigo assinado por Miriam Greenspan na edição de Dezembro da revista Tikkun. Sobre o ódio, e a fundamental necessidade de o irradicar, o texto terminava assim:

“Renouncing hatred, in all its forms, is the only thing that will save us—Israeli, Palestinian, Tutsi, Hutu, Croat, Serb, Muslim, Christian, Jew, Hindu, Buddhist, Kurd, man, woman, and child. Are Palestinians “justified” in nursing their rage at Occupation until it becomes a deadly hatred of Jews? Are Jews “justified” in turning their fear of annihilation and their anger at Arab terrorism into a blind and spiteful Occupation? Where will this get us? Will it bring back the dead on both sides? Will Arab mothers be able to lift their children in their arms in a free society rather than send them to their deaths in order to take down another Jew? Will Jewish mothers be able to put their children on a bus without fear that they will never see them again except, if they are lucky, at the morgue? Will hatred bring about two states in Israel and Palestine? Will it bring justice? Will it bring peace? Will it do anything at all except spill more innocent blood and poison the soul of the hater? To paraphrase a forgotten 1960’s anti-war song: When will we ever learn? When will we ever learn?”

Blogs & Afins

A primeira entrada de 2004 terá obrigatoriamente de ser de agradecimento. Em primeiro lugar aos que têm passado aqui pela Rua da Judiaria e aos que integraram este blog entre as suas leituras recorrentes. Gostava também de deixar um profundo agradecimento ao Almocreve das Petas e ao Contra a Corrente por nos terem colocado nas suas listas dos melhores blogs de 2003 – uma honra totalmente inesperada, engrandecida por vir de quem vem.
Ainda falando de blogs, e para termos uma ideia do impacto que a blogosfera portuguesa está a ter fora das nossas fronteiras tradicionais impostas pela língua, o diário israelita de referência Ha’aretz publicou na sua revista de sexta-feira um artigo original do Público sobre O Meu Pipi. Mesmo para aqueles que não lêem hebraico, vale a pena passar os olhos por esta prosa do Ha’aretz, e descortinar referências, em caracteres latinos, a O Meu Pipi e ao Abrupto. O ano começa bem para a nossa blogosfera. Que 2004 seja um ano feliz.

“Falhanço Miserável”

Quem no Google fizer uma busca com a expressão “miserable failure” encontrará à cabeça dos resultados um link directo para a biografia oficial do Presidente George W. Bush, alojada no site da Casa Branca. Pessoalmente não me parece de todo descabido. Mas, aparentemente, o motor de busca não faz análise política por iniciativa própria e terá sido necessária a ajuda de centenas de membros da blogosfera americana e britânica, que com um bombardeamento de links conseguiram manipular os resultados do Google. A BBC NEWS explica como tudo aconteceu. Já agora, a expressão “miserable failure” aplicada a Bush foi cunhada por Richard Gephardt, ex-speaker da Câmara dos Representantes e um dos 9 presidenciáveis do Partido Democrata. Apesar da sua candidatura não ir a lado nenhum, pelo menos a expressão, essa, é um sucesso.

Escrita Automática

Muito se tem escrito nos últimos dias sobre a falta de inspiração e paciência que por vezes afecta os nossos blogistas. Uma solução para as “brancas”, quando se sente vontade de escrever mas nada sai, pode ser encontrada no The Apathetic Online Journal Entry Generator, um gerador automático de entradas apáticas para blogs. Os resultados são divertidos e satisfatoriamente inócuos. E para aqueles que acham que escrevem blogs pouco interessantes, aconselho uma passagem pelo The Dullest Blog in the World, um exercício prodigioso em monotonia e aborrecimento.