Vital Moreira Errou!

No Causa Nossa, Vital Moreira escreveu uma entrada sobre o conflito israelo-palestiniano intitulada Crimes de Guerra, baseada integralmente – acredito que de forma totalmente inadvertida – numa notícia falsa.
Para ancorar o seu post, Vital Moreira cita esta notícia do Diário Digital – que na essência é um exemplo acabado de jornalismo vesgo e absolutamente incompetente. Um exercício de “pick and choose” com uma péssima tradução de um telex. Para comprovar o erro crasso da “notícia” citada basta ir aqui e ler a versão de um telex da AFP reproduzido pelo Khaleej Times, um jornal dos Emirados Árabes Unidos (que pode ser acusado de tudo menos de fazer favores a Israel). O Diário Digital traduz “the troops opened fire” por “soldados israelitas incendeiam campo de refugiados em Rafah”… O erro pode ser confirmado com a leitura de outra notícia sobre o mesmo caso (Israel troops kills Palestinian in Rafah) no HiPakistan.com, um site paquistanês. “Fazer fogo” e “lançar fogo” não são, nunca foram e nunca serão a mesma coisa.
Além de totalmente incompetente na tradução, o(a) jornalista do Diário Digital revela-se também desleixado(a) com os factos envolventes: “According to the sources, the man was killed during an exchange of fire between IDF troops and armed militants in the Tel Sultan neighborhood close to the Egyptian border”, lê-se ainda no diário israelita Ha’aretz.
A morte de alguém, ainda por cima nestas circunstâncias, é sempre um acontecimento arrepiante e aterrador e nunca pode ser minimizada. Mas o que estou aqui a discutir são os factos, o mau jornalismo e a diferença entre dois “fogos” semanticamente inconciliáveis.
A ocupação e as suas nefastas consequências – no que toca aos direitos humanos e não só – são factos inegáveis que, por isso mesmo, merecem ser discutidos e analisados com base num jornalismo responsável.
Para que conste, acredito plenamente que Vital Moreira errou sem a mínima noção de que o fazia. Aliás, admiro-o por ser um homem frontal, com quem tendo a concordar quase por regra – como aconteceu nos últimos dias com a polémica que tem travado em torno dos véus islâmicos em França (ver o meu post sobre o tema, O Véu, o Kippah e a Cruz, de 12 de Dezembro).
Resta dizer que não sou um “fã de Sharon“, bem longe disso, e não estou com isto a defender o que sempre achei, e continuarei a achar, indefensável. Basta uma passagem de pelos links à esquerda, e pelos posts passados, para perceber de que lado está o autor deste blog. Sou de Esquerda. Nunca o escondi. E de Esquerda sou também na questão do conflito israelo-palestiniano. É por isso que me custa profundamente que a Esquerda europeia prefira elogiar a “obra social” do Hamas a apoiar abertamente – com palavras e actos – a Esquerda israelita (e não estou a falar apenas dos Trabalhistas), num jogo de manicaismos, silêncios e ataques que solidifica a cada passo a posição de Ariel Sharon. Como nós portugueses sabemos bem por causa própria (e nossa), o grito de “orgulhosamente sós” sempre funcionou como arma eficaz de propaganda.

::ADENDA:: Na sequência deste post recebemos o seguinte e-mail de Vital Moreira:

“Prezado Nuno Guerreiro,
Tem toda a razão. Errei, embora sem intenção, tendo confiado no Diário Digital, sem controlo da fonte (mas já vi que devia tê-lo feito…).
Já fiz a correcção do Causa Nossa. Obrigado pela sua pertinente observação e pelo tom do seu post.
As melhores saudações
Vital Moreira”

A rectificação pode ser encontrada no post seguinte do Causa Nossa, um blog que começa a ser uma referência na blogosfera lusa. Incontornável e, fica agora provado, dialogante.

Antisemitismo e Sondagens

No País Relativo Pedro Machado escreveu um texto bem interessante sobre a polémica que estalou entre o comissário europeu Romano Prodi e os presidentes do Congresso Mundial Judaico, Edgar Bronfman, e do Congresso Judaico Europeu, Cobi Benatoff, da qual demos conta em dois posts anteriores (aqui e aqui). Reconhecendo a necessidade de combater o antisemitismo, Pedro Machado insurge-se contra o artigo de opinião assinado pelos dois líderes judaicos no Financial Times (que reproduzimos aqui na íntegra), classificando-o como uma oportunidade perdida. Mas a minha intenção não é rebater a opinião do Pedro sobre a carta, apesar de não concordar inteiramente com ela. O que me leva a escrever prende-se com a recorrente questão da polémica sondagem Eurobarómetro, publicada em finais de Outubro. Diz o Pedro:

(…)Depois, o famigerado Eurobarómetro: que os cidadãos da União Europeia considerem que Israel é a maior ameaça à paz mundial são resultados de uma sondagem. Podem considerar-se injustos, incorrectos, o que se quiser. Mas que queriam os líderes judaicos? Que a esses fosse dado o mesmo destino daquele dado ao estudo? Ou seja, cancelar a publicação dos resultados? Afinal, em que é que ficamos? A censura seria a boa receita para estes, mas a abjecta solução para aquele?

Entre aqueles que fazem pesquisas de opinião pública há uma expressão bem interessante que reza assim: se não gostas dos resultados, faz outra sondagem. Quem alguma vez lidou com sondagens sabe como é fácil manipula-las, muitas vezes apenas com a simples formulação da pergunta – basta ver a polémica que rebenta cada vez que se pensa em fazer um referendo…
A questão da sondagem do Eurobarómetro levantada pelos dirigentes do CMJ e do CJE no citado artigo do Financial Times tem a ver, entre outras coisas, com os critérios da amostragem. De entre os países escolhidos (como?) para figurar no questionário – Israel, Estados Unidos, Irão, Coreia do Norte, Afeganistão, Paquistão, Síria, Líbia, Arábia Saudita, China, Índia, Rússia e Somália –, Israel é aquele que tem maior exposição mediática negativa nos media europeus, numa proporção talvez apenas comparável à dos Estados Unidos. Não admira, por isso, que Israel (59%) e os Estados Unidos (53%) tenham aparecido à cabeça dos resultados como “as maiores ameaças à paz mundial”. Ainda por cima, os inquiridos podiam escolher mais do que um país. Não é preciso nenhuma pós-graduação em estatística para perceber a palermice de tudo isto.
Respondendo ao Pedro Machado, a censura nunca é solução para nada e duvido que essa leitura possa ser feita, mesmo de forma implícita, no artigo de Bronfman e Benatoff do FT. Em vez de cancelar a publicação dos resultados, a sondagem devia ter sido feita, logo à partida, de uma forma honesta. Como? Sem listas, deixando os países alvo à escolha plena dos inquiridos, por exemplo.

Ainda Prodi e a Conferência sobre Antisemitismo na Europa

Romano Prodi voltou atrás com a decisão de cancelar a conferência sobre antisemitismo na Europa. Depois da birra (ver post anterior) o bom-senso prevaleceu e a reconciliação com os líderes judaicos que assinaram o já famoso artigo no Financial Times (ver post anterior) parece ser uma questão de dias.
Na sequência da decisão anterior de Prodi, o ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, Franco Frattini, manifestou ao Congresso Mundial Judaico disponibilidade para realizar a conferência, caso se mantivesse a posição do comissário. Frattini foi mesmo ao ponto de afirmar que o cancelamento da conferência sobre o antisemitismo na Europa era uma “criancice” da parte de Romano Prodi. A Alemanha prontificara-se também a servir de anfitriã à conferência.

Porque te Assustas?

Solomon Ibn Gabirol

Porque tens cuidados e te assustas, alma minha?
Fica queda e permanece onde estás.
Porque o mundo para ti é pequeno como uma mão
tu, minha tempestade, não irás longe.

Melhor do que caminhar de corte em corte
é sentar perante o trono do Senhor:
se te distanciares dos outros florescerás
e seguramente verás tua recompensa.

Se o teu desejo é como uma cidade fortificada,
com tempo um cerco o fará desmoronar:
Não tens porção para ti neste mundo,
acorda então para o mundo que ai vem!

Original do poema em hebraico

Solomon Ibn Gabirol, poeta medieval, judeu da Andaluzia (c. 1021-1058).

A Comissão Europeia e o Antisemitismo

O comissário europeu Romano Prodi suspendeu a realização de uma importante conferência sobre antisemitismo na Europa na sequência da publicação, no Financial Times, de um contundente artigo de opinião assinado conjuntamente por Edgar Bronfman, presidente do Congresso Mundial Judaico, e Cobi Benatoff, presidente do Congresso Judaico Europeu (ver texto na integra em baixo). “Antisemitismo pode ser expresso de duas formas: por acção e por inacção. Espantosamente, a Comissão Europeia é culpada de ambas”, era assim que começava o texto dos dois líderes judaicos. Prodi não gostou e respondeu da maneira mais imatura, cancelando uma conferência fundamental.
Há poucas semanas tudo parecia bem encaminhado, com a Comissão Europeia a admitir que o antisemitismo era um problema real que a Europa teria de encarar urgentemente.
Agora, nas palavras de Prodi, a conferência foi suspensa porque “pouco progresso seria alcançado por entre esta má atmosfera”. A metáfora usada por R.J. Oliveira no Super Flumina não podia ser mais acertada: nas tardes da minha infância, passadas a jogar à bola na Rua da Judiaria, havia também um Romano Prodi: chamava-se Gabriel, um birrento que à mínima contrariedade pegava na bola e rumava a casa, amuado e de beiçola.


Como o original do artigo de Bronfman e Benatoff não se encontra já na Internet, remetido que foi para os arquivos do FT, aqui vai a transcrição integral:

Europe’s moral treachery over antisemitism
by Edgar M. Bronfman and Cobi Benatoff
Financial Times (London, England) January 4, 2004

Antisemitism can be expressed in two ways: by action and inaction. Remarkably, the European Commission is guilty of both.
First, the Commission released a flawed and dangerously inflammatory poll, which purported to name Israel as the greatest threat to world peace. Then, it censored a study commissioned by its own Monitoring Centre that reported on the involvement of Muslim minorities in incidents of mounting European antisemitism .
Let us not mince words: both of these actions were politically motivated, demonstrating a failure of will and decency. Facts indeed are stubborn things and they are ignored at great peril. In this instance, those placed in greatest danger are not the obstructionists who withheld the study for nearly a year, but the Jews of Europe: witnesses and victims of the most barbaric act of slaughter and inhumanity to occur within the living memory of those who reside there.
Inaction must be countered by action, and transparency must be the hallmark of democratic institutions, which is why we made public the Monitoring Centre report. The Talmud teaches that silence implies agreement and that is why we will not rest until every European parliamentarian, member state and inter-governmental body has a copy of this report in their hands.
The significance of this study is clear to anyone who reads it. Just consider its most fundamental finding, that “one cannot deny that there exists a close link between the increase of antisemitism and the escalation of the Middle East conflict”. The report explains that Israel’s policies toward the Palestinians provide an excuse to “denounce Jews generally” throughout Europe.
The report correctly assesses that “factors which usually determine the frequency of anti-Semitic incidents … such as the strength and the degree of mobilisation extremist far right parties and groups can generate, have not played the decisive role” in the spread of antisemitic incidents since the beginning of the second intifada. The study found that antisemitic incidents in the monitoring period were committed above all by rightwing extremists, radical Islamists, young Muslims and the pro-Palestinian left. It points out that “the dominating assumption of contemporary antisemitism is still that of a Jewish world conspiracy”.
These findings are not theoretical. In 2002, the World Jewish Congress’s annual study of antisemitism worldwide found that prior to the outbreak of the second intifada in September 2000, physical violence had been directed mainly at institutions, principally cemeteries and synagogues.
Throughout 2002, however, the pattern changed dramatically and the number of physical assaults on Jewish individuals, or people who resembled Jews, almost doubled. In France, as the debate continues over the display of religious clothing and accessories in schools, France’s chief rabbi has had to suggest that Jewish men wear baseball caps instead of traditional yarmulkes for reasons of personal security.
Outside Israel, the majority of the world’s violent antisemitic attacks took place in western Europe. For the EU to hide these facts reeks of intellectual dishonesty and moral treachery.
The war on antisemitism , the world’s oldest form of racism, suffered a tremendous defeat at the hands of European censors. Europe perfected antisemitism last century and those who wish to see the continent free from that evil cannot allow a few thugs, be they on the street or in parliament, to sully a people that needs no lesson in the history of appeasement and inaction.
Democracies are not judged by how they treat current or future majorities, but by how they treat their minorities. A major test of European attitudes will occur next month at a seminar to be jointly convened by Romano Prodi, Commission president, and the European Jewish Congress, which will confront the challenge of the continent’s antisemitism . We await its results.
European nations were once the world’s exporter of democratic values, patrons of human rights and founders of man’s freedom. In our lifetime, Europe also bred and exported humanity’s greatest evil. These are undeniable truths. At a time when Europe is debating whether its constitution should make reference to its Christian history, it may not be inappropriate to quote the New Testament: “Ye shall know the truth, and the truth shall make you free.” Europe should heed these words.

Edgar M. Bronfman and Cobi Benatoff are presidents respectively of the World Jewish Congress and the European Jewish Congress

A Judiaria Recomenda
Para duas interessantes leituras sobre o antisemitismo, aconselho uma passagem pelo Mar Salgado (que abre com uma referência a este editorial do Financial Times sobre o tema) e pelo Contra a Corrente.

Um Adeus a José Dias Bravo

Soube ontem, por mero acaso, da morte de José Dias Bravo, faz agora dois meses. Não tenho jeito nenhum para necrologias, confesso, mas senti que tinha de escrever pelo menos umas breves linhas.
Jurista, Conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça, Vice-Procurador Geral da República e presidente da Aliança Evangélica, Dias Bravo foi uma figura fundamental para a definição do protestantismo português do século XX. Perseguido pela PIDE desde os 16 anos por distribuir Bíblias e folhetos religiosos não católicos, lutou desde cedo contra a hegemonia religiosa nacional e a intolerância por outras igrejas e religiões, características que durante séculos marcaram o nosso país. A sua biografia oficial, no site da AE, conta que aos 12 anos foi expulso inúmeras vezes das aulas de Religião e Moral, por desafiar abertamente o padre-professor, citando escrituras e contrapondo as doutrinas que devia aprender. Como magistrado e presidente da Aliança Evangélica, anos mais tarde, seria um dos responsáveis pela gradual mudança da imagem das igrejas protestantes em Portugal.
Pessoalmente, conheci-o em 1994, na Procuradoria, andava eu, jornalista novato, a tentar especializar-me a escrever sobre religião. Na altura, procurei os comentários e conselhos de Dias Bravo para várias peças e reportagens. Na sua bondade natural e infinita paciência, esteve sempre disponível. Pelo meio foi-me contando histórias do seu protestantismo, da sua fé.
Nos últimos anos da sua vida, já reformado, Dias Bravo dedicou-se a viajar pelo mundo, conheceu os meus tios numa visita a Israel e ficou amigo da família. Com ele aprendi os pontos de contacto existentes entre as experiências dos protestantes e dos judeus portugueses. Ensinou-me também que os preconceitos, fobias e ódios dos outros podem ser gradualmente vencidos, nunca na mesma moeda, mas através do exemplo de homens como ele. José Dias Bravo foi verdadeiramente um hasidei umot ha’olam.

Blogs & Afins

A primeira entrada de 2004 terá obrigatoriamente de ser de agradecimento. Em primeiro lugar aos que têm passado aqui pela Rua da Judiaria e aos que integraram este blog entre as suas leituras recorrentes. Gostava também de deixar um profundo agradecimento ao Almocreve das Petas e ao Contra a Corrente por nos terem colocado nas suas listas dos melhores blogs de 2003 – uma honra totalmente inesperada, engrandecida por vir de quem vem.
Ainda falando de blogs, e para termos uma ideia do impacto que a blogosfera portuguesa está a ter fora das nossas fronteiras tradicionais impostas pela língua, o diário israelita de referência Ha’aretz publicou na sua revista de sexta-feira um artigo original do Público sobre O Meu Pipi. Mesmo para aqueles que não lêem hebraico, vale a pena passar os olhos por esta prosa do Ha’aretz, e descortinar referências, em caracteres latinos, a O Meu Pipi e ao Abrupto. O ano começa bem para a nossa blogosfera. Que 2004 seja um ano feliz.

Os Nomes das Coisas,

… ou o Regresso à Rua da Judiaria

“Mais importante do que todas as riquezas é a escolha de um nome”
Provérbios (Kethuvim Mishlei) 22:1

A Rua da Judiaria existia há muito na minha geografia de afectos. Muito antes do blog. Muito antes de se sonhar que blogs um dia existiriam. Por coincidência, ou partida pregada pelo destino, a rua da minha infância chamava-se Judiaria – uma pequena e quase escondida rua de Almada, atrás da velha loja Singer e a dois passos do antigo edifício da Câmara e da Sociedade Recreativa Incrível Almadense. No terceiro andar esquerdo do número 24 da Rua da Judiaria aprendi a falar e a andar. Da mesma varanda onde se via uma nesga do Tejo e de Lisboa, olhei eu horas a fio para o jardim da casa da Janeca, o meu primeiro amor. Uma paixão impossível. Ela tinha 11 anos, eu apenas 5.
A minha Judiaria era também um palco de personagens – havia a Dona Delfina, uma rechonchuda senhora que fazia da sua janela um posto de vigia constante; a Carmen, a dona da taberna da esquina, uma trintona, galega e ruiva, que vivia sozinha e punha qualquer bêbado na ordem só com um olhar enviesado; o senhor Arnaldo, o latagão dono do ferro velho, que nós penalizávamos com boladas constantes na montra.
Foi na Rua da Judiaria que conheci Luís de Sttau Monteiro, em casa da Dona Isaura – uma doce velhinha de cabelos imaculados a quem Sttau chamava “mãe”, não porque ela o fosse mas porque assim se transformara quando visitou nas cadeias da ditadura o seu filho verdadeiro, companheiro de cela e de estrada de Sttau – ambos amigos do meu avô Emídio. A Dona Isaura, amiga inseparável da minha avó Maria da Luz, dava-me bolos e chocolates. Sttau alimentou-me com livros uma mão cheia de vezes, numa altura em que a minha insaciável curiosidade adolescente devorava tudo o que apanhasse. “Toma lá puto”, dizia ele de mão estendida.
Relembro agora tudo isto porque me escreveu a Renata, do blog Conversa na Travessa, contando que morara na mesma Rua da Judiaria onde eu crescera. Fomos vizinhos na infância. Agora, vizinhos voltamos a ser na blogosfera. Obrigado Renata por teres escrito!
Depois de muitos anos de ausência, voltei a passar pela Rua da Judiaria em Dezembro de 1998, da última vez que estive em Portugal. As imagens de infância que guardara durante tantos anos desmoronaram aos poucos, quase ao ritmo de cada passo. Lembrava-a como uma quase-avenida, uma rua imensa onde cabia um estádio de futebol onde joguei todos os dias, por entre carros e latões de lixo. Mas não, a Rua da Judiaria sempre foi bem pequena, engrandecida apenas pelos meus olhos de criança.
O senhor Arnaldo do ferro-velho morrera anos antes, contaram-me. Nunca soube se me perdoou o vidro partido da montra, produto de um chuto certeiro que zumbiu sobre a baliza feita de duas pedras da calçada. Também nunca mais soube da Janeca. A casa dela é hoje um restaurante, o Celeiro da Judiaria. Jantei lá na noite de Dezembro em que voltei à Judiaria da minha infância. Aquela que já não existe a não ser na minha memória.
Por tudo isto, o nome deste blog era inevitável. A intersecção perfeita entre a memória, a coincidência e o destino.

Saudades de Jerusalém

Yehudah ha-Levi

Terra bela,
Delícia do mundo,
Cidade dos Reis,
No Oeste longínquo, o meu coração chora saudades tuas.
Entristeço ao recordar como eras.
Agora a tua glória é finda, as tuas casas destruídas.
Se eu podesse voar para ti nas asas das águias,
Encharcaria o teu solo com as minhas lágrimas.

Yehudah ha-Levi (1080-1141), rabino, filósofo e poeta espanhol do século XII, nascido em Toledo .

O Que é a Saudade?

É assim que o dicionário define a palavra:

“do ant. soedade, soidade, suidade < Lat. solitate, com influência de saudar; s. f., Lembrança triste e suave de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de as tornar a ver ou a possuir; pesar pela ausência de alguém que nos é querido; nostalgia.”

Durante séculos, aprendemos a olhar para a Saudade como património exclusivo da língua portuguesa. Ausência, distância, melancolia, estado de alma permanente e perpétuo da nação. Crescemos a aprender que a palavra Saudade não tinha tradução em qualquer outra língua do mundo. Mas tem. Em hebraico existe um equivalente preciso da nossa saudade: Ergá – ערגה.
Usada durante milénios por rabinos, filósofos e poetas judeus para traduzir os mesmos estados de alma, ergá é indubitavelmente a saudade hebraica. E depois, claro, há a música. Aqui pode ouvir-se um excerto de uma melodia judaica da Europa de Leste intitulada “Ergá” (em formato RealOne).
Há mesmo quem sugira que a saudade entranhou a alma lusa por via judaica, e que uma das suas maiores manifestações colectivas, o Sebastianismo, poderá muito bem ser uma transmutação do messianismo dos judeus e cristãos-novos portugueses do século XVI.

Jesus, o judeu

Jesus, visto por Marc Chagall, pintor judeu

Nascido na Galileia há mais de 2 mil anos, Jesus de Nazaré foi, sem margem para dúvidas, um judeu. As escrituras cristãs confirmam a cada passo que Cristo – Yeshua ben Yosef, de seu nome hebraico – seguiu à risca as tradições e mandamentos do judaísmo ortodoxo. Mesmo assim, durante séculos, numa tácita aliança de silêncios, cristãos e judeus recusaram reconhecer as raízes judaicas do pregador da Galileia, a quem chamaram rabino, e que acabaria por tornar-se uma das mais influentes e emblemáticas figuras da História humana.
Abandonado, e mesmo combatido, pela Igreja Cristã (tanto católica como protestante) durante séculos, o judaísmo de Jesus, e o seu enquadramento contextual, só começou a ser explorado recentemente.
Esta corrente, nascida na recta final do século XIX, assumiu novas proporções nos finais do século XX, quando a busca do “Jesus Histórico” e das raízes hebraicas de Cristo começou a fascinar teólogos e historiadores cristãos e judeus. Arredados já do cíclico antisemitismo que levara os cristãos durante séculos a negarem o judaísmo de Jesus, estes redescobriam agora o Messias cristão no seu contexto histórico, étnico e religioso.
O judaísmo de Jesus foi, até 1900, praticamente posto de parte também pelos pensadores judeus, em grande medida como reacção às perseguições que o cristianismo encetara contra os hebreus. Recorde-se que até ao Concílio Vaticano II, em 1965, a própria Igreja Católica acusava os judeus de terem morto Cristo – uma acusação que não só negava a verdade histórica, desculpabilizando o papel do governador romano Pôncio Pilatos enquanto executor máximos da pena (ver Who is Responsible for Jesus’ Execution), como também escondia o facto de Jesus ser, ele próprio, um judeu. Esse era um facto histórico inescapável, mas mesmo assim rodeado de uma polémica apenas explicável por um antisemitismo latente.
“Muitos cristãos continuavam a recusar aceitar o facto de que Jesus era judeu, afirmando a pés juntos que ele era ‘cristão’. Mas um cristão, por definição, é um seguidor de Cristo. Se assim fosse, Jesus seria um seguidor de si próprio, o equivalente de um cão que persegue a sua própria cauda”, comenta o teólogo cristão Jonathan Went, um estudioso das raízes judaicas de Jesus.
Contando com as poucas referências talmúdicas, as fontes históricas judaicas sobre Jesus restringem-se a breves passagens de fragmentos deixados por historiadores hebreus, o mais famoso dos quais o Testimonium Flavianum, escrito por Flavius Josephus, que viveu entre os ano 37 e 100 da era comum.
Agora, quase dois mil anos passados sobre o seu desaparecimento, aos poucos, rabinos e pensadores humanistas judeus começaram a reclamar Jesus enquanto figura histórica intimamente ligada ao judaísmo.
Na década de 90, foram editados vários livros que abordavam uma visão judaica de Jesus, o mais significativo dos quais lançado em finais de 2001 nos Estados Unidos sob o título “Jesus Through Jewish Eyes: Rabbis and Scholars Engage an Ancient Brother in a New Conversation”.
Na verdade, os relatos das escrituras cristãs apontam para o facto de Jesus ter cumprido escrupulosamente todos os preceitos da religião judaica. Os Evangelhos do Novo Testamento bíblico contam que Jesus foi circuncisado oito dias após ter nascido (Lucas, 2:21), segundo regem as leis judaicas; ainda bebé foi apresentado no Templo em Jerusalém (Lucas, 2:22), de acordo com o que mandava a tradição, e foi educado na Lei de Moisés (Lucas 2, 39 a 42). A Bíblia cristã confirma ainda que ele, como todas as crianças judias, começou a aprender a Torá – a Bíblia hebraica – aos seis anos e aos 12 anos no Templo “ouvia e interrogava” os rabinos (Lucas 2:46). Mais tarde, os evangelistas relatam que Jesus celebrava os festivais judaicos (Páscoa, Tabernáculos e Hanuká) além de guardar todos os sábados como dias santos. Ao mesmo tempo, envergou tzit-tzit e tefilin, adereços litúrgicos ainda hoje usados pelos judeus ortodoxos. Mesmo assim, perante este verdadeiro mar de referências bíblicas ao judaísmo de Jesus, este continuou a ser ignorado através das gerações.
No livro “Rabbi Jesus: An Intimate Biography”, o teólogo e historiador anglicano Bruce Chilton traça um perfil do Messias cristão fortemente enraizado no judaísmo. Para Chilton, Jesus foi indubitavelmente um rabino, reconhecido como tal na Galileia, e “os seus ensinamentos tornavam-no em tudo semelhante a outros rabinos galileus, conhecidos como chasidim. (…) Os chasidim eram curandeiros que curavam os doentes e aliviavam a seca através da oração, e Jesus juntou-se às suas fileiras”.
Numa visão amplamente partilhada por vários teólogos judaicos contemporâneos – entre eles Z’ev ben Shimon Halevi – , o padre Bruce Chilton vê ainda em Jesus um discípulo dos mestres da Cabalá, uma palavra hebraica que literalmente significa “tradição recebida” e que traduz o misticismo judaico. As influências cabalísticas nos ensinamentos de Jesus são notórias. A mais evidente de todas é a chamada “regra de ouro do judaísmo”, ensinada pelo rabino Hillel, que viveu em Jerusalém cerca de 200 anos antes de Jesus. Conta o Talmude que um viajante pouco familiarizado com os judeus pediu ao rabino Hillel que numa frase lhe explicasse a essência do judaísmo. O rabino olhou-o por instantes e respondeu sem hesitar: “Ama o próximo como a ti mesmo. Agora vai e pratica o que aprendeste.” A mesma máxima, repetida posteriormente por Jesus, pode ser encontrada na Bíblia hebraica, no livro de Levítico.
A grande separação das águas, no entanto, acontece quando teólogos judeus e cristãos são forçados a debater o papel de Jesus enquanto Messias. Para os judeus, o Nazareno é um rabino que seguiu a senda de outros nomes grados da história do judaísmo, mas que nunca quis formar uma religião à parte – mas sim reformar por dentro, levando os judeus do seu tempo a repensarem a sua relação com Deus. Na verdade, a separação entre o judaísmo e os seguidores de Jesus acontece posteriormente, quando Saulo de Tarso (São Paulo) transforma em religião distinta o que até então era apenas uma seita judaica.
Apesar da existência de movimentos messiânicos , onde judeus assumem a sua crença em Jesus enquanto messias, a questão da divindade de Cristo assume-se como a barreira inexpugnável entre as duas visões.
Mas o judaísmo de Jesus não é apenas um tema de debate teológico. A essência transbordou também para a literatura. Em “Ulisses”, James Joyce coloca o seu personagem principal, o judeu irlandês Leopold Bloom, em confronto com um antisemita cristão nas ruas de Dublin. Nesta parábola carregada de simbolismo, o antisemita, tal como o ciclope enfrentado por Ulisses, tem apenas um olho. Às invectivas, Bloom responde perante a ira incontida do seu interlocutor: “Mendelssohn era judeu, como Karl Marx e Mercadante e Spinoza. E o Salvador era judeu e o seu pai era judeu. O teu Deus era judeu. Cristo era judeu, como eu.”
Um dos primeiros teólogos judaicos a abraçar o judaísmo de Jesus foi o rabino americano Stephen S. Wise, que num artigo intitulado “The Life and Teaching of Jesus the Jew”, datado de Junho de 1913, escreveu: “Nem protestos cristãos nem lamentações judaicas podem anular o facto de que Jesus era judeu, um hebreu dos hebreus.”

Notas
Para uma visão mais aprofundada do “cristianismo histórico” de um ponto de vista judaico, aconselho a leitura de Rabbi Yeshua ben Yosef’s “New Testament”, um trabalho interessante e obviamente polémico.

Festas Felizes
Aqui ficam os votos de uma quadra feliz para todos quantos têm passado aqui pela Rua da Judiaria. Assinalando a data, nesta antevéspera natalícia, esta prosa sobre Jesus, visto da margem de cá do rio das religiões.

*(Este post é uma versão “interactiva” de um trabalho deste vosso escriba publicado na edição de hoje da revista FOCUS)

O Véu, o Kippah e a Cruz

Já muito se escreveu em torno do debate teórico da laicidade ligada à questão do véu islâmico em França. Ontem Pacheco Pereira, no seu Abrupto dava voz a vários leitores com interessantes perspectivas sobre o tema. Mas uma coisa é a discussão académica acerca do “equilíbrio entre Liberdade e a Igualdade”, como ali escrevia Ricardo Peres, num comentário bastante interessante. Outra são as reais implicações que advém da proibição exercida com força de lei – uma atitude “autoritária e tipicamente jacobina”, como escreveu Pacheco Pereira alguns dias atrás no Abrupto, uma leitura com a qual concordo (ver também uma excelente análise de Luís Carmelo no Miniscente).
Agora, o relatório da comissão Stasi vem propor a interdição por via legislativa, total e compulsiva, do uso de “símbolos religiosos ostensivos” nas escolas francesas. Véus islâmicos, kippot judaicos e “crucifixos de grandes dimensões” são banidos em nome da “integração”.
Como ponto de partida argumentativo, não faz o mínimo sentido comparar a cruz usada num fio de ouro ou prata com um véu islâmico (hidjab) ou com o kippah judaico. Ao contrário do crucifixo, usado pelos cristãos meramente como adorno, a hidjab e o kippah são obrigações religiosas para muçulmanas e judeus. Tal como o é, por exemplo, o turbante sikh – sim, bem sei que as motivações aqui são outras e os sikh, coitados, até nem são fundamentalistas… mas usar fundamentalismos e integrismos islâmicos como argumentos justificativos para esta proibição é passar verdadeiramente ao lado da questão central criada com esta medida: uma maior insularização (agora forçada) de comunidades já de si marginalizadas.
É essencial integrar os emigrantes, instilando-lhes os valores da sociedade francesa”, disse o ministro dos Assuntos Sociais francês, François Fillon, justificando o seu apoio às conclusões do relatório.
Na prática, o raciocínio de Fillon não anda muito longe – pelo menos em espírito – das políticas de integração desenvolvidas pelo governo australiano em relação aos aborígenes nas décadas de 40 e 50, ou da assimilação forçada por que passavam os nativos americanos e os emigrantes no final do século XIX nos EUA. Era nesse mesmo contexto que a World’s Columbian Exposition, realizada em Chicago em 1893, se proclamava como “the first expression of American thought as unity”, simbolizando a unificação e uniformização da cultura americana.
Salvaguardadas as distâncias, a conclusão contida no relatório Stasi, obrigando à secularização sob pena de expulsão, é equiparável às medidas inquisitoriais por que foram obrigados a passar os judeus portugueses e espanhóis no século XV. «La question n’est plus la liberté de conscience mais l’ordre public», assenta o relatório francês, uma frase justificativa que podia ser recuada cinco séculos mantendo todo o seu contexto.
Ao contrário do que diz o ministro Fillon, estas proibições não contribuem para qualquer tipo de integração. Forçados a escolher entre a escola secular e a religião, a escolha para aqueles que o relatório visa será sempre óbvia: a religião.
Para compreender isto é necessário perceber o que estes “símbolos religiosos” representam para aqueles que os usam. E aqui vou resumir-me apenas ao que conheço de causa própria, o judaísmo.
Para um rapaz judeu oriundo de uma família ortodoxa “praticante” – e ortodoxos são a esmagadora maioria dos judeus que vivem fora dos Estados Unidos, incluindo os portugueses – usar o kippah é uma obrigação. É um mandamento. Do ponto de vista bíblico, apenas aos sacerdotes do Templo (Kohanim) era requerido que cobrissem a cabeça. Mas o uso de kippot tornou um costume obrigatório que os homens judeus cumprem há quase 2 mil anos. A própria Halakhah (a Lei Judaica) diz: “é proibido andar quatro cúbitos sem cobrir a cabeça.”
No chamado mundo ocidental é costume descobrir a cabeça em sinal de respeito. No judaísmo, cobrir a cabeça é um sinal de respeito. O Talmude sustenta que o propósito do uso de kippot é funcionar como uma recordação constante que Deus está “sobre nós” (Tratado Kiddushin 31a). Acções externas criam consciência interna e o uso de algo simbólico e tangível “sobre nós” reflecte nos homens judeus o sentimento interior de respeito por Deus.
À parte de toda a discussão do estatuto da mulher no Islão (que considero igualmente fundamental, mas que, a meu ver, não cabe neste contexto), é também desta forma que a hidjab deve ser enquadrada, pelo menos enquanto prática religiosa islâmica.
Percebendo isto mesmo, ainda antes de se saber que a comissão Stasi iria propor igualmente a interdição do uso do kippah, o rabino chefe de Paris, rav Joseph Sitruk juntara já a sua voz ao coro daqueles que protestavam contra qualquer disposição legal que proibisse a hidjab islâmica.
Se Jacques Chirac aceitar agora os conselhos da comissão Stasi, o resultado prático destas proibições será um resurgimento acentuado de escolas privadas, islâmicas e judaicas, onde as crianças agora visadas crescerão de forma totalmente isolada e exponencialmente insular. Esta tendência começou já a dar sinais em França, com o aparecimento recente da primeira escola secundária islâmica, em Lille.
O problema maior reside aqui no facto da comissão Stasi ter decidido com base no preconceito. Em sociologia chama-se a isto “orientalismo manifesto”, uma visão neocolonialista do “outro”, transplantada agora para as entranhas da “Metrópole” (ver Edward Said’s Orientalism: a Brief Definition).
Acerca disto o recém falecido Edward Said escreveu:

“For every Orientalist, quite literally, there is a support system of staggering power, considering the ephemerality of the myths that Orientalism propagates. The system now culminates into the very institutions of the state. One would find this kind of procedure less objectionable as political propaganda – which is what it is, of course – were it not accompanied by sermons on the objectivity, the fairness, the impartiality of a real historian, the implication always being that Muslims and Arabs cannot be objective but that Orientalists. . .writing about Muslims are, by definition, by training, by the mere fact of their Westernness. This is the culmination of Orientalism as a dogma that not only degrades its subject matter but also blinds its practitioners.”

O grande desafio das sociedades modernas reside na capacidade de sobreviver nos moldes da diversidade, e na definição da palavra tolerância não cabe esta interdição.

Exílio

Sophia de Mello Breyner Andresen

Quando a pátria que temos não a temos
Perdida por silêncio e por renúncia
Até a voz do mar se torna exílio
E a luz que nos rodeia é como grades

Sophia de Mello Breyner Andresen

Os Judeus de Cabo Verde

A Congregação Har Shalom, nos arredores de Washington DC, vai acolher no próximo domingo, dia 14, uma conferência sobre os judeus de Cabo Verde. Carol Castiel, jornalista da Voz da América e investigadora de genealogia sefardita, irá apresentar as conclusões de um dos seus estudos sobre a mais recente das comunidades judaicas de Cabo Verde, composta maioritariamente por famílias originárias de Marrocos e Gibraltar que se fixaram no arquipélago em meados do século XIX. A conferência tem a chancela da Jewish Genealogy Society of Greater Washington. Já agora, aqui vai a morada da Congregação Har Shalom, para quem estiver aqui deste lado do mundo e por lá quiser passar: 11510 Falls Road, Potomac, Maryland.
Um artigo interessante sobre a história mais remota dos judeus de Cabo Verde e da costa da Guiné – e as suas ligações aos judeus portugueses – pode ser lido aqui.

“Falhanço Miserável”

Quem no Google fizer uma busca com a expressão “miserable failure” encontrará à cabeça dos resultados um link directo para a biografia oficial do Presidente George W. Bush, alojada no site da Casa Branca. Pessoalmente não me parece de todo descabido. Mas, aparentemente, o motor de busca não faz análise política por iniciativa própria e terá sido necessária a ajuda de centenas de membros da blogosfera americana e britânica, que com um bombardeamento de links conseguiram manipular os resultados do Google. A BBC NEWS explica como tudo aconteceu. Já agora, a expressão “miserable failure” aplicada a Bush foi cunhada por Richard Gephardt, ex-speaker da Câmara dos Representantes e um dos 9 presidenciáveis do Partido Democrata. Apesar da sua candidatura não ir a lado nenhum, pelo menos a expressão, essa, é um sucesso.