Depois de Auschwitz, não há teologia:
Das chaminés do Vaticano levanta-se fumo branco –
sinal que os cardeais escolheram um Papa.
Dos crematórios de Auschwitz, levanta-se fumo negro –
sinal que o conclave dos Deuses não escolheu ainda
o seu povo.
Depois de Auschwitz, não há teologia:
os prisioneiros do extermínio têm nos braços
os números de telefone de Deus,
números que não respondem
e que se desligam, um a um.
Depois de Auschwitz, uma nova teologia:
os judeus que morreram no Shoá
são agora semelhantes ao seu Deus,
que não tem imagem ou semelhança e não tem corpo.
Eles não têm imagem ou semelhança e não têm corpo.
Yehuda Amichai (1924-2000), poeta israelita.

Imagem: Tatuagem de Auschwitz. Número B-11291, de Henry Oertelt, sobrevivente do Shoá e autor da autobiografia An Unbroken Chain: My Journey Through the Nazi Holocaust. Os números tatuados nos prisioneiros eram também conhecidos como “números de cremação”.
No blog Israelity – Life beyond the conflit, Ari Miller conta a história de um jovem que pediu autorização à avó para tatuar os números dela no seu próprio braço. Para ler aqui.
Hoje 5 de Maio de 2005 (26 de Nisan de 5765 do calendário hebraico), celebra-se o Dia de Lembrança dos Mártires e Heróis do Holocausto. Para que não se esqueça o que aconteceu há 60 anos. Para que o sofrimento inimaginável de tantos milhões não tenha sido em vão. Uma oportunidade também para recordar que o genocídio não é uma coisa do passado: Povo de Bahá – Infância perdida.
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