“Por motivos diferentes, muitas mulheres optam por interromper a gravidez, abortando o feto que têm em seu ventre. Há certas ocasiões em que as razões que as levam a esta decisão são de carácter económico, porque o casal, ou a pessoa, considera que não tem os meios necessários para manter a criança que iria nascer, tomando em conta as exigentes necessidades que a nossa sociedade impõe aos seus membros. Outras pessoas optam pelo aborto porque consideram que emocionalmente não podem enfrentar todas as implicações que significa trazer um ser humano a este mundo. Certas sociedades modernas estimulam o controlo da natalidade por considerarem que não podem solucionar os problemas que um aumento de população representa. Um dos métodos de controlo é o aborto.
Toda a mulher deve poder decidir por si própria o que deseja fazer com o seu corpo. O Talmude afirma: “Úbar yérej imó”, que significa que o feto faz parte do corpo da mulher e por isso carece de individualidade própria. Por exemplo, no caso da conversão de uma mulher grávida ao judaísmo, a conversão é igualmente válida para o bebé quando nasce.
O Talmude considera também o facto do feto poder ameaçar a vida da mãe. Em tal eventualidade, interrompemos a gravidez para salvar a vida da mãe. Rambam [rabino Moshe ben Maimon, conhecido como Maimonides (1135-1204)] menciona que o feto pode ser considerado como rodef (perseguidor) nos casos em que ponha em perigo a vida da mãe. Segundo outras apreciações [outros comentadores e talmudistas] se conclui que não se pode qualificar o feto de rodef por este carecer de vontade própria e não ter a faculdade de poder escolher livremente a sua conduta.
Agora, podemos afirmar que o feto é uma criatura à parte e independente da sua mãe? Ou talvez considerar o feto, antes do seu nascimento, como uma espécie de órgão adicional da mãe. O Talmude ensina que se lhe proporciona uma alma ao embrião no momento da concepção. É claro que, segundo o Talmude, o feto possui individualidade e, por isso, é um ser aparte da mãe, e não pode ser considerado como um outro órgão da mesma forma. O Talmude refere-se ao embrião durante os primeiros quarenta dias de gestação como mayá beamá, que quer dizer “simplesmente água’. Podemos deduzir que até este momento não se considera o embrião como um ser humano em todo o sentido. Mas tão pouco se implica que deixemos de apreciar que estamos frente a uma vida humana em potência.
O factor determinante é sem dúvida a saúde e o bem estar da mãe.
Nos casos em que o feto tem deficiências genéticas a nossa tradição desaconselha o aborto porque não existe a certeza da falha que se aprecia não pode ser corrigida no futuro. E que diferença terá para nós o conceito de vida de um ser que tem deficiências com um que não tem?
Teremos sempre em conta os efeitos negativos que um bebé nestas circunstâncias pode trazer para à mãe, se a mãe afirma e decide que não quer dar à luz um filho com sérias deficiências mentais ou físicas e isso será motivo para o seu desespero, aqui se pode pensar na possibilidade de fazer um aborto, pois a nossa responsabilidade primária tem a ver com a saúde e o bem estar do ser humano integro, que neste caso é a mãe.”
In “Reflexões Sobre o Aborto” (1991), Luz – Textos e Depoimentos (Âncora, 2001), uma recolha de escritos de Abraão Assor, rabino da comunidade judaica de Lisboa de 1941 a 1993.
Em termos gerais, tal como escreveu o saudoso rabino Abraão Assor neste texto que transcrevemos, a Halacha (Lei Judaica) não só permite o aborto, como em algumas circunstância exige a interrupção da gravidez. Acima de tudo, norteada pelo princípio da responsabilização individual – um princípio central do judaísmo –, a tradição judaica coloca a decisão na esfera familiar e, por vezes, comunitária.
Historicamente, nos países onde a interrupção voluntária da gravidez se tem assumido como tema político de clivagem – especialmente nos EUA –, as comunidades judaicas têm manifestado uma oposição unânime à restrição do aborto por via legislativa. Os três principais ramos do judaísmo moderno (ortodoxo, conservador e reformado) defendem que a discussão do aborto pertence apenas e exclusivamente às mulheres e famílias afectadas, e não deve ser motivo de regulamentação legislativa ou demagogia política.
Mesmo assim, nos últimos anos, surgiram algumas correntes anti-aborto no seio de movimentos judaicos ultra-ortodoxos, influenciados em grande medida pela forma como o tema tem elevado a importância política de movimentos idênticos na direita cristã. A pressão de alguns partidos religiosos ultra-ortodoxos em Israel, por exemplo, fez com que as dificuldades económicas deixassem de constar da lista de razões legalmente reconhecidas para que uma mulher podesse recorrer ao sistema nacional de saúde para abortar. Ainda assim, em Israel a interrupção voluntária da gravidez continua a ser legal – gratuita ou com custos moderados –, com algumas restrições consideradas “meramente formais” (ver Abortion in Israel: Terms of Termination).
1 de Maio, Créteil: São arremessadas pedras contra a sinagoga local (Synagogue du 8 Mai 1945). Um rabino que se dirigia à sinagoga acompanhado do seu filho menor é atacado por dois homens. Chamam-lhe “judeu sujo” e espancam-no com golpes na cara e no estômago. / 4 De Maio, Metz: Dois jovens judeus são atacados por cinco jovens de origem magrebina quando regressavam de um jogo de futebol. São alvo de insultos antisemitas e espancados com uma barra de ferro. Dois dos atacantes são detidos pela polícia. Um deles é libertado poucas horas depois. / 8 de Maio, Paris, 10° Arrondissement, Rue Saint-Martin: Um jovem de origem magrebina grita insultos antisemitas a pessoas que entram numa sinagoga e lança uma garrafa de cerveja, ferindo na cabeça um judeu de idade avançada. / 10 de Maio, Metro de Paris: A inscrição “Judeus – Criminosos – Nazis” é pintada nas paredes de um túnel. / 22 de Maio, Aubervilliers: Dois irmãos judeus são agredidos e insultados no parque de estacionamento do escritório onde um deles trabalhava. Chamando-lhes “porcos judeus”, o agressor ameaçou voltar com “50 amigos” : “Juro pelo Corão de Meca que te vou matar.” / 15 de Maio, Yerres: A inscrição “Morte aos Judeus” foi pintada num carro pertencente a um judeu. O carro tem sido regularmente vandalizado na garagem do prédio onde a vítima reside. / 27 de Maio, Paris, 19° Arrondissement: duas raparigas judias foram cercadas, insultadas e agredidas por um grupo de 14 rapazes e raparigas de origem magrebina. / 30 de Maio, Boulogne-Billancourt: Um adolescente judeu, de 16 anos, filho de um rabino é atacado e insultado por um grupo de 5 homens. Agredido violentamente, o jovem sofre contusões múltiplas e parte uma costela. / 4 de Junho, Epinay-sur-Seine: Um jovem judeu é esfaqueado momentos depois de ter saído de uma Yeshiva (academia religiosa judaica). O agressor grita “Allah Ouakbar” (“Deus é Grande” em árabe) enquanto o esfaqueia. / 6 de Junho, Paris, 19° Arrondissement: uma mulher sentada numa esplanada é agredida por um homem que lhe chama “porca judia”. Esmurra-a na cara e parte-lhe o nariz. / 6 de Junho, Paris, 17° Arrondissement: Uma mulher de 20 anos caminhava para uma estação de metro quando é cercada por 7 jovens de origem magrebina. Chamam-lhe “porca judia”, cospem-lhe na cara e atiram-lhe pedras à cabeça. Ela consegue escapar, mas tem medo de apresentar uma queixa formal à polícia. / 7 de Junho, Charenton-le-Pont: As portas de vários apartamentos pertencentes a judeus são vandalizadas com graffiti antisemita: suásticas, “morte aos judeus”, “matem os judeus” e “vamos matar a vossa raça”. / 19 de Junho, Saint-Ouen: Jovens de origem magrebina insultam uma rapariga judia que caminhava ao lado do irmão. Quando o irmão a tenta defender, chamam-lhe “porco judeu” e agridem-no com uma paulada na cabeça. Um dos agressores é condenado a seis dias de prisão. / 27 de Junho, Avenue Jean Jaures, 19° Arrondissement: Dois judeus religiosos e uma criança de 8 anos são atacados por dois homens de origem magrebina numa moto. A criança é atropelada e sofre ferimentos graves no rosto e no peito. / 29 de Junho, Paris, Rue de Flandres, 19° Arrondissement: Um grupo de jovens é atacado por homens que lhes cortam o caminho com um carro. A maioria dos jovens consegue fugir, mas um deles é violentamente agredidos à paulada. Os agressores gritam “porco judeu”. O jovem fica inconsciente. / 1 de Julho, Amiens: Dez suásticas são pintadas nas paredes da Rue des Juifs, no bairro de Arquèves. / 1 de Julho, Rue de Buisson, 20° Arrondissement: A parede exterior de um edifício de habitação é vandalizada com a inscrição “porcos judeus: o prédio inteiro quer que se vão embora”. / 7 de Julho, Bordéus: a frase “Morte aos Judeus” é inscrita na parede de uma loja propriedade de uma família judia. / 11 de Julho, Paris, 20° Arrondissement: Vândalos pintam uma suástica no centro de uma Estrela de David num parque de estacionamento residencial. / 10 de Agosto, Lyon: O cemitério judaico é vandalizado, com cerca de 60 campas pintadas com suásticas. Esta foi a terceira vez que o cemitério foi vandalizado desde Maio passado.



O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou hoje uma versão diluída de uma resolução que dá 
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