19 de Abril de 1506 – 19 de Abril de 2006

Os 500 anos do massacre de Lisboa

Peço aos meus leitores que vão hoje à Baixa de Lisboa e no Largo de São Domingos, ao Rossio, a partir das 19 horas, acendam uma vela simbólica por cada uma das vítimas. Quatro mil velas que iluminem a memória.

::ADENDA:: Gostava de agradecer a todos os que contribuíram, dentro e fora da blogosfera, para que esta iniciativa de resgate da Memória extravasasse as limitadas fronteiras deste blog. A todos, um sentido obrigado!

A Memória e o esquecimento


Se existe um único tema que domina todos os meus escritos, todas as minhas obsessões, é a memória – porque tenho tanto medo do esquecimento quando do ódio ou da morte. Esquecer, para um judeu, é negar o seu povo – e tudo o que ele simboliza – e também negar-se a si próprio. Daí o meu desejo de não esquecer nem de onde venho nem o que influenciou as minhas opções: as paisagens assombradas da minha infância; a terra de maldição onde num instante as crianças se transformavam em velhos; as pessoas que conheci ao longo desse caminho.
Lembrar… lembra-te que foste escravo no Egipto. Lembra-te de santificar o Shabbat… Lembra-te de Amalek, que quis aniquilar-te… nenhum outro mandamento bíblico é mais persistente. O judeus vivem e crescem sob o signo da memória. (…) Ser judeu é lembrar – reclamar o nosso direito à memória bem como o dever de a manter viva.
Através do passado recente encontro-me com as minhas origens distantes, retornando a Moisés e Abraão. É também em seu nome que eu comunico a minha busca. Quando um judeu reza, as suas orações enlaçam-se às de David e do Besht. Quando um judeu desespera, é a tristeza de Jeremias que o faz chorar. A memória dos judeus ganha força na memória do seu povo e, para além dela, da humanidade.
Porque a memória é um bem: cria laços em vez de os destruir. Laços entre o presente e o passado, entre indivíduos e grupos. É por me lembrar do nosso princípio comum que me aproximo dos meus semelhantes, de todos os seres humanos. É por me recusar esquecer que o seu futuro é tão importante quanto o meu. Que seria o futuro da humanidade se fosse desprovido de memória?”

Elie Wiesel, prémio Nobel da Paz, retirado do prefácio do livro “From the Kingdom of Memory”, Summit Books, New York, 1990.

Quando pedi aos meus leitores que fossem ao Rossio para lembrar simbolicamente as quatro mil vítimas do massacre de 19, 20 e 21 de Abril de 1506, nos dias em que passam 500 anos sobre o acontecimento – de forma absolutamente voluntária e desprovida de uma qualquer estrutura ou “organização” – nunca imaginei que poderia ser intimado a explicar-me e a expor as razões subjacentes a tal iniciativa.
Tal como Elie Wiesel, tenho medo do esquecimento. O apelo que fiz aos meus leitores foi desencadeado pela percepção de que a data iria passar completamente despercebida. Que os mortos de há 500 anos iam ser esquecidos. Não há comemorações oficiais; não há lançamento de livros, artigos de jornal ou reportagens de televisão. Confesso que – talvez por ingenuidade minha, talvez por teimar em acreditar na bondade humana – parti do princípio que o meu apelo nada tinha de polémico ou controverso: Exactamente 500 anos depois de 4 mil pessoas terem sido chacinadas em Lisboa, pedi aos meus leitores que as lembrassem acendendo uma vela no Rossio, um dos locais emblemáticos do massacre, onde durante três dias milhares de cadáveres arderam em fogueiras improvisadas. Escrevi: “que no dia 19 de Abril vão à Baixa de Lisboa e no Rossio acendam uma vela simbólica por cada uma das vítimas. Quatro mil velas que iluminem a memória.”
Reparo agora que até a questão das velas foi mal interpretada. Para mim, o significado das velas nunca foi nem o de romaria, cerimónia religiosa, expiação de pecados ou pedido de desculpas. Pode até ser uma questão cultural, reconheço, mas para mim, neste caso, o significado das velas é apenas um: lembrar os mortos. No judaísmo, o aniversário da morte de alguém é recordado anualmente acendendo uma vela em sua memória – em hebraico, a palavra ór (אור) significa simultaneamente luz e chama e, de forma metafórica, também conhecimento e memória. Ao pedir que fossem acesas velas em memória dos mortos de 1506 nunca tive em mente uma cerimónia religiosa – que religiosidade terá o gesto equivalente de colocar flores na campa de alguém? Por isso mesmo, por não considerar as velas como parte de uma celebração religiosa, pedi depois aos meus leitores religiosos (judeus) que recitassem Kaddish, a oração judaica em memória dos mortos.
Para mim, acima de tudo, o importante era não esquecer. O importante era lembrar os três dias que há 500 anos encheram de sangue as ruas de Lisboa. O importante era lembrar as vítimas. Afinal, a habitual leitura “hagiográfica” da História de Portugal tende a simpatizar com os números redondos e gordos que marcam a passagem dos séculos sobre eventos que lhe ditaram o rumo. Ainda assim, os 500 anos do massacre de Lisboa corriam o risco de ser esquecidos. Uma vez mais.
Não tenho ilusões quanto à dimensão do blog. Apesar dos cerca de 1500 leitores diários, este blog não deixa de ser apenas um recanto ínfimo do ciberespaço. Mas também é tendência inata da blogosfera a capacidade de transbordar para fora de si própria – e por isso não me admirei quando comecei a receber emails de jornais, portugueses e estrangeiros, que me pediam comentários sobre a iniciativa e sobre o aniversário do massacre. Nunca foi minha intenção arvorar-me em porta-voz das comunidades judaicas de Lisboa, dos judeus em geral, dos marranos descendentes das vítimas. Nunca reclamei para mim a exclusividade da tentativa de perpetuação da memória. A iniciativa que propus aos meus leitores, pelo menos para mim, sempre foi simples e translúcida: um gesto simbólico e individual, desprovido de qualquer carácter oficial ou de estrutura (religiosa ou política), propositadamente sem uma organização definida. Ninguém é obrigado a acender uma vela, tal como ninguém é obrigado a ler o blog. O desafio, para mim, era um desafio à memória.
No Quase em Português, Lutz Brückelmann propôs um debate sobre a comemoração do massacre e, mais especificamente, sobre a minha proposta. O resultado, a meu ver, foi imensamente triste. Como um pescador sentado à beira de um lago aparentemente calmo, Lutz lançou o isco que provocou um feeding frenzy, um frenesi que trouxe à tona o que se ocultava sob as águas.
Choveram comentários extemporâneos, os odiozinhos do costume, as acusações gratuitas – “eles só se preocupam com os judeus” (não são organizações judaicas que estão hoje à cabeça da tentativa de fazer com que o mundo não esqueça o genocídio em Darfur? Não foram os judeus o único grupo étnico que participou activamente ao lado dos negros durante a luta pelos direitos cívicos nos EUA da década na 60?); “se há coisa que os judeu não têm é autocrítica” (não são judeus Hannah Arendt, Susan Sontag, Norman Mailer, Philip Roth, Benny Morris, e até Noam Chomsky ou mesmo o execrável Norman Finkelstein, cuja obra é leitura obrigatória para qualquer neo-nazi que se preze?)…
Por tudo o que este “debate” encerra, por todo o ódio que pôs a nu, por todas as “teorias de conspiração”, por toda a ignorância, maldade e sobranceria, o maior mérito que teve foi o de mostrar – provar mesmo – a necessidade absoluta e irredutível da memória.
O assinalar do 250o aniversário do terremoto de Lisboa de 1755, em Novembro passado, não levantou em ninguém este tipo de questões (nem devia ter levantado, obviamente). Ninguém correu para os teclados a debitar prosa rancorosa nos comentários dos blogs; ninguém clamou “mas isso foi há tanto tempo, precisamos é esquecer” ou “… e então os terremotos do Irão e da Turquia, o ‘tsunami’ do Sudoeste Asiático ou as vítimas do Katrina?”; ou sequer “é preciso recordar também todas as vítimas de todas as catástrofes naturais ocorridas na história desde os tempos do Dilúvio até à desastrosa resposta da Administração Bush à tragédia do Katrina.” Ninguém se sentiu manipulado. De cabeça, lembro-me que houve extensos artigos na Imprensa, livros, reportagens de televisão, cerimónias oficiais, missas e procissões em memória das vítimas de 1755. Tudo isto sem que o relembrar desta fracção de memória fosse vista como uma qualquer maquiavélica maquinação. Mas uma tentativa semelhante para lembrar os mortos do massacre de 1506, aparentemente e para muitos, terá sempre “outra carga” – mesmo quando a data não é assinalada oficialmente; mesmo que a esmagadora maioria dos portugueses a desconheça; mesmo quando muitos apenas a descobriram recentemente, através da leitura de um notável romance histórico escrito por Richard Zimler, um judeu americano que mora em Portugal.
Em relação ao “debate”, subscrevo inteiramente o que escreveu Francisco José Viegas:

“Não estou na disposição de discutir com ninguém a ideia de eu acender uma vela em homenagem às vítimas do Pogrom de 1506 e da Inquisição portuguesa. Eu vou. Não obrigo ninguém a ir. Não exijo que ninguém vá. Pedi a alguns amigos que me acompanhassem. A minha decisão é puramente individual, e quando escrevo «nós vamos» refiro-me aos que vão e querem ir. Portanto, não estou disposto a discutir aquilo que a minha liberdade individual e as minhas opções e crenças me levam a fazer.
Aliás, não entendo nem a natureza da discussão nem o seu objectivo.”

O meu amigo Lutz Brückelmann tem razão e a sua conclusão certeira deixa-me francamente desgostoso (algo que ele também antecipou): nada disto teria acontecido se os mortos não fossem judeus portugueses; se este desafio à lembrança e à preservação da memória não tivesse sido feito por um judeu; caso não tivesse partido de um blog marcadamente judaico escrito por um judeu. Esta “questão” não existiria (nunca!) se eu não fosse quem sou…

::A LER:: posts sobre o tema e a “polémica”: Miniscente (Luís Carmelo) / A Origem das Espécies (Francisco José Viegas) / Adufe (Rui Cerdeira Branco) / Povo de Bahá (Marco Oliveira) / A Memória Inventada (Vasco) / Os Tempos que Correm (Miguel Vale de Almeida) / Renas e Veados (Boss) / O Amigo do Povo (Bruno Cardoso Reis) / O Amigo do Povo (João Miguel Almeida) / O Amigo do Povo (Ana Cláudia Vicente) / Bombyx Mori (Afonso Bivar) / Ma-Schamba (José Pimentel Teixeira) / Água Lisa (João Tunes) / Local & Blogal (António Baeta Oliveira) / Planície Heróica (Francisco Nunes) / Almocreve das Petas (Masson)

…lista ainda em actualização.

Blasfémia

Yehuda Amichai

Olho por olho,
O teu corpo pelo meu.
Abertos:
A Arca, o teu mistério
A minha boca.

Yehuda Amichai (1924-2000), poeta israelita.

Um poema “blasfemo” de Amichai, ideal para assinalar aqui o segundo aniversário do Blasfémias, um blog incontornável, polémico, irreverente, bem escrito e, por vezes, deliciosamente irritante. Que dure por muitos e bons anos. Parabéns! מזל טוב

Leituras

1. No seu excelente blog Saudi Jeans, Ahmed conta a visita que fez à Feira Internacional do Livro de Riad. Escrito por um jovem estudante universitário saudita, um muçulmano moderado, que defende a igualdade de direitos das mulheres e a tolerância para com outras culturas e religiões, Saudi Jeans é uma leitura obrigatória para quem tem aspirações a conhecer “o outro lado” e as vozes moderadas que, no mundo árabe, se vão levantando contra o extremismo fundamentalista. O interessante relato da Feira do Livro da capital saudita pode ser lido aqui: Saudi Jeans: Riyadh International Book Fair e Saudi Jeans: The Crappy Show

2. Num registo diferente, Alexandre Soares Silva resolve recorrer a programas de tradução automática disponíveis na net para traduzir Camões. Os resultados, ajudados pelo engenho e arte do escritor brasileiro, são absolutamente geniais. Um texto não aconselhável a quem não tem sentido de humor. Para ler aqui: Alexandre Soares Silva: My soul candy, mon bonbon d’âme

Feliz Ano Novo… e obrigado!

Apesar de por estas bandas o Ano Novo (ראש השנה) já ter começado há quase três meses, o final do ano 2005 da Era Comum traz inevitavelmente um sentimento de final de ciclo que convida ao balanço. A encerrar o ano, quero agradecer em primeiro lugar a todos os leitores que por aqui vão passando diariamente. Um muito obrigado também aos blogs que insistiram em colocar a Rua da Judiaria nas respectivas lista de preferências para o ano que agora encerra, nomeadamente ao Portugalidades (Luís Miguel Rocha), ao Almocreve das Petas (Masson), Ma-Schamba (José Pimentel Teixeira), Contra-indicado (José Nunes), Forum Comunitário (Walter Rodrigues), Anjos e Demónios (Patrick Blese), A Peste (Jorge Vaz Nande), Sob a Estrela do Norte (Homem das Neves), A Barriga de um Arquitecto (Daniel Carrapa), Francisco del Mundo, Malaposta (Alvarinho Castro), Tugir (Luis Novaes Tito e Carlos Manuel Castro), Duelo ao Sol (Harry Madox) e New Zionist (Yoav). Para mim, e de uma forma estritamente pessoal, 2006 será um ano de profunda mudança – quanto mais não seja, de geografias. Depois de exactamente 10 anos a viver em Los Angeles, no final de Janeiro mudo-me para Nova Iorque, trocando definitivamente o sol eterno da Califórnia pela neve da Big Apple. “Start spreading the news, I’m leaving today…
Feliz Ano Novo!

(em actualização…)

Um pássaro sem nome

Emmanuel Moses

9.

Ele dissera: vou reconstruir tudo
A cidade com areia
O céu com um pouco de azul da Prússia
Os nervos com linhas de costura

Ele dissera: o coração não morrerá
E ao anoitecer, pássaros sombrios escapavam
Do braseiro.

Emmanuel Moses, poeta israelita.
Poema do livro OPUS 100 (1996).

Este poema, escrito por um dos meus poetas contemporâneos preferidos, é dedicado a Lutz Brückelmann, autor de um dos meus blogs favoritos, pelo segundo aniversário do seu imprescindível Quase em Português.

Dois anos na Rua da Judiaria


Rua da Judiaria, em Almada, fotografada por Fernando Fragata.

A Rua da Judiaria nasceu há precisamente dois anos. O parto de 27 de Outubro de 2003 foi complicado, confesso; era o resultado de meses de gestação e contemplações, decisões e rescisões, avanços e recuos. As minhas dúvidas iniciais eram básicas: Que poderia eu fazer com um blog? Que ganhariam os outros em ler as minhas prosas? Hoje, precisamente 730 dias e quase meio milhão de leitores depois, a Rua da Judiaria ultrapassou todas as minhas expectativas – especialmente por ser um blog, por opção, obrigado a seguir o estreito carreiro ditado por uma temática que à partida poderia parecer restritiva. O constante interesse dos leitores, e de tantos outros bloggers, sou obrigado a admitir, nunca deixou de me surpreender. A todos os que vão tendo a paciência de ler o que vou escrevendo e traduzindo, aqui fica o meu mais profundo agradecimento. Obrigado pela companhia nestes dois primeiros anos.

::ADENDA::
Aos que assinalaram o aniversário da Rua da Judiaria (com referências nos respectivos blogs ou por email), a minha gratidão.

Obrigado Lutz Brückelmann (Quase em Português) / A Origem das Espécies (Francisco José Viegas) / Abnegado (Luis Sequeira Lopes) / Adufe (Rui Cerdeira Branco) / Água Lisa (João Tunes) / Almocreve das Petas (Masson) / Amélia Pais / Anatomia Surreal (Maria Antónia) / O Anti-Tuga / O Arco da Velha (Francisco Pacheco Craveiro) / Arco do Cego (João Gundersen) / A Arte da Fuga / (Adolfo Mesquita Nunes) / Assumidamente / Atuleirus (Nelson Lourenço) / Aurélio Matos Simões / A Barca de Lyra / Bitaites (Marco Santos) / Blasfémias (Gabriel Silva e Carlos Abreu Amorim) / Blogame Mucho (Lolita) / BlogOperatório (José Teófilo Duarte) / bl-g-x-st- (João Pinto e Castro) / Bomba Inteligente (Carla Hilário de Almeida Quevedo) / A Bordo (Fernando Macedo) / C.Indico / Catalunya@large (Nuno Vargas) / Clara Mente (Gabriel Canhoto) / Click Portugal (Francisco) / Cibertúlia (Miguel Marujo) / Cocanha (Zazie) / Contra Capa (Riquita) / Contra-indicado (José Nunes) / Contemplamento (Abrunho) / A Cooperativa (Diogo Torgal) / Crónicas Matinais (Ana Albergaria) / A Cidade Surpreendente (Carlos Romão) / Daedalus (Francisco Curate) / Descrita (João Monge) / desNorte (H.V. Araújo) / A Destreza das Dúvidas (Luís Aguiar-Conraria) / Días Estranhos (Martin Pawley) / Eliana Zuckermann / Estafardanas (Isabel Paulos)/ Faccioso (António Torres) / Flores e Abelhas / A Fonte (Mário Almeida) / Food-I-Do (Altino Torres Ferreira) / Forum Comunitário (Walter Rodrigues) / Francisco del Mundo / Fumaças (João Carvalho Fernandes) / Geosapiens / Gabriela / Grande Loja do Queijo Limiano (Ninno) / Henrique Cabral da Silva / Guarda-Factos / Homem a Dias (Alberto Gonçalves) / O Homem do Leme (João Melo Alvim) / Ideias Soltas (Carlos Araújo Alves) / Imbricações II (Stela Polaris) / Os (In)separáveis (J.J.) / O Insurgente (Miguel Noronha) / jardim de luz (M.C.) / Joana Rabinovitch / Joaoscottex (João) / Jornada 2.0 (Filinto Melo) / José Rocha / Judeus em Terras de Algodres (Albino Cardoso) / O Jumento / Laços Azuis / Laranja com Canela / Letteri Café (Alberto Lyra) / Linha de Cabotagem (Helena F. Monteiro) / Linha dos Nodos (DL) / Local & Blogal (António Baeta Oliveira) / Ma-Schamba (José Pimentel Teixeira) / Malaposta (Alvarinho Castro) / Marcos Weiss Bliacheris / Margens de Erro (Pedro Magalhães) / Maria João Eloy / Mauro Castro / Miniscente (Luis Carmelo) / Miss Pearls (Isabel Matos Ferreira) / Memória Virtual (Leonel Vicente) / Mondo Piccolo (Ninno) / A Montanha Mágica (Luís) / Muito Cá de Casa / A Natureza do Mal II (Luís Januário) / Nese-Nese (António Eubozeno) / Netescrita (Emília Miranda) / Nova Floresta (Luís Bonifácio) / O Observador (André Abrantes Amaral) / Office Lounging (Luís A. Silva) / O Olho do Girino (Miguel Cardina)/ Outsider (Annie Hall) / Pantalassa (Ângelo E. Ferreira) / Paulo Dentinho / Planície Heróica (Francisco Nunes) / Parceiro Pensador (Sandra Martins Reis Pinto) / Portugalidades (Luís Miguel Rocha) / Por Tu Graal (Afonso Henriques) / Povo de Bahá (Marco Oliveira) / Prosa Caótica (Maira Parula) / Quatro Caminhos (Ana Cláudia Vicente) / A Razão das Coisas (Afonso) / Respublica (Filipe Alves) / Retorta (Mário Pires) / The Rhine River (Nathanael Robinson) / Rui Carmo / Sem Pénis, Nem Inveja (Tati) / Sob a Estrela do Norte (Homem das Neves) / Sol & Tude (Bastet) / Solvstäg (H.R.) / Sub Imo Corde (Inês) / Sub Rosa (Maria Elisa Guimaraes) / A Tasca da Cultura (O Bom Selvagem) / Tatarana (Manuel Jorge Marmelo) / Tela Abstracta (Rui Afonso) / Tomarpartido (Jorge Ferreira) / Tugir (Luis Novaes Tito e Carlos Manuel Castro) / Um Buraco na Sombra (Ana Luisa Teixeira) / Velho do Farol (Marcus Pessoa) / Uma Vida por Escrever (Elsa Ribeiro) / Viagens em Terra Alheia (Zedtee) / O Vilacondense (Alcazar, Dupond, Dupont e Haddock) / Welcome to Elsinore (Carla) / Write in Water (Igor Taam) / Zé do Boné (PequenaJoana)

(em actualização…)

Leituras

1. Invertendo a tendência corrente de transformar blogs em livros, Luís Carmelo, decidiu converter o papel em bits e bytes, transpondo para o Miniscente os 42 capítulos do seu livro O Trevo de Abel – leitura mais do que obrigatória. Autor de um dos melhores blogs de língua portuguesa, o Luís acabou de lançar também o seu site pessoal. Ainda no Miniscente, aconselho a leitura deste post: 1506-2006: pedido de desculpas e reflexão. Escrevendo sobre a aproximação do aniversário de um dos acontecimentos mais negros da História de Portugal, o Luís lança um repto que terá seguimento proximamente aqui na Rua da Judiaria.

2. No Ma-Schamba, José Pimentel Teixeira escreve sobre um tema eternamente ausente do debate político em Portugal. Para ler aqui: O Meu Voto nas Eleições Presidenciais em Portugal e O Voto dos Emigrados.

3. Por último, no excelente The Rhine River, o historiador Nathanael Robinson escreve um post bastante interessante sobre Konrad Adenauer, os judeus e a sua amizade com David Ben-Gurion. A ler ainda The Rhine River: Meet you in Deutz, onde Nathanael descobre a história deliciosa de Armando Rodrigues de Sá, um carpinteiro de Canas de Senhorim que, em Novembro de 1964, se tornou o milionésimo emigrante a chegar à Alemanha (disponível aqui em tradução automática, má mas legível, de alemão para inglês: The Millionth Guest Worker). O feito valeu-lhe uma mota, oferecida pelo governo da Alemanha Federal.

Notas da blogosfera

Leitura mais do que recomendada: A new translation of Pessoa: a review, um comentário de Zackary Sholem Berger à nova edição de uma selecção de poemas de Fernando Pessoa traduzidos para inglês por David Butler. Berger, ele próprio poeta e tradutor, parece não ter ficado muito impressionado com o resultado final. E explica porquê.

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Na mesma altura em que se anuncia a desventurada implosão do Barnabé, um lote de blogs excelentes celebrou o segundo ano de existência, garantindo a continuidade das boas leituras. Um imenso abraço agradecido para para os autores de A Natureza do Mal, Terras do Nunca, Memória Virtual, Opiniondesmaker, A aba de Heisenberg, Pantalassa e A Destreza das Dúvidas (este um primeiro aniversário com direito a retorno).
Já veterana, no outro lado do mundo, em Tóquio, a doce Fabiola Mendonça da Silva escreve o seu De Cabeça para Baixo há quatro anos (o aniversário foi a 23 de Junho e o beijo já vai muito atrasado). E já agora, e porque na Judiaria não se bloga ao Sábado, aqui ficam os parabéns antecipados para Rui Cerdeira Branco: o seu Adufe faz amanhã dois anos.
Obrigado a todos e votos de מזל טוב (parabéns e boa sorte!)

Notas da blogolândia e arredores

The Song Remains the Same é o título que Mário Pires deu à galeria online das suas fotografias dedicadas à música. Iimprescindível.

Hugo Neves da Silva lançou o projecto BlogReporters, um espaço destinado a servir de veículo ao trabalho de jornalistas (ou candidatos a jornalistas) à procura de emprego. Uma iniciativa a seguir atentamente.

O Blogo Existo, de João Pinto e Castro, fez dois anos. Um dos blogs mais lúcidos da nossa praça. Muitos parabéns!

Por último, recomendo a leitura da entrevista a Oriana Fallaci publicada ontem no Wall Street Journal, intitulada Prophet of Decline. Aos 76 anos, fragilizada por um cancro quase em fase terminal, a lendária jornalista italiana vive aqueles que poderão ser os últimos meses da sua vida envolvida num polémico processo judicial por “difamação” (vilipêndio é o termo jurídico italiano aplicado ao caso), movido por grupos islâmicos que querem ver banido o seu livro La forza della Ragione.

Dois anos de Aviz

O Aviz, de Francisco José Viegas, faz hoje dois anos. Tentei escrever este post por três vezes, ainda ontem à noite. Apaguei irremediavelmente as tentativas uma após outra. Um era demasiado íntimo, o outro muito genérico e o terceiro simplesmente mau… porque será que me custa tanto mandar um abraço escrito a um amigo? Será a saudade? Mas a saudade, afinal, o que é? Será que estar longe, por si só, a define? Será o tempo, o tempo tanto, que passou? Honestamente não sei. Poderá ser a distância, os 9.133 quilómetros de distância que nos separam. Hoje, acho que ela é não poder fazer o que seria tão natural há 10 anos: telefonar-te a combinar uma jantarada de aniversário, num restaurante mexicano, e ficar à conversa horas a fio. Catching up my friend, catching up for lost time.
Francisco José Viegas, meu judeu magnífico, parabéns pelo Aviz, muitos parabéns. E, claro, obrigado por tudo o resto.

!מזל טוב חבר

::Adenda:: Descobri isto por acaso: TSF – Francisco José Viegas, uma entrevista recente conduzida por Carlos Vaz Marques. Vale a pena ouvir o Mestre de Aviz. Na primeira pessoa.

Luís e os Mouros

Devia ser leitura obrigatória. Acabadinho de chegar às livrarias, chama-se A Viragem Profética e foi escrito por Luís Carmelo na tentativa de desvendar o presente à luz das pegadas deixadas por um passado ibérico rico em literatura profética. No seu blog em inglês, o Luís oferece-nos ainda mais uma achega, para ler aqui: Minion: Prophetic literature and war in pre-modern times (The catastrophe of the Hispanic Moriscos or a Memory without Memory). Para complementar tudo isto, e na mesma linha, regressa-se ao Miniscente para ler um poema delicioso: Crescente poético luso – 1 – As laranjas II (Ibn Sâra de Santarém). Parabéns Luís pelo excelente trabalho!

Bloguices

O Bits & Bytes incluiu a Rua da Judiaria na rubrica os “10 blogues que adoramos” publicada no passado fim-de-semana. Aqui vão os outros nove blogs destacados:

Erotismo na Cidade / Blitzkrieg / O Século Prodigioso / Webcedário / O zombie comeu o meu blog / Ene Coisas / Jaquinzinhos / Alguidar Pneumático / Ao Mirante, Nelson

Um imenso obrigado a Marco Santos pela amável distinção e parabéns aos restantes nomeados. Além de editor do Bits & Bytes, o Marco é autor do Bitaites.

Com o embalo destes destaques, aproveito também para dar os meus sinceros parabéns a um blog notável, o Almocreve das Petas, uma verdadeira instituição da blogosfera, que hoje celebra o seu segundo aniversário. De parabéns está também The Rhine River, o blog do historiador Nathanael Robinson, que completou o seu primeiro ano de existência. Congrats and keep it up!