Olho para o mundo – e ele
assemelha-se a um jardim
com as suas crianças de permeio,
como erva.
Alguns, cuja memória é como a fragrância
do bálsamo,
e outros, cujos rebentos são como feno.
Mas sobre todos a Morte empunha
a sua foice,
e a sepultura guardará esta colheita.
Contemplo os túmulos de outras eras, de
dias antigos,
onde pessoas dormem o eterno sono.
Não há inimizade entre estas gentes
– não há inveja;
Não há amor nem há ódio;
E o meu pensamento, vislumbrando-os,
falha em discernir o mestre do escravo.
Onde estão todos os túmulos de todos os homens
que morreram na terra desde os dias de outrora?
Uma sepultura é cavada sobre outra,
e corpos são enterrados sobre corpos;
em buracos na terra eles jazem juntos –
os pedaços de cal e as pedras preciosas.
Moisés ben Jacob Ha-Sallah ibn Ezra (conhecido em árabe como Abu Harun Musa) (1070-1138), judeu de Granada. Filósofo, linguista e poeta medieval.
Em memória de Eugénio de Andrade e Álvaro Cunhal.
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