Um século de Oscar Niemeyer


“Não é o ângulo recto que me atrai. Nem a linha recta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual. A curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos rios, nas ondas do mar, nas nuvens do céu, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o Universo. O Universo curvo de Einstein.”

Oscar Niemeyer, o judeu que ajudou a conceber a capital do Brasil, nasceu a 15 de Dezembro de 1907. Niemeyer arquitectou ainda uma outra cidade: uma metrópole de arranha-céus destinada ao deserto israelita do Negev – que nunca chegaria a ser construída.

(…) Enquanto as cidades satélites começavam a desenvolver-se em torno de Brasília, em 1964 [no seguimento do golpe militar], Niemeyer foge para Israel, onde se exila. Niemeyer viveu escondido num quarto de hotel durante largos meses, concebendo uma cidade ideal. Foi convidado a fazer projectos para um local específico, ainda assim recusou ficar confinado. Niemeyer escolheu o deserto do Negev como tábua rasa para um plano sistemático que seria agrupado em torno de uma praça central, que funcionaria como um oásis. Os residentes morariam em torres idênticas e usariam automóveis apenas para viagens de longo curso. Antecipou a construção de uma via circular em redor da cidade, à medida que esta se tornava uma unidade autónoma que poderia ser reproduzida e alargada de forma linear. Crescimento descontrolado era algo a evitar a todo o custo.”

in Oscar Niemeyer: Eine Legende Der Moderne / A Legend of Modernism, de P. Andreas, M. Bill, L. Cavalcanti, E. Kossel, C. Krohn, N. Maak, J.C. Sussekind, Paul Andreas (Editor), Ingeborg Flagge (Editor), Deutsches Architektur Museum; p. 41.

Mais detalhes sobre o projecto de Niemeyer para a Cidade do Negev podem ser encontrado neste artigo do diário israelita Ha’aretz: Beyond the dunes and the desert.

::A LER:: Quase em Português: Niemeyer / Expo Oscar Niemeyer – 100 anos de encantamento / Global Voices em Português » Blog Archive » Oscar Niemeyer: 100 anos de uma arquitetura ousada / Oscar Niemeyer – Wikipedia / Pritzker Architecture Prize Laureates 1988 / Movimento Modernista: Oscar Niemeyer / Biografia: Oscar Niemeyer / Museo Oscar Niemeyer – Great Buildings Online / University of Haifa

5(000) Filmes


Luís Simões, autor do Elypse, desafia-me a nomear os “meus” 5 filmes. Os critérios são, obviamente, pessoais e subjectivos. Então, aqui vão eles, por ordem cronológica:

The Jazz Singer (1927)

Casablanca (1942)

Night on Earth (1991)

Urga (1991)

Everything Is Illuminated (2005)

As listas, por definição, têm sempre de ser redutoras. Esta, por exemplo podia sem bem mais longa… houve um número quase infindável de filmes que me marcaram em diferentes momentos da minha vida. Fosse a lista maior, poderia acrescentar mais estes (pela ordem a que me vêm à cabeça):

8 ½, de Felilni; Schindler’s List, de Spielberg; Miller’s Crossing, Fargo e The Big Lebowski, dos irmãos Ethan e Joel Coen; Fanny & Alexander, de Ingmar Bergman; 400 Coups, de Truffaut; Der Himmel über Berlin (Asas do Desejo), de Wim Wenders; Aguirre, der Zorn Gottes (Aguirre o Aventureiro), de Werner Herzog; Chinatown, de Roman Polanski; The Maltese Falcon (A Relíquia Macabra), de John Huston; The Big Sleep, de Howard Hawks; Captains Courageous, de Victor Fleming; The Godfather (a trilogia), de Coppola; Citizen Kane, de Orson Wells; The Cradle Will Rock, de Tim Robbins; Cinema Paradiso, de Giuseppe Tornatore; The Graduate, de Mike Nichols; To Kill a Mockingbird, de Robert Mulligan; Mississippi Burning, de Alan Parker; Short Cuts, de Robert Altman; Spartacus, Dr. Strangelove e Full Metal Jacket, de Stanley Kubrick; Os Sete Samurais, de Akira Kurosawa; La Vingt-cinquième Heure (A 25ª Hora), de Henri Verneuil; Coffee and Cigarretts, Dead Man e Broken Flowers, de Jim Jarmusch; Lost in Translation, de Sofia Coppola; In the Heat of the Night, Fiddler on the Roof (Violino no Telhado) e Moonstruck (O Feitiço da Lua) de Norman Jewison; Au revoir, les enfants, de Louis Malle; Big Night, de Stanley Tucci; Love and Death, Take the Money and Run, Annie Hall, Manhattan, Hannah and Her Sisters, Zelig, Hollywood Ending e Scoop, de Woody Allen…
Havia mais, muitos mais, numa lista que, a continuar, seria cada vez mais incongruente e contraditória.

Para prosseguir esta “corrente” gostaria agora de convidar Francisco José Viegas, Rui Cerdeira Branco, Heitor, Ricardo António Alves e Filinto Melo a darem conta dos seus 5 filmes de eleição.

Hanuká com Manhattan em fundo

Uma das primeiras grandes lições de Kabbalah que o rabino Solomon me deu em Los Angeles condensava-se numa simples frase composta por três palavras: “Não há coincidências.” O judaísmo é pródigo em frases destas; aparentemente simples, aparentemente banais, mas densas de significados – cada uma destas frases é um verdadeiro novelo hermenêutico –, tal como, para um olhar destreinado, um diamante pode aparentar não ser mais do que um simples pedaço de vidro.
Na primeira noite de Hanuká, o Francisco José Viegas, fez-me uma enorme surpresa mas, ao evocar o milagre do reencontro, o Francisco nem imaginava este milagre da coincidência: no exacto local onde, em Fevereiro, tirámos aquela foto, ergue-se hoje um imenso Hanukiá – o candelabro de nove braços acendido paulatinamente durante os oito dias de Hanuká. A foto acima, tirada ao fim da tarde gélida que marcou o início do terceiro dia de Hanuká, com Manhattan e o fantasma das Torres Gémeas do World Trade Center no outro lado do rio, prova o feliz acaso. Se é que as coincidências existem mesmo…

Feliz Hanuká (!חנוכה שמח)


::PARA OUVIR::

Hanukkah Dance, de Woody Guthrie, o baladeiro de Oklahoma, gravada na década de 40 por Moses Asch, fundador da Folkways Records, de Nova Iorque (ver Smithsonian Global Sound: The Asch Recordings, Vol. 1-4)

Esta inesperada e deliciosa cantiga – fruto, entre outras coisas, da profunda amizade que Woody Guthrie nutria pela sua sogra, a poetiza yiddish Aliza Greenblatt – serve de mote para desejar a todos os leitores da Rua da Judiaria um feliz Hanuká. Que o Festival das Luzes possa trazer milagres, saúde e paz.
O Francisco José Viegas aproveitou o primeiro dia de Hanuká para me fazer uma grande surpresa, oferecendo-me a mais valiosa das prendas. Um abraço imenso para ti Francisco, e espero logo mais poder responder-te na mesma moeda… como? É surpresa…

Petição em nome da Memória

Depois do adiamento da discussão na Câmara Municipal de Lisboa da proposta apresentada pelo vereador José Sá Fernandes, no sentido de criar um monumento evocativo da memória dos milhares de judeus portugueses assassinados em três sangrentos dias de Abril de 1506, e temendo que a iniciativa ficasse irremediavelmente votada ao esquecimento, o historiador Jorge Martins lançou uma petição online. Em nome da Memória, apelo aos leitores da Judiaria que colaborem com este esforço, assinando e divulgando esta petição.
O professor Jorge Martins é também o autor de “Portugal e os Judeus”, um notável e cuidado estudo em três volumes lançado em 2006 – a mais completa história dos judeus portugueses publicada entre nós em mais de um século.

Outras Judiarias

NÃO ESPALHEM: No filme “Capitão Alatriste” (com o Vigo Mortensen um bocado desfasado como soldado espanhol do século XVII) há uma cena do cerco católico a Breda. No meio dos espanhóis aparece um soldado português que os companheiros não têm em grande conta: “Vocês, portugueses, são todos meios judeus”.
Filipe Nunes Vicente, no Mar Salgado

JUDEN: Conversava sobre literatura alemã com o senhor E. O senhor E., cultíssimo e (mesmo assim) quase nazi, discordava de tudo o que eu ia dizendo. Em meu abono, comecei a frase “O George Steiner escreveu que”. O senhor E. não me deixou sequer citar. Fez um gesto de desprezo e declarou: “O George Steiner é judeu”.
Isto foi há uns 3 anos. Hoje, um sujeito do outro extremo ideológico chamou-me “sionista” porque eu sou entusiasta de Philip Roth. Tendo em conta que Roth não é cidadão israelita nem apoiante da política israelita, “sionista” neste contexto quer dizer simplesmente: “judeu”.
Dizer que “os extremos se tocam” é cada vez mais um eufemismo.
Pedro Mexia no Estado Civil

JUDEN (2): Primeiro passei pela estante do romance: tirei Kafka e Proust. E Bellow, Malamud, Perec, Bruno Schulz e Joseph Roth. Trouxe também os contos de Isaac Babel. Da pequena secção italiana extraí Natalia Ginzburg e Primo Levi. Dei com uns ensaios de Cynthia Ozick que nem sabia que tinha. Na poesia, estavam Osip Mandelstam e Leonard Cohen.
Atei-os todos num pacote de papel pardo, com umas guitas. Amanhã vou devolvê-los à Embaixa de Israel. Não quero cá em casa autores coniventes com o belicismo sionista.
Pedro Mexia no Estado Civil

DE GALEGOS E XUDEUS: Non sei por que na Lisboa de hai séculos galegos e xudeus compartían o odio dos cidadáns do común ata o punto de a paremioloxía lusitana recoller un acusatorio “De galegos e judeus, dos melhores livra-nos Deus”.
Afonso Vázquez-Monxardín, em Vieiros: Galiza Hoxe

Grandes Citações VII

Nunca respondo a provocações idiotas. O meu pai sempre me disse: ‘nunca te atires à lama a lutar com um porco – primeiro, porque te sujas; segundo, porque é disso que o porco gosta.’

Walter Winchell (1897-1972 ), judeu, jornalista americano.
in “Notes of a New York Columnist”, Daily Mail, 31 de Maio de 1948.

O “socialismo dos tolos”

Um glorioso choque cultural que recentemente aconteceu no Irão fez-me rir em voz alta. Os filhos de Che Guevara, o pin-up revolucionário, foram convidados à Universidade de Teerão para comemorar o 40º aniversário da morte de seu pai e para celebrar a crescente solidariedade entre “e esquerda e o Islão revolucionário”, participando numa conferência parcialmente custeada pelo Presidente venezuelano Hugo Chávez.
Houve saudações fraternais e sorrisos gerais à medida que eram denunciadas “as ambições planetárias devoradoras” da América. Mas foi então que um dos oradores, Hajj Saeed Qassemi, o coordenador da Associação dos Voluntários Mártires-Suicidas (que presumivelmente se mantém vivo desinteressadamente em nome da causa), revelou que Che era “um homem verdadeiramente religioso que acreditava em Deus e que odiava o comunismo e a União Soviética”.
Aleida, a filha de Che, interrogou-se se algo se teria perdido na tradução. “O meu pai nunca mencionou Deus”, disse ela, para consternação da assistência. “Ele nunca conheceu Deus”. Na confusão, Aleida e o irmão foram rapidamente acompanhados à saída e escoltados para o hotel. “No fim do dia, os dois Gueveras tinham-se tornado ‘não-pessoas’. A Imprensa controlada pelo Estado subitamente esqueceu a sua existência”, registou o escritor iraniano Amir Taheri.
Depois da sua partida, Qassemi prosseguiu afirmando que Fidel Castro, o “guia supremo” de Che Guevara, era também um homem de Deus. “A União Soviética acabou”, disse ele. “A liderança dos oprimidos passou para a nossa república islâmica. Aqueles que querem destruir a América têm de perceber isto e deixar-se de jogos de palavras.”

Este texto é o princípio de um artigo assinado por Sarah Baxter no Sunday Times de Londres, onde são analisadas as irreflectidas e afectuosas relações entre a esquerda “revolucionária” ocidental e o fundamentalismo islâmico. O texto pode ser lido na integra aqui: Times Online – Where do you stand in the new culture wars?
Mas sintomático é também o facto dos emblemáticos filhos de Guevara (e Hugo Chaves, Daniel Ortega e Evo Morales antes deles) nem terem pensado duas vezes em associar-se à figura sinistra de Ahmadinejad – o testa de ferro de um regime que demanda o extermínio dos judeus, persegue minorias étnicas e religiosas no seu território (ver Iran: Death penalty/ stoning – Amnesty International e Murder with Impunity: Iran targets the Baha’i – again); executa comunistas e homossexuais (ver Report: Iran Gay Teens Executed ; Iran: Two More Executions for Homosexual Conduct – Human Rights Watch)… e nos últimos tempos, após a infame “conferência” para negar a veracidade do Holocausto, se tornou a “luz” que ilumina as cabeças (algumas rapadas) de energúmenos neo-nazis.

Outro exemplo dessa estranha relação simbiótica, entre movimentos que racionalmente seriam naturalmente opostos, é o encontro que reúne anualmente, no Cairo, esquerdistas revolucionários europeus (a esmagadora maioria dos quais “ateus, laicos e republicanos”) e membros da Irmandade Islâmica, uma organização cujo lema é: “Alá é o nosso objectivo. O Profeta o nosso líder. O Corão a nossa lei. Jihad é o nosso caminho. Morrer pelo caminho de Alá é a nossa maior esperança.” O programa da próxima reunião, agendada para Maio de 2008, dispensa comentários e foi recentemente publicado na outrora respeitada revista marxista Monthly Review e pode ser lido aqui: “Resistance Movements Unite! Cairo International Conference and Liberation Forum”.
Unidos por ideais comuns de um anti-americanismo e de um antisemitismo primários, o fanatismo religioso e aqueles que sopram as últimas cinzas do materialismo dialéctico vão encontrado terreno comum naquilo que, nos finais do séc. XIX, August Bebel chamou “o socialismo dos tolos”.

::PARA LER:: Where do you stand in the new culture wars? – Times Online / Gulfnews: ‘Che like Chamran’ is a paradox / Islamist, Socialist Revolutions Don’t Mix / Guevera kids in Tehran: ‘Che would have supported Iran’ – Deutsche Presse-Agentur / Tehran Times: Children of Che Guevara meet Iran’s culture minister

::PARA VER:: YouTube – Chavez in Al Jazeera / YouTube – No gays in Iran, says Ahmadinejad / YouTube – Columbia University President Bollinger Introduces Ahmadinejad

É um Progressista da treta?


Um questionário do The Sunday Times, de Londres

1 – É permitido aos muçulmanos ser homófobos por causa da sua cultura?
2 – Devem ser punidos por lei os casamentos celebrados contra a vontade das mulheres?
3 – É aceitável exigir que as mulheres usem véus?
4 – É o antisemitismo uma reposta legítima à frustração com as políticas dos Estados Unidos e de Israel?
5 – Deve permitir-se que o regime iraniano de Ahmadinejad adquira a bomba nuclear?
6 – Pode ser-se um defensor do povo mesmo que o povo não possa eleger outra pessoa?
7 – Existem ocasiões em que prisioneiros políticos podem ser justificados?
8 – É a al-Qaeda uma organização legítima de resistência no Iraque?
9 – É Ayaan Hirsi Ali demasiado crítica em relação ao Islão?
10 – Devia o Governo Holandês retirar a sua [a Ayaan Hirsi Ali] segurança no estrangeiro?
11 – Deveria Salman Rushdie ter escrito sobre o Corão da forma que o fez em “Versículos Satânicos”?
12 – São a liberdade de expressão, a liberdade de associação e a liberdade religiosa (ou ateística) direitos humanos universais?
13 – É uma tradição cultural aceitável apelar à morte das pessoas que abandonam uma religião?
14 – É aceitável interditar a entrada em lugares sagrados a membros de outras religiões, como acontece em Meca?
15 – Podem os “crimes de honra” ou a mutilação genital de mulheres ser colocados num “contexto cultural”?
16 – É aceitável apelar à morte de cartunistas porque não se acha piada aos seus cartoons?

Respostas – 1)não; 2)sim; 3)não; 4)não; 5)não; 6)não; 7)não; 8)não; 9)não; 10)não; 11)sim; 12)sim; 13)não; 14)não; 15)não; 16)não – Se acertou na maioria das respostas, parabéns! É progressista a sério. Se falhou a maioria das respostas… então é um progressista da treta.

Original: Are you a phoney liberal? – Times Online (formato pdf)

Antisemitas Anónimos

Dez princípios para a recuperação

1 – Admitimos ter uma predisposição para o preconceito e ser impotentes para controlar o nosso ódio.
2 – Reconhecemos que não são os judeus que nos prejudicam, mas sim nós que responsabilizamos os judeus pelos nossos problemas e pelos males do mundo. Somos nós que prejudicamos os judeus ao acreditar nisso.
3 – Um judeu pode muito bem ter defeitos, como qualquer outro ser humano, mas os defeitos sobre os quais temos de ser honestos são os nossos próprios: a paranóia, o sadismo, o negativismo, a propensão para a destruição, a inveja, etc.
4 – Os nossos problemas financeiros não são culpa dos judeus, mas de nós próprios.
5 – Os nossos problema de trabalho não são culpa dos judeus, mas de nós próprios (como o são os problemas sexuais, os problemas matrimoniais, os problemas da comunidade).
6 – O antisemitismo é uma forma de fuga à realidade, uma recusa em pensar honestamente acerca de nós próprios e da nossa sociedade.
7 – Na medida em que os antisemitas não conseguem controlar o seu ódio, eles não são como as outras pessoas. Reconhecemos que mesmo um insulto antisemita casual prejudica a nossa luta para nos livrar-mos da nossa doença.
8 – Ajudar outros a desintoxicarem-se é a pedra angular da nossa recuperação. Nada assegura uma maior imunidade à doença do antisemitismo do que um trabalho de recuperação intensivo com outros antisemitas.
9 – Não somos estudiosos, não nos importa saber porque temos esta terrível doença, estamos reunidos para admitir que a temos e para nos ajudarmos mutuamente a ultrapassá-la.
10 – Participando nos Antisemitas Anónimos, aspiramos controlar a tentação do ódio aos judeus em todas as suas formas.

In Operation Shylock, Philip Roth, p. 101 e 102 (Vintage, 1994)

Os antisemitazinhos

Os antisemitazinhos contemporâneos aprenderam a dizer que as acusações de antisemitismo, de que merecidamente são alvo, são apenas uma forma de os “fazer calar”. Mas, a despeito da lógica do seu próprio argumento, estes antisemitazinhos não se calam.
Tal como é definido por qualquer dicionário decente, antisemitismo (recuso-me a utilizar o hífen pelo simples facto de não se tratar de uma palavra composta, mas sim criada originalmente nesta sua forma – Der Antisemitismus – para traduzir unicamente ódio aos judeus), é antisemita quem alimenta, e se orgulha em exibir, uma profunda antipatia particular em relação aos judeus. Mesmo que diga não ser antisemita, um(a) antisemitazinho(a) é sempre um(a) antisemita.