Barca

Das navegações à distancia
que empreendemos de costa a costa
sob motivos e circunstancia
de exorcismos e alguma esperança
de fugirmos ao pedaço circunscrito
do legado ou povoado
onde parimos nossos filhos,
ficou essa paisagem do mar
em fim de terra, da tarde em fim de mar
e da terra cruzada por esses ambos elementos
mais a saudade tremelicando nos dedos
dos que partidos se foram
definitivamente
somente com a ideia de voltar
quando do cabo do mundo
trouxessem a mágica fórmula
de enriquecer para nos serões
com nossa prole recordarmos
gestas, historietas, lendas e canções
de anónimos heróis,
sábios poetas e cavaleiros andantes
despidos de andrajos dourados
e apenas fardados de suas palavras
exigindo às tábuas da lei
a única porção de chão
onde depositar seu corpo
com vistas para o vasto oriente
de um promontório extremo.

Como uma barca “roja” atracada
em fim de tarde.

Francisco Duarte Azevedo
Newport, Jersey City, 5 de Outubro de 2007

Depois de alguma insistência, o Francisco deixou que eu publicasse aqui este seu belíssimo poema – um poema de Diáspora – feito a partir do quadro, também de sua autoria, que aqui o ilustra. Já agora, aconselho uma passagem pela galeria online onde o Francisco tem expostos alguns dos seus quadros. É só seguir o link: aqui.

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