
Já não escrevo, decoro. Construo o livro todo na cabeça.”
As palavras são de Antonio Tabucchi, numa conversa deliciosa com Carlos Vaz Marques. Uma entrevista que irá para o ar na TSF de hoje a uma semana, às 19:00h de quinta-feira, dia 18.
Na entrevista, do programa “Pessoal e… transmissível”, Tabucchi relata que o seu último conto foi recentemente remetido à memória no Alentejo. São cinco páginas, ainda inéditas, recitadas para o papel sem apontamentos, sem notas escritas. É um conto sefardita: “Chama-se Yo m’enamori d’un aire e começa com uma canção sefardita, meia portuguesa e meio espanhola, que fala de um homem que está apaixonado por uma rapariga que se desvanece no ar. Isto refere-se às perseguições dos judeus na península Ibérica no princípio do século XVI”, diz Tabucchi. Nele é contada a história de um regresso. Um descendente de judeus portugueses volta a Lisboa, caminha pelo Jardim Botânico e pelo Príncipe Real. Vem de um “sitio muito longínquo” buscando os lugares dos seus antepassados. “Ele não fala a língua dos seus antepassados, nem espanhol nem português, mas lembra-se de uma canção que ouvia cantar quando era criança.” O resto da história pode ser ouvido neste excerto da entrevista gentilmente cedido por Carlos Vaz Marques: Pessoal e… transmissível: Antonio Tabucchi.
::PARA OUVIR::
“Yo m’enamori d’un aire”, Parvarim
A canção em ladino que inspira o conto de Tabucchi
A ENTREVISTA:
::NOTA:: A entrevista completa por ser ouvida também em formato podcasting em TSF Pessoal e… transmissível (feed xml).
Obrigado Carlos por teres permitido aos leitores da Rua da Judiaria a audição antecipada deste excerto da entrevista.
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