Regressos

Judeus Portugueses em Eretz Israel no século XVI
O relato de Frei Pantaleão D’Aveiro (1563)


(…) Passamos ali um pedaço da noite em conversação, até serem horas de nos recolher, como avisamos o Turco, que ao dia seguinte havíamos de ter mui pequena jornada. Em amanhecendo vieram dois Judeus Portugueses visitar a Turca por parte dos Judeus, que moravam em Safed, uma povoação grande, que estava dali a pouco mais de légua, a qual em o Livro de Tobias se chama Sapheth: e trouxeram-lhe duas cargas de cevada, e quatro carneiros muito grandes e gordos, como os há naquela terra: e em pago da visita, e serviço, tomaram aos pobres as cavalgaduras, e porque se queixavam, ameaçavam-nos com pancadas. Começaram-se os pobres Judeus de lamentar, culpando um ao outro, vendo-se tão agravados, e lastimados, dizendo um ao outro, se vós não fôreis, eu não viera, o outro pelo contrário dizia, vós tendes a culpa: e com este agastamento, como homens magoados soltaram muitas palavras desconcertadas contra os Turcos e Mouros, em língua Portuguesa, chamando-lhes perros e cães e semelhantes nomes. Vendo eu que eram Portugueses, cheguei-me a eles, compadecendo-me da sua miséria, e trabalho, e disse-lhes, que olhassem como falavam, porque não faltaria quem os entendesse, como a mim me acontecera com um negrinho: deram-me os agradecimentos do bom conselho, e folgaram de eu os entender para desabafarem, e pediram-me novas de Portugal, porque a natureza não se pode negar. Disseram-nos, que em Safed moravam mais de quatrocentos judeus, a maior parte deles nascidos em Portugal, rogando-me muito que quisesse lá dar uma chegada, porque era muito perto, e não me havia de pesar. Dei-lhe os agradecimentos da sua boa vontade, prometendo-lhes de ir, se o tempo me desse lugar. (…)

(…) Chegamos a Safed, aonde os Judeus nos fizeram uma grande festa, e me levaram à sua Sinagoga, que tinham mui bem concertada, e depois nos recreamos comprando a bom preço o vinho, que me pareceu necessário, nos partimos a Nazareth, que está dali a menos de uma légua. (…)

(…) Despedidos daquele lugar, nos tornámos a Safed, aonde chegámos em se pondo o sol, e por ser tarde, e irmos cansados, e nos importunaram muito os Judeus, que nos ficássemos, dizendo, que bastaria irmos um pouco de madrugada, se temíamos, que se iria a Turca, ficámos ali aquela noite, e nos agasalharam muito bem em casa de um Judeu meu natural, que sendo moços andámos ambos na escola de outro Judeu, que lá naquelas partes morreu, segundo meu hóspede me afirmou, honrou-se muito o Judeu de eu aceitar sua pousada, e tratou-me nela com muitos mimos e muita cortesia. Vieram aquela noite ter connosco muitos Judeus, dos quais alguns começaram logo a altercar, e porfiar comigo cousas da sua Lei cansada, e sobre nossa bendita, que este é o seu comum costume, mas eu como já algumas vezes me tinha achado com Judeus em semelhantes porfias, e sabia mui bem, que nenhum deles pretende saber a verdade, atalhei-lhe com lhe dizer, que tinha necessidade de me agasalharem, e recrearem, e não de me cansarem com porfias e contendas sem proveito, pois nenhum deles tinha propósito de se fazer Cristão, se o eu vencesse, porque tinha para mim serem todos Judeus de opinião, sem quererem admitir razão, ainda que a palavra para eles foi um pouco dura, deram-me muito louvor, e disseram, que ainda não tinham negado o ser Português, pois falava tão claro, e não me respondiam, pois desejavam mais me servir, que me agravar. Vieram-me também naquela noite agasalhar duas Judias minhas naturais, que com lágrimas me fizeram a festa, lamentando-se, e dizendo, que seus pecados as haviam tirado de Portugal, não para a terra de Promissão, como elas cuidavam, mas para a terra de desesperação, como com seus olhos viam, e com suas misérias experimentavam. Muito ante manhã nos partimos de Safed, e nos tornámos aos nossos, que à ponte de Jacob nos estavam esperando (…)”

in Itinerario da Terra Sancta, e suas particularidades, escrito por Frei Pantaleão D’Aveiro, impresso na casa de Simão Lopes, 1593
Capítulos LXXXIII e LXXXIV, págs. 452 a 457


A cidade de Safed (Tzfat), na Galileia. Foto de Richard Nowitz

Neighborhood Bully

Bob Dylan Neighborhood Bully

Escrita por Bob Dylan pouco depois do bombardeamento do reactor nuclear iraquiano de Osirak, em 1981, Neighborhood Bully é um manifesto irónico no qual a guerra das últimas semanas instila uma actualidade incontornável. Vale a pena ouvir Bob Dylan, o sionista. Com atenção.

::PARA OUVIR::
Bob Dylan Neighborhood Bully

Neighborhood Bully
Bob Dylan

Well, the neighborhood bully, he’s just one man,
His enemies say he’s on their land.
They got him outnumbered about a million to one,
He got no place to escape to, no place to run.
He’s the neighborhood bully.

The neighborhood bully just lives to survive,
He’s criticized and condemned for being alive.
He’s not supposed to fight back, he’s supposed to have thick skin,
He’s supposed to lay down and die when his door is kicked in.
He’s the neighborhood bully.

The neighborhood bully been driven out of every land,
He’s wandered the earth an exiled man.
Seen his family scattered, his people hounded and torn,
He’s always on trial for just being born.
He’s the neighborhood bully.

Well, he knocked out a lynch mob, he was criticized,
Old women condemned him, said he should apologize.
Then he destroyed a bomb factory, nobody was glad.
The bombs were meant for him.
He was supposed to feel bad.
He’s the neighborhood bully.

Well, the chances are against it and the odds are slim
That he’ll live by the rules that the world makes for him,
‘Cause there’s a noose at his neck and a gun at his back
And a license to kill him is given out to every maniac.
He’s the neighborhood bully.

He got no allies to really speak of.
What he gets he must pay for, he don’t get it out of love.
He buys obsolete weapons and he won’t be denied
But no one sends flesh and blood to fight by his side.
He’s the neighborhood bully.

Well, he’s surrounded by pacifists who all want peace,
They pray for it nightly that the bloodshed must cease.
Now, they wouldn’t hurt a fly.
To hurt one they would weep.
They lay and they wait for this bully to fall asleep.
He’s the neighborhood bully.

Every empire that’s enslaved him is gone,
Egypt and Rome, even the great Babylon.
He’s made a garden of paradise in the desert sand,
In bed with nobody, under no one’s command.
He’s the neighborhood bully.

Now his holiest books have been trampled upon,
No contract he signed was worth what it was written on.
He took the crumbs of the world and he turned it into wealth,
Took sickness and disease and he turned it into health.
He’s the neighborhood bully.

What’s anybody indebted to him for?
Nothin’, they say.
He just likes to cause war.
Pride and prejudice and superstition indeed,
They wait for this bully like a dog waits to feed.
He’s the neighborhood bully.

What has he done to wear so many scars?
Does he change the course of rivers?
Does he pollute the moon and stars?
Neighborhood bully, standing on the hill,
Running out the clock, time standing still,
Neighborhood bully.

In Bob Dylan: Infidels, 1983

A guerra VIII

Uri Grossman

Um dos 25 soldados israelitas mortos ontem em combate no sul do Líbano – naquela que poderá muito bem ter sido a última batalha desta guerra – chamava-se Uri Grossman. Era filho de David Grossman, um dos mais notáveis escritores israelitas.
Na quinta-feira passada, ladeado pelos escritores Amos Oz e A.B. Yehoshua , David Grossman apelara ao fim da guerra. Antes, os três tinham defendido a ofensiva militar israelita, argumentando que esta se tratava de um acto legítimo de autodefesa, mas agora apelavam a que o governo de Jerusalém aceitasse a proposta de cessar-fogo avançada pelo primeiro-ministro libanês Fuad Saniora (que acabaria por estar na origem da resolução aprovada posteriormente pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas). “Esta solução é a vitória que Israel pretendia”, afirmou Grossman, reiterando que o intensificar dos ataques acabaria por provocar o colapso do governo de Fuad Saniora levando, ao mesmo tempo, a um fortalecimento dos terroristas do Hezbollah.
No domingo, Grossman recebeu um telefonema que o informava da morte do filho. Uri Grossman tinha 20 anos. Acabava o serviço militar em Novembro e planeava a seguir viajar pelo mundo antes de entrar na universidade para estudar teatro.
O filho de David Grossman tinha o mesmo nome que o personagem principal do seu romance O Sorriso do Cordeiro (חיוך הגדי), escrito em 1983: Uri. No livro Uri é um jovem e idealista soldado israelita, a cumprir o serviço militar na pequena aldeia palestiniana de Andal, nos territórios ocupados, que trava amizade com Khilmi, um velho palestiniano contador de histórias.

::PARA OUVIR:: Uma excelente entrevista a David Grossman conduzida por Carlos Vaz Marques para o programa Pessoal e Transmissível, da TSF (em três partes): Parte I / Parte II / Parte III

::PARA LER:: Ynet בנו של הסופר דויד גרוסמן נהרג בלבנון – חדשות / David Grossman (bio-biblio) / Books & Writers – David Grossman (bio) / PBS – NOW. Bill Moyers Interviews David Grossman / Fora do Mundo: O ÚNICO SÍTIO DA TERRA, Pedro Mexia / Guardian Where death is a way of life, David Grossman / Israel Culture & Arts.

A guerra VII

Outras Guerras


Grozny, na Chechnya, cidade virtualmente arrasada pelos bombardeamentos russos

Desde o colapso do processo de paz de Oslo e do desencadear da intifada de Al-Aqsa, em Setembro de 2000 que o conflito israelo-palestiniano tem gerado opiniões gradualmente mais hostis em relação a Israel. Muitas das criticas centram-se no facto de Israel ser um país desenvolvido, relativamente forte, que usa o seu poderio militar para manter uma ocupação sobre um largo segmento da população palestiniana, politicamente e economicamente desfavorecida. À medida que a violência se torna cada vez mais brutal de ambos os lados, com as assimetrias entre israelitas e palestinianos, registou-se uma degradação gradual tanto do apoio a Israel na Europa como da própria imagem de Israel no mundo.
Sob este prisma, as críticas a Israel são moralmente justificáveis, perfeitamente aceitáveis e legítimas. No entanto, há sérias razões para duvidar que a oposição a Israel se deva exclusivamente às políticas do seu governo face aos palestinianos. A atenção que se volta sobre Israel contrasta de forma gritante com a indiferença passada e presente face a atrocidades cometidas por outros países. A oposição da opinião pública europeia face a Israel deve ser contrastada com o seu silêncio perante continuadas violações dos direitos humanos numa escala significativamente mais elevada praticados, por exemplo, pelas campanhas militares de Slobodan Milosevic no Kosovo e antes na Bósnia. O massacre de mais de seis mil muçulmanos bósnios em Srebrenica, apesar de ter chocado alguns, não motivou manifestações de massas nem levou à “demonização” da Sérvia nem apelos ao boicote de universidades sérvias. Milosevic sentou-se no banco dos réus em Haia, acusado de crimes de guerra, ao mesmo tempo que a opinião pública europeia, e especialmente a esquerda, permaneceu maioritariamente indiferente.
Outro exemplo pode ser encontrado no brutal esmagamento da revolta dos separatistas muçulmanos na Chechnya por parte da Rússia, que apenas ocasionalmente tem sido mencionada por grupos de defesa dos Direitos Humanos. A Imprensa europeia dedica um espaço mínimo à Chechnya e a opinião pública dá também mostras de pouco interesse.
Tanto no caso dos Balcãs como no da Chechnya, o nível da violência e as graves violações dos Direitos Humanos têm sido muito maiores do que aquelas geradas pelo conflito israelo-palestiniano. Mas há mais exemplos.
Entre 1999 e 2005 a guerra na Chechnya provocou a morte de 250 mil civis e 50 mil soldados russos. Das vítimas civis, segundo as estimativas de organizações humanitárias, 40% eram crianças. Em Darfur, no Sudão, milícias árabes apoiadas pelo governo, conhecidas como Janjaweed, massacraram mais de 400 mil pessoas em acções de limpeza étnica e genocídio desde Fevereiro de 2003.
Então porquê só Israel e não também a Rússia, a Sérvia, o Sudão ou mesmo a China, a Índia e o Paquistão?

Excerto do meu ensaio Novo Antisemitismo? As Novas Faces do Mais Antigo Ódio do Mundo, publicado na Rua da Judiaria a 8 de Março de 2004.

::A LER:: Kontratempos: O anti-semitismo depois do anti-semitismo (um excelente texto de Tiago Barbosa Ribeiro) / O Jansenista: O anti-semitismo e a direita / Blasfémias: A Permanente Encenação / Água Lisa: As Costas LArgas do Anti-Sionismo (João Tunes)

A guerra VI

As Causas

um post de Luís Januário


(…) A selvajaria do ataque, a barbaridade do morticínio, não invalidam que na Segunda Guerra Mundial, os valores da democracia, da liberdade de expressão, do convívio entre povos e nações, da igualdade das raças e etnias, estivesse do lado dos britânicos. Condenamos os crimes cometidos pelos Aliados mas saudamos a sua vitória. Ora o que alguma esquerda faz é acumular os relatos parciais da guerra do Líbano para não discutir a natureza da guerra, as suas causas e objectivos. Israel é o agressor. Um bombardeamento é um bombardeamento. A razão está sempre do lado dos bombardeados, mesmo que seja uma rampa de lançamentos de mísseis, um campo de treino de suicidas, uma estação de espionagem. Identificado o agressor, o resto vem por si. A opinião pública europeia, sensível às causas, exigirá a paz, o desarmamento, a reposição do estado anterior à guerra.”

Para ler na íntegra: A Natureza do Mal: Isabel do Carmo e a guerra

A guerra V

Crimes de Guerra

artigo de Mounir Herzallah, médico libanês emigrado na Alemanha


Até 2002 vivi numa pequena cidade no sul do Líbano, perto de Mardshajun, cujos habitantes eram na maioria xiitas, tal como eu. Depois de Israel ter abandonado o Líbano, não demorou muito para que o Hezbollah controlasse a nossa cidade, tal como todas as outras. Recebidos como lutadores vitoriosos da resistência, apareceram armados até aos dentes e, também na nossa cidade, escavaram bunkers para armazenar os seus arsenais de mísseis. A “obra social” do Hezbollah resumiu-se a construir uma escola e um prédio de habitação sobre esses bunkers! Um sheikh local explicou-me sorrindo que os judeus ficavam a perder de qualquer maneira, porque os mísseis ou seriam disparados contra eles ou, se eles atacassem os arsenais, seriam condenados pela opinião pública mundial por causa dos mortos civis. Esta gente não quer saber da população do Líbano, eles usam-na primeiro como escudos e, depois de mortos, como propaganda. Enquanto eles continuarem a existir, não haverá paz nem tranquilidade.”

Carta publicada na edição de 30 de Julho de 2006 do jornal alemão Der Tagesspiegel

A guerra IV

Israel e a Lei Internacional

artigo de Matthew Omolesky , especialista em Direito Internacional


(…) É decididamente irónico que o Presidente francês Jacques Chirac condene Israel por uma resposta desproporcionada face aos acontecimentos de há menos de dois anos ocorridos na Costa do Marfim. A 5 de Novembro de 2004, helicópteros do governo da Costa do Marfim bombardearam uma aldeia rebelde, matando acidentalmente nove soldados francesas das tropas de manutenção de paz. Aderiu a França ao princípio de Naulilaa [ver The Naulilaa Case ] e efectuou exigências que, sem resposta, resultariam numa resposta proporcional? Não. A França retaliou destruindo por inteiro a Força Aérea da Costa do Marfim, gerando extensos protestos e violência popular nas ruas de Abidjan. Não me recordo neste caso de uma única declaração dos membros da comunidade internacional em relação ao uso desproporcionado da força pelas Forças Armadas franceses, mas as acções de Israel, provocadas por enormidades cometidas por poderosos organismos terroristas não governamentais no seu território, e justificadas pela Regra de Grotius, pela Regra da Caroline, pela Regra de Naulilaa e pela corrente Lei Internacional, é condenada da forma mais áspera. Os comentários recentes feitos por vários governos nacionais e por organizações internacionais em relação à “forma desproporcionada” da resposta militar de Israel representam um exemplo perturbante de falsas invocações da Lei Internacional para apoiar tendências políticas e preconceitos, e devem ser rejeitados como tal.”

A guerra III

Ataques do Hezbollah unificam israelitas

artigo de Amos Oz


No passado, o movimento israelita pela paz tem criticado inúmeras vezes as operações militares de Israel. Desta vez não. Desta vez não se trata de expansão ou colonização israelitas. Não há território libanês ocupado por Israel. Não há disputas territoriais de qualquer dos lados.
O Hezbollah lançou um ataque, malicioso e não provocado, em território Israelita. Foi também um ataque à autoridade e integridade do governo libanês eleito porque, ao atacar Israel, o Hezbollah sequestrou a prerrogativa do governo libanês de controlar o seu território e de tomar decisões de guerra e paz.
O movimento israelita pela paz opõe-se à ocupação e colonização da Cisjordânia. Opôs-se à invasão israelita do Líbano em 1982 porque ela se destinou a distrair o mundo do problema palestiniano. Desta vez, Israel não está a invadir o Líbano. Está a defender-se de tormentos e bombardeamentos diários a dezenas das nossas cidades e vilas, tentando esmagar o Hezbollah onde quer que ele se esconda.
O movimento israelita pela paz deve apoiar a tentativa de autodefesa de Israel, pura e simplesmente, enquanto o alvo desta operação for o Hezbollah e ela poupar, o quanto for possível, a vida de civis libaneses (o que não é uma tarefa fácil, porque os lança mísseis do Hezbollah usam muitas vezes os civis como escudos de protecção).
Não pode haver uma equivalência moral entre o Hezbollah e Israel. Os alvos do Hezbollah são civis israelitas, onde quer que eles se encontrem, enquanto o alvo de Israel é o Hezbollah. Os mísseis do Hezbollah são fornecidos pelo Irão e pela Síria, inimigos jurados de todas as iniciativas de paz para o Médio Oriente.
A verdadeira batalha devastadora destes dias não é entre Beirute e Haifa, mas entre uma coligação de países que procuram a paz – Israel, Líbano, Egipto, Jordânia e até a Arábia Saudita – e um islamismo fanático alimentado pelo Irão e pela Síria.
Se, como todos nós esperamos – “falcões” e “pombas” israelitas da mesma forma – o Hezbollah for derrotado em breve, Israel e o Líbano serão os vencedores. Além do mais, a derrota de uma organização fundamentalista islâmica apostada no terror pode aumentar grandemente as possibilidades de paz para a região.

Amos Oz é um dos escritores israelitas mais reconhecidos internacionalmente e uma das mais influentes vozes do movimento israelita pela paz

A guerra II

Jogar o jogo do Hamas

Editorial do New York Times


Com o círculo de violência no Médio Oriente a expandir-se de forma alarmante, é importante que fique claro não só quem são os responsáveis pela recente erupção, mas quem também tem mais a ganhar com a sua escalada continuada.
Ambas as questões têm a mesma resposta: o Hamas e o Hezbollah. E Israel precisa de ter cuidado para que as suas respostas militares, moral e legalmente justificadas, não acabem por fazer avançar a agenda política que o Hamas e o Hezbollah tinham em mente quando executaram os raptos dos soldados israelitas que detonaram os combates.
A Autoridade Palestiniana, que o Hamas controla, e o governo libanês, no qual o Hezbollah tem uma participação minoritária, falharam de forma inescusável na prevenção destes incidentes. O Irão, que arma e financia o Hezbollah, e a Síria, que dá guarida à ala mais violenta do Hamas, também partilham responsabilidades.
Israel tem profundas justificações para tratar estes dois incidentes como inaceitáveis actos de guerra. Mas precisa adaptar os seus métodos de resposta às situações que agora enfrenta. O objectivo é enfraquecer e isolar o Hamas e o Hezbollah e, ao mesmo tempo, negar-lhes a oportunidade de congregarem um apoio árabe mais amplo.
Com este fim em vista, Israel tem de direccionar os seus objectivos militares aos líderes e aos guerrilheiros destes dois grupos, e fazer mais para minimizar os danos aos civis circunstantes.
A razão é esta: os caciques militares do Hamas e do Hezbollah sabem perfeitamente que as suas milícias primitivamente armadas com mísseis de alcance limitado não se podem comparar com as forças armadas israelitas. Quando desencadeiam acções de provocação, como os recentes raptos de soldados israelitas ou bombardeamento de cidades em Israel, eles não esperam ganhar nenhum tipo de vitória militar tradicional.
O que eles esperam de forma mais realista é que a inevitável devastadora resposta militar israelita lhes dê a oportunidade de radicalizar a política árabe e assim pressionar líderes árabes moderados a distanciarem-se de Israel e a apoiar a causa terrorista. Esta é a táctica que grupos palestinianos seculares como a Fatah iniciaram há décadas, e que grupos fundamentalistas islâmicos como o Hamas e o Hezbollah utilizam agora com os mesmos fins.
Esta dinâmica perversa está outra vez em jogo depois dos ataques de Israel em Gaza e no Líbano. A maioria dos árabes não culpa o Hamas e o Hezbollah por provocar estas respostas israelitas. Culpabilizam Israel por as executar.
Esta reacção não é justa. Mas é desta forma que as coisas funcionam, e os instigadores do Hamas e do Hezbollah e os seus aliados em Damasco e Teerão sabem como usar esta técnica para seu proveito a longo prazo. Os líderes políticos e militares israelitas precisam de perceber isso mesmo e não se deixarem enredar no jogo dos instigadores.”

A Guerra I

Quando se trata de Israel

uma crónica de Francisco José Viegas


Quando se trata de Médio Oriente, ou seja, quando se trata de atacar Israel, a tarefa está facilitada em larga escala. Um contingente de meninas idiotas e genericamente ignorantes, que assina peças de “internacional” nas nossas televisões, não se tem cansado de falar na “agressão israelita” e apenas por pudor, acredito, não tem valorizado os “heróis do Hezbollah”. Infelizmente, nem a ignorância paga imposto nem o seu atrevimento costuma ser punido.
Isolado desde 1947, quando as Nações Unidas decidiram pela criação de dois estados na região (um israelita, outro árabe) Israel não enfrenta apenas a provocação deliberada ou pontual do Hamas e do Hezbollah. Essa provocação tem sido permanente e é ela a razão de não existir na região um estado palestiniano livre e democrático – não o quiseram, primeiro, os estados árabes da região que invadiram Israel mal a sua independência foi pronunciada; não o quiseram, depois, os estados que tutelaram os actuais territórios da Faixa de Gaza e da Cisjordânia; não o quis, depois, todo o conjunto de organizações militares terroristas nascidas à sombra da OLP e da figura tutelar de Yasser Arafat, a quem cabem historicamente responsabilidades directas na falência dessa tentativa de criar um estado palestiniano.
Quando se trata de Médio Oriente, ou seja, quando se trata de atacar Israel, a tarefa não está apenas facilitada – os caminhos abrem-se para o lugar-comum, como se vê pelas declarações, tiradas a papel químico, de Chirac e de Zapatero, esses dois superlativos génios da política externa europeia. Não passou pelas suas cabeças, uma única vez, pedir responsabilidades ao Hezbollah e ao Hamas pelos motivos que levaram a esta reacção de Israel. Para ambos é, pois, normal que um governo do Hamas possa alimentar uma facção militar independente, que actua em guerra permanente com Israel; é também normal que um estado da região, o Líbano, possa albergar campos militares do Hezbollah, abastecidos pela Síria e pelo Irão, e destinados a atacar um estado soberano – que, além do mais, é o único estado democrático da região; e é para eles normal que Síria e Irão, além de abastecerem duas organizações militares terroristas, se regozijem abertamente com o rapto de soldados israelitas.
A preocupação destes diplomatas da recessão é, fundamentalmente, com a “reacção de Israel”; em seu entender, a reacção ideal de Israel seria o silêncio total; Israel devia conformar-se com o seu destino e permanecer como o alvo de todo o terrorismo da região, pacientemente alimentado, aliás, pelos europeus que continuam a manifestar “ampla compreensão” pela atitude dos bombistas suicidas e pelos que disparam rockets a partir de Gaza ou do Vale de Bekkah; Israel deveria, pura e simplesmente, acatar.
Evidentemente que nenhum desses cavalheiros pensou pedir ao Hamas, partido vencedor nas eleições dos territórios, eventuais responsabilidades na escalada de violência na região. É para eles natural que o governo do Hamas não reconheça o estado de Israel e esteja a alimentar, com toda a clareza, as facções militares que continuam, naquele folclore infantil de danças e gritos pelas ruas de Gaza, a pedir a eliminação de Israel e a vinda de mísseis iranianos para “destruir o estado sionista”. Esse folclore imbecil, sim, talvez os devesse preocupar ele é também pago com contribuições da União Europeia e do seu politicamente correcto.”

Crónica publicada no Jornal de Notícias

Perder um líder: uma perspectiva israelita


(…) E de repente tudo mudou. A mudança podia ouvir-se no tom de voz dos jornalistas, podia ver-se nos seus rostos, podia ler-se nos jornais em hebraico e nas suas actualizações na Internet. Algo estava errado. Muito errado. E ainda se pode ver, esta manhã, nos rostos de estranhos quando se caminha nas ruas.
Quer ele viva ou morra, nós estamos já de luto. Todos nós – os que sempre gostaram de Sharon, aqueles que nunca gostaram dele e o vasto número de israelitas que em tempos o vilipendiaram, mas que nos últimos anos olharam com espanto à medida que ele personificava a palavra “líder”.
Sim, ele tinha defeitos, sim, houve escândalos, ele estava longe de ser perfeito. Mas era um líder. Nós tínhamos um líder. E não temos mais.
Estes são ecos dos sentimentos que tivemos há dez anos, quando perdemos Yitzhak Rabin. É claro, desta vez não se trata de um assassinato, de violência interna, da mesma intensa perplexidade, ou do mesmo sentido de tragédia nacional.
Mas algo muito semelhante está a acontecer a nível emocional, do sentimento de estar num buraco de insegurança que resulta do facto do país não ter ninguém à frente neste momento. E nós não sabemos quem será o próximo líder verdadeiro. Se quisermos ser freudianos, pode dizer-se que estamos a perder uma figura paterna.
De esquerda ou de direita, mesmo se acreditarmos que homens como Yitzhak Rabin ou Ariel Sharon foram maravilhosos – ou se acharmos que eles estiveram completamente errados, completamente enganados, foram demasiado violentos ou completamente corruptos, nunca se pode duvidar nem por um minuto que a sua principal prioridade foi a segurança e o bem-estar do Estado de Israel e dos seus cidadãos. Cada sucesso e cada erro seu vinha da sua determinação de ver o país sobreviver, prosperar e ter sucesso. Com figuras destas como primeiro-ministro, nós sentíamos que havia alguém a olhar por nós. E quando eles subitamente desaparecem, pela mão de um assassino ou pela mão caprichosa do destino, ficamos devastados, profundamente inseguros e preocupados com o futuro.
E por isso nos preocupamos, vemos e esperamos, incapazes de deixar passar uma hora sem ver televisão, sem ouvir rádio ou ir à Internet.
Ele ainda está vivo; é uma boa notícia. Mas isso não altera o facto de, na maneira em que precisamos de Ariel Sharon, nós já o perdemos. Aqueles que acreditam em milagres rezam agora por um. Aqueles que não acreditam em milagres gostariam agora de acreditar.”

Um texto da jornalista israelita Allison Kaplan Sommer, autora do blog An Unsealed Room.

Sinais…

Sami Michael, escritor israelita, nomeado para o Nobel da literature por um académico palestiniano.


Sami Michael, israelita, nomeado para o Nobel da literature por um académico palestiniano

Ahmed Harb, escritor, crítico literário e catedrático palestiniano de Ramallah, propôs oficialmente a nomeação do escritor israelita Sami Michael para o Nobel da Literatura (ver Palestinian writer nominates Sami Michael for Nobel Prize.) Em entrevista ao diário Haaretz, Ahmed Harb diz ter ficado “profundamente impressionado com a escrita de Sami Michael” que, na sua opinião, tem influenciado não só leitores israelitas mas também palestinianos e árabes a compreender o destino que partilham no Médio Oriente. “Com os seus romances, lavrados por um mestre, Sami Michael granjeou uma audiência israelita, palestiniana e internacional. Como escritor palestiniano tenho a honra de recomendar calorosamente Sami Michael para o Nobel da Literatura”, escreveu o professor Ahmed Harb na carta enviada à Academia de Estocolmo. Ainda na entrevista ao Haaretz, Harb adianta: “Para mim, a literatura está acima de qualquer conflito, por mais difícil e complexo que seja. Talvez seja apropriado encarar a minha carta como uma missiva de paz para ambos os lados.”
Confrontado com a sua nomeação para o Nobel feita pelo académico palestiniano, Sami mostrou-se profundamente comovido: “Apetece-me beijá-lo. Ele está a tomar um risco enorme ao fazer esta recomendação. Seres humanos generosos como Harb são a mais importante indicação de que temos aliados do outro lado.”
Judeu nascido em Bagdade, no Iraque, em 1926, Sami Michael é um dos mais conceituados escritores israelitas da actualidade, ao lado de Amos Oz, David Grossman e A.B. Yehoshua – um grupo no qual se integra também no que diz respeito às opções políticas. Na sua obra confluem inevitáveis influências judaicas e árabes, reflectindo as condicionantes da sua própria vida.
Sami fugiu do Iraque para o Irão em 1948, após a polícia secreta ter descoberto o seu envolvimento num grupo de resistência clandestino. Um ano depois, quando o governo iraniano se preparava para o extraditar para Bagdade, Sami consegue escapar para Israel, onde vive desde então. Após cumprir o serviço militar, começou a trabalhar para um semanário árabe de Haifa, onde escrevia a quase totalidade da secção literária. Durante 25 anos trabalhou para o Ministério israelita da Agricultura, fazendo prospecção de reservas naturais de água junto da fronteira com a Síria. Sami Michael estudou literatura árabe e psicologia na Universidade de Haifa e recebeu um doutoramento honorário da Universidade Hebraica de Jerusalém. Ao todo, escreveu 11 romances em árabe e hebraico – o primeiro dos quais publicado em 1973 –, abordando em todos eles complexas relações interligadas entre judeus e árabes, cristãos e muçulmanos, nacionalistas e comunistas, homens e mulheres, em Bagdade e em Israel.
Politicamente, Sami Michael identifica-se com a ala esquerda do Partido Trabalhista e há décadas que juntou a voz ao grupo de intelectuais israelitas no movimento pela paz. Infelizmente, nenhum dos seus romances foi ainda traduzido para português.

::A LER:: World Conference on Culture at Stockholm – 1998 – The Wish of the Three Prophets, a paper by Sami Michael / Writing for a Jewish Future: About Sami Michael / The outsider — Baghdad-born writer Sami Michael a living conduit between Israel’s Arabs and Jews.

Israel termina a ocupação de Gaza


Foto de Rina Castelnuovo, The New York Times

::A LER:: BBC – Israel desocupa Faixa de Gaza depois de 38 anos / BBC – Israel destrói último posto militar em Gaza / CNN – Israeli flag lowered over Gaza / Haaretz – Analysis: The ‘day after’ the disengagement begins now / Xinhua – Israeli ends military rule in Gaza / Haaretz – Israel News – IDF leaves Gaza after 38 years of military rule / Palestinians assume control of Gaza Strip – The Boston Globe / BBC Israel completes Gaza withdrawal / JTW News – Israel completes Gaza withdrawal / The Scotsman – Gaza synagogues burn as Israel goes / Seattle Post-Intelligencer: Palestinians set fire to empty synagogues

Para acabar de vez com ideias preconcebidas


Foto de Oded Balilty para a Associated Press

Na última edição da revista judaica norte-americana Tikkun, Aaron Tapper escreve sobre o rabino ortodoxo Menahem Froman, um colono apaixonado pelos árabes e pelo Islão que vive na Samaria (Cisjordânia), e o Sheikh Imad Al-Falouji, antigo fundador das brigadas Izz Al-Din Al-Qassam do Hamas, que entretanto se converteu à causa do pacifismo. (Ler Tikkun – Hamas Pacifists and Settler Islamophiles: Defining Nonviolence in the Holy Land.) Para baralhar ainda mais as cabeças dos que demonstram sempre ter “certezas absolutas” quando se fala do conflito israelo-palestiniano, aconselho a leitura das notícias que dão conta de uma doação de 14 milhões de dólares, feita por empresários judeus norte-americanos, para ajudar os palestinianos e o futuro de Gaza. O dinheiro destina-se a manter os sistemas de rega e as infra-estruturas das estufas nos complexos agrícolas dos colonatos agora evacuados. (Ler New York Times – How Old Friends of Israel Gave $14 Million to Help the Palestinians; American Jewish Donors Save Gaza Greenhouse.) Já agora, convém também esclarecer que, após concluída a retirada, as casa abandonadas pelos colonos serão destruídas pelo exército israelita a pedido da Autoridade Palestiniana – através do seu ministro dos Assuntos Civis, Mohamad Dahlan –, para que os palestinianos possam construir prédios de apartamentos em lugar das casas e vivendas actualmente existentes, de maneira a albergar um maior número de pessoas. O exército israelita, no entanto, deixará intactas todas as estruturas de apoio – escolas, hospitais, etc. – e áreas industriais.

התנתקות

Em hebraico escreve-se התנתקות (hitnatcut). Literalmente quer dizer desligamento. Agora, é com essas mesmas letras hebraicas que se vai escrevendo História. E esperança. O desmantelamento dos colonatos israelitas de Gaza e do norte da Samaria (Cisjordânia) – e a retirada militar –, é um momento histórico inegável. Nos próximos meses deverão ser lançadas as bases para um futuro no qual coexistirão Israel e Palestina, dois Estados livres e independentes.
As irreversíveis engrenagens da História, habitualmente pesadas e lentas, movimentam-se agora a uma velocidade vertiginosa, materializando os primeiros esboços dos anseios de um povo cansado da guerra. Em Maio do ano passado, centenas de milhares de pessoas manifestaram-se em Tel Aviv, na mesma praça onde Yitzhak Rabin foi assassinado, exigindo o fim da ocupação, a retirada dos territórios e o reatar das negociações de paz. As sondagens mostram que a esmagadora maioria dos israelitas apoiava essas pretensões. Mas há um ano, poucos se atreveriam a prevêr as notícias de hoje.
Sempre guardei, confesso, algum ressentimento para com os colonatos – uma antipatia por aquilo que aqueles enclaves representavam e pelos entraves intransponíveis que colocavam no caminho da paz. Ao ver agora as imagens das reportagens dos despejos em Gaza, ao ver as lágrimas e o genuíno desespero, lembrei-me deste poema de Yehuda Amichai, e de como é fácil desumanizar gente com quem se discorda, transformando indivíduos em blocos compartimentados e estanques, cuidadosamente arrumados do lado de fora da nossa esfera de emoções. Ainda que discordando profundamente da ideologia e das opções daqueles que escolheram viver nos colonatos, sou obrigado a reconhecer que estas imagens me tocam.
O peso das palavras volta aqui a ter uma importância desmedida. Chamar simplesmente “colonos” àqueles que agora abandonam as suas casas, como se fogo as tragasse, é uma forma “esterilizada” e mentalmente higiénica de nos alhearmos do facto de milhares de famílias estarem a ser desalojadas; que pessoas deixam agora para trás as casas que construíram, os cemitérios onde enterraram os seus mortos, as sinagogas onde casaram. Chamar-lhes “colonos” alivia o peso de ver gente – velhos, mulheres, crianças, homens – a abandonar tudo sem poder olhar para trás. Eles são agora para Israel o que os “retornados” de 1974 e 75 foram para Portugal: vítimas colaterais do curso – tortuoso mas, no fim de contas, justo – da História.

:: A LER:: Haaretz – Editorial – And now, determination / Haaretz – Disengagement from Gaza – Day Three Diary / Something to mourn, by David Grossmann / Haaretz – Forcible evacuation begins this morning / IDF: Gaza evacuation may last less than a week / Haaretz – How the IDF plans to evacuate the Gaza settlements (infografia) / PM to settlers: Don’t hurt troops over disengagement, hurt me / Jerusalem Post – Editorial – A test of our society / Ynetnews – Mubarak: I understand evacuees’ pain / Ynetnews – Pullout Special / Jerusalem Post – Disengagement Special / Israel’s Disengagement Plan: Renewing the Peace Process (página oficial do Governo) / Zeek | Postcards from Gaza / ‘Time for me to close my computer and finish packing’ from Guardian Unlimited: Newsblog / Haaretz – Metamorphosis of Ariel Sharon

::NOS BLOGS ISRAELITAS:: Balagan in Jerusalem – Living in a Roller Coaster! / Not a Fish » Not happy days. No. / Sha!: Day 1 / An Unsealed Room: It’s Not a Reality Show, It’s Reality / An Unsealed Room: How It’s Going / Jewlicious » “We Fell in Love With Ourselves.” Mea culpa by a religious Zionist / on the face: A day in the life/ JeW*SCHooL – The Human Tragedy / Treppenwitz: It couldn’t possibly hurt / Jewlicious » On the eve of disengagement

::A VER:: IBA Channel 33 (noticiário em inglês) / IBA (noticiário em hebraico) / Three Days in Gaza (documentário)

ADENDA: poucas horas após ter escrito este post, as agências noticiosas deram conta da morte de três palestinianos, civis inocentes, assassinados por um terrorista israelita nas proximidades da zona industrial do colonato de Shilo. O assassino foi prontamente detido pela polícia. Entretanto, os terroristas fundamentalistas do Hamas prometeram já “vingar” o ataque – exactamente o tipo de resposta pavloviana que o terrorista israelita parece ter pretendido desencadear. (Ver ainda Ynetnews – Sharon condemns Shilo shooting attack; Haaretz – Sharon slams grave Jewish terror attack on Palestinians; Ynetnews – Hamas: We will avenge Shilo attack.)